domingo, 6 de julho de 2014

[7133] - RESSACA...

 
.Venham todas as vozes, todos os ruídos e todos os gritos
 venham os silêncios compadecidos e também os silêncios satisfeitos;  venham todas as coisas que não consigo ver na superfície da sociedade dos homens;venham todas as areias
lodos, fragmentos de rocha
 que a sonda recolhe nos oceanos navegáveis;
 venham os sermões daqueles que não têm medo do destino das suas palavras venha a resposta captada por aqueles que
dispõem de aparelhos detetores apropriados;
volte tudo ao ponto de partida,
e venham as odes dos poetas,
casem-se os poetas com a respiração do mundo;
venham todos de braço dado na ronda dos pecadores,
 que as criaturas se façam criadores
 venha tudo o que sinto que é verdade
além do círculo embaciado da vidraça...
Eu estarei de mãos postas, à espera do tesouro que me vem na onda do mar...
 A minha principal certeza é o chão em que se amachucam os meus joelhos doloridos,
mas todos os que vierem me encontrarão agitando a minha lanterna de todas as cores
na linha de todas as batalhas
.
 
Osvaldo Alcântara
 
 
Resposta ao apelo indirecto do amigo Adriano Lima, no seu comentário
ao post Nº 7131....
 
 

2 comentários:

  1. Este poema merece destaque, sim senhor, para mais tratando-se do autor que é.

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  2. "Eu estarei de mãos postas, à espera do tesouro que me vem na onda do mar..."
    Quando assim decidimos tudo se torna possível.
    Beijos saudosos de um tempo complicado de agendas!

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