segunda-feira, 7 de julho de 2014

[7135] - O REVERSO DA MEDALHA...

 
O discurso do PR é politicamente correto mas, nem sempre deve ser assim Sr. PR...
O Presidente conhece, talvez melhor de que muitos Cabo-verdianos, qual é a situação politica e económica do Pais e, é justamente por isso que falhou na sua abordagem sobre a data da “independencia”.
O discurso em si é, no minimo, politicamente excelente, aliás, o JCF já nos habitou a bons discursos. Responsável, como sempre, soube chamar a atenção para as preocupações do povo, exigindo a verdade da situação em que o Pais se encontra, mas pecou quando esqueceu ou ignorou  que a verdade do passado é tão importante como a do presente. Houve ditadura,  Sr. Presidente, e essa ditadura iniciou-se com o 5 de julho, e é essa verdade do passado que o Sr. ocultou no seu discurso...
Um País independente deve ser soberano, como tal, acredito que é nesta perspectiva que o PR definiu Cabo Verde como um Pais soberano, mas será ? Bom, vamos ver se essa soberania que o PR mencionou no seu discurso não se trata apenas de uma mera ilusão dos nossos politicos.
1. Um pais independente deve ser soberano, politica e economicamente, certo? Sabemos que CV suporta hoje uma dívida pública de mais de 100% do PIB nacional. Sabemos tambem, que as empresas como a TACV, a Electra e outras, estão totalmente falidas, e tambem é do nosso conhecimento a forte presença do FMI em CV nos ultimos anos. “Los paises acuden al FMI porque estan en problemas por nao haber podido manejar sus finanzas publicas …estan enduedados y tienen que refenanciar su dueda”- Christine Lagarde, Directora do FMI. (Está em espanhol porque se trata de uma entrevista a uma televisão mexicana).
2. O alto nivel do desemprego que o Presidente reconhece no seu discurso e
é  a consequencia directa de uma economia doente, DEPENDENTE, que não consegue gerar riquezas para o seu povo. Portanto, o PR reconhece que,  afinal Cabo Verde não é assim tão soberano economicamente como quis fazer-nos acreditar logo no inicio do seu discurso.
A dependencia economica é reconhecida quase por todos, o problema maior é reconhecer a dependencia politica que o Pais nunca ultrapassou durante esses longos 39 anos.
Ora vejamos, CV goza teoricamente de um regime democrático onde o povo é quem devia “ordenar” mas, no entanto, o povo é forçado a (sobre)viver numa luta constante com porcos e cães dos restos dos turistas e/ou dos politicos, sem um tecto e muito menos um jornal ou o acesso à tecnologia. Esse mesmo povo é chamado a decidir o seu futuro sem ter a ideia de em quem deve votar e, o pior, é que, quando vai as urnas, é comprado como mercadoria barata, com dinheiro supostamente proveniente de outros paises. Quando um governo de um país é escolhido com forte influencia de politicos ou partidos de outros paises, esse país não pode considerar-se independente e, muito menos, soberano...
O Presidente, ao tentar ser politicamente correto, acabou por ser incorrecto politicamente, ao dizer que a independencia não se discute e nem se questiona, será?  Acabei de mostrar que Cabo Verde não é um Pais totalmente independente e/ou soberano, como vem sendo publicitado;  sei que muitos defendem o contrário e devem ter tambem as suas razões, portanto, Sr. Presidente,  a independencia é sim,  discutivel e questionável como se pode ver; impedir um debate sério sobre essa matéria pode ser entendido como um sinal de retrocesso.
Para concluir, devo destacar a introducão do discurso, onde o Presidente começou por afirmar que valeu a pena a luta pela dignidade. Não sei se podemos considerar  digno um povo que vive dos restos dos outros, um povo que perdeu o direito a um emprego, um povo que nem sequer é respeitado no seu direito e dever de decidir o seu futuro!
 
Nilton Rodrigues
in FaceBook

5 comentários:

  1. Em todo o caso, o que é de relevar é a qualidade do discurso presidencial. Além de que um presidente de república não pode ser tão politicamente incorrecto quanto lhe recomendaria toda a largura do seu pensamento político.

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  2. Concordo com o comentário do "camarada d'armas" Adriano Lima.
    ; penso em Angola ( onde a filha do PR se dá ao luxo de convidar 600 (seiscentos) amigos a acompanhá-la a ir copar na Copa Brasil... Estou a pensar no Brasil, na India... tantos que entupia o blogue...
    Quanto à divida... CV não está só.
    A aposta no desenvolvimento do país unicamente (ou quase) no turismo falhou, porque os grandes empreendimentos estão nas mãos de estrangeiros...Onde o dinheiro entra e sai com valor
    acrescentado!

    Finalmente: - Não quero acreditar, que, o caso ilustrativo da Boa Vista, seja praticado em todas as ilhas. Será? Diga quem sabe !

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  3. Caro A. Mendes, se o caso que se passou na Boavista não acontece em todas as ilhas, não sei ao certo. Mas sei que em S. Vicente há pessoas que não comem uma refeição decente (comida de caldeira) por dia. Há muita gente a mendigar na rua, crianças e adultos. Eu vi isso em 2012. Ia a entrar num supermecado e fui abordado por uma rapariga e logo desconfiei de assédio sexual e não parei. Mas ela clamou: - Ó senhor, não me interprete mal. Eu só lhe queria pedir para me comprar uma embalagem de leite em pó para a minha filhinha porque.... Claro que comprei... 2 embalagens.

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  4. Confirmo aquilo que o Adriano diz a miséria os pedintes estão de retorno em força em SV é só passar em frente á igreja matriz para constatar esta realidade. O interior da ilha as situações de miséria extrema persistem Eu vou a Cabo Verde regularmente e as pontas dos icebergs da miséria estão todas visíveis. Na realidade estes problemas nunca foram resolvidos só aparentemente, pois em CV a propaganda.é rei. a culpa não só deste ou daquele governo ou desta câmara. Também em certa medida 'compreende-se' esta situação pois o país é estruturalmente pobre

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  5. Na realidade, é penoso ver os decisores politicos em empenhadas discussõe sobre o sexo dos anjos enquanto o povo, que neles acredita há 39 anos, só vê o seu sofrimento aumentar enquanto o leque dos necessitados se abre a limites socialmente perigosos...É triste e aperta os corações dos amantes das ilhas...Por Deus e pelos homens, faça, quem pode, alguma coisa!

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