terça-feira, 15 de julho de 2014

[7175] - A OUTRA FACE DO FUTEBOL...

 
Uma seleção foi ao Brasil, construiu o seu próprio centro de treinamento em Santo André, distrito de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia, e detalhe, com recursos próprios.

Deram exemplo de comprometimento e foco. Doaram recursos financeiros para aquisição de ambulâncias para a comunidade indígena Tapaxó e pelo período de 3 anos promoverão doações para a Escola da Vila de Santo André.

Construíram um campo de futebol ,especificamente para a comunidade local. Essa é a seleção da Alemanha, aquela que é a responsável pelo legado mais bonito, ou talvez o único digno de orgulho desta Copa. Exemplo para os pomposos jogadores brasileiros, para o governo brasileiro, e sobretudo para o povo brasileiro.

O diretor administrativo da Federação Alemã, Georg Behlau, afirmou que as doações foram uma forma de ajudarem e deixarem uma marca da passagem deles na Bahia.
Colab. Valdemar Pereira

Porque esta noticia se revestia de uma importancia notável, consultamos a nossa amiga Nouredini, de Salvador - Bahia...Eis a sua resposta:
 
 
De fato, eles fizeram empreendimentos locais, praticaram a chamada responsabilidade social e interagiram com a comunidade.
Desconheço se em Alemanha práticas desta natureza tem ganhos específicos de impostos.
A prática de ações responsáveis junto à comunidade na qual se insere ou no seu entorno, vem sendo estimulada em todo tipo de indústria e faz parte do chamado marketing social.
Não se vê mais como doação mas como contrapartida e traz bons resultados. Boa vizinhança,  ambiente colaborativo, segurança.
Em suma, desaparece o "Eles" e passa a "Nós".
De certa forma vimos isto: -apesar da surra de gols no Brasil a Alemanha saiu daqui querida.
Se pensarmos no alcance e no retorno que tiveram em troca dos investimentos feitos; saiu uma campanha de mkt barata, com muito espaço na mídia,  que até quebra a posição rigorosa da pais deles enquanto investidor em politicas sociais nos bancos de fomento.
Bom, barato e eficaz.
Beijos aliviados pelo final desta copa,
P.S.  Os indios são os Pataxós...




4 comentários:

  1. A confirmar-se isto e o mais que li, dir-se-á que é uma forma de acrescentar à festa do futebol o que pode ser o caminho para a sua maior credibilização universal. Feudo de rentáveis negócios hoje em dia, o futebol deve ao menos fazer reverter parte dos seus avultados lucros para fins humanitários e sociais.
    É claro que isto que se torna agora público foi uma iniciativa exclusiva da Federação Alemã. No mais, o próprio exemplo deixado pela equipa alemã, jogadores e técnicos, merece ser alardeado e seguido por todas. Os alemães demonstraram que se o futebol pode ser expressão de deslumbrante arte desportiva, não pode porém abdicar da excelência da organização funcional e do método e da disciplina inculcados em todas as fases da sua concepção e explanação nos relvados.
    A simples apresentação física dos atletas alemães foi reveladora de uma certa maturidade psicológica. Não se viu extravagâncias nos cortes de cabelo e outros apêndices capilares, não se viu pinturas de guerra e tatuagens aberrantes. A preocupação pareceu mais virada para o interior da mente do que para exibicionismos bacocos. Modéstia, contenção e comedimento no gesto e na palavra foram uma constante do comportamento dos alemães. O resto foi trabalho duro e procurando condições atmosféricas semelhantes àquelas em que iriam realizar os seus jogos. Foi paradigmática a preparação para o primeiro jogo, com Portugal. Portugal pode ter-se surpreendido com o rigor do tempo à hora em que se realizou esse jogo, mas os alemães não. O sucesso não vem do acaso.
    Por acaso, torci na Final pela Argentina por questões meramente pessoais e contingentes, mas reconheça-se que a Alemanha foi uma justa vencedora desta COPA.

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  2. Só me ocorre uma dúvida, filha do que a História nos ensina sobre o povo teutónico: TRATA-SE DE UM GESTO DE MERA INSPIRAÇÃO SOCIAL OU UM GOLPE PUBILCITÁRIO DE ÍNDOLE POLITICA?!

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  3. Amigo, a política é própria do homem enquanto ser social. Não há almoços grátis e os alemães por certo que souberam jogar, não apenas no relvado como em outros campos.
    Na actualidade, estão na garupa da liderança europeia e não vejo que outras nações da UE possam contrariar um domínio que não é imposto mas implícito numa capacidade económica construída com trabalho, método e perseverança, os mesmos predicados que fizeram o sucesso do seu actual futebol de selecção.
    No entanto, paira sobre a Alemanha o fantasma nazi, um pesadelo que não é fácil de exorcizar com duas pancadas de ritual. É um triste e horrendo episódio da sua história, mas que não encontra qualquer paralelo com outros do seu passado.
    Contudo, não creio que a Alemanha seja a da versão de Hitler, uma monstruosidade da História que nem sequer era alemão de nascimento, embora moldado alguns correligionários à semelhança do seu perfil.
    Mas felizmente nem todos.
    Não se pode esquecer que o general, Von Choltitz, comandante das forças alemãs em França, desobedeceu às ordens de Hitler quando este mandou destruir Paris. Sabe-se também que o general Rommel tratava os prisioneiros de guerra com humanidade.
    A I Guerra Mundial, um outro episódio desastroso da história europeia, não mostrou que qualquer dos contendores fosse menos respeitador das leis humanitárias do que o adversário. Na Guerra Franco-Prussiana último quartel do século XIX), o exército prussiano venceu e cercou Paris, mas limitou-se a uma ocupação breve e simbólica da cidade, retirando-se a seguir sem exercer qualquer violência contra a cidade e a sua população.
    Durante a I Guerra Mundial, as forças alemãs instaladas na sua então colónia da Tanganica (reforçadas com tropas indígenas, askaris), invadiram Moçambique pelo norte do território e encontraram a resistência possível das forças portuguesas, notoriamente fraca. Os portugueses instalaram-se na serra de Mecula (Niassa), dela fazendo o último reduto defensivo. Porém, a superioridade numérica dos alemães era esmagadora e acabaram por vencer a resistência. Os portugueses renderam-se ao cabo de uma luta prolongada, sofrendo mortes e feridos. Quando as forças alemãs atingiram o reduto defensivo ficaram surpreendidas com o efectivo ali postado. Então, o general comandante das forças invasoras, von Lettow-Vorbeck de seu nome, mandou formar as suas tropas para prestarem honras militares aos portugueses. Também na atrás referida guerra Franco-Prussiana há um episódio em que os oficiais prussianos prestaram honras militares aos franceses feridos.
    Esta conversa vem ao sabor da pena, talvez despropositada, mas a intenção é concluir que os alemães têm qualidades genéticas invejáveis e que a sua catarse pode ser tão longa quanto o pesadelo do episódio nazi. Talvez por isso se preocupem em acrescentar à sua imagem de povo trabalhador e disciplinado tudo o que desmistifique as más lembranças do passado de há mais de setenta anos.
    Mas não, não se pense que sou germanófilo.

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  4. Pois é, Adriano, mas a mim preocupa-me a tendência de os alemães seguirem cegamente os seus líderes, chamem-se Adolf ou Konrad, como a manada segue o elefante-chefe...Depois, falta-lhes aquela dose de humildade que tanto recomendámos à selecção do Brasil...De resto, equiparam-se aos japoneses no que concerne à ordem e ao trabalho...Não sei se vivem se, apenas, existem!

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