quinta-feira, 21 de agosto de 2014

[7299] - HORROR OU FICÇÃO?!


O "Blog" Marcha Verde,  emanação do "Jornal Verde", publicação de distribuição gratuita em Curitiba (Paraná), Brasil, exibe, da sua edição de ontem, um conjunto de fotos que mostram o jornalista James Foley efectivamente decapitado...É claro que todos estamos a par de como é fácil, hoje em dia, manipular fotos graças às técnicas de digitalização e outras, bem como não ignoramos haver por esse mundo fora, gente sempre disposta a tais artifícios adulteradores da realidade, um vício doentio cultivado pelos amantes do escândalo a qualquer preço...Por isso, não dedicamos grande credibilidade a tais fotos e nem sequer nos atrevemos a mostrá-las pois, apesar de estarmos convencidos de se tratar de composições poderiam, mesmo assim, suscitar alguma repulsa em observadores mais sensíveis...
De resto, estamos convencidos de que o vídeo amplamente difundido pelas Televisões de todo o mundo, é uma farsa e o jornalista americano, desaparecido na Síria há cerca de dois anos, continuará vivo...Estamos disso convencidos pois o discurso que o refém debita e supostamente articulado sob coação, coloca-nos a dificuldade de entender que tipo de ameaça mais fatal do que a morte - que o prisioneiro afirma ter como certa - poderia levá-lo a proclamar um tal chorrilho de enxovalhos contra o seu próprio país, coisas que ele, patriota como a esmagadora maioria dos americanos, obviamente, não sente?!
Parece-nos evidente que o doloroso discurso terá sido o preço que pagou pela própria vida ou, possivelmente, pelo adiamento da sua morte, mais ou menos inevitável...
Desejamos, sinceramente, estar com a razão, apesar de estarmos cientes de que a barbárie está aí e começa a revelar-se a ameaça real de um reinado do terror!

2 comentários:

  1. Esta gente reclama a recriação de um califado mas ignora que os antigos califados promoviam níveis de verdadeiro progresso civilizacional e permitiam até o convívio com as minorias religiosas. Basta lembrar o exemplo de Saladino, mais cavalheiresco e tolerante do que muitos chefes europeus das cruzadas cristãs.
    Esta gente que por aí anda a chacinar a torto e a direito, não poupando sequer populações muçulmanas, sem qualquer espécie de sentimento de piedade, pertence afinal de contas à nossa espécie e se calhar alguns dos seus protagonistas até possuem níveis de formação cultural obtidos no Ocidente.
    Seria certamente possível trancar as nossas portas civilizacionais e apagar essa gente do mapa da existência, exterminando-a com os meios letais e sofisticados que por aí abundam nos paióis do Ocidente. Seria, mas absolutamente errado. Seria como confessar a nossa própria derrota civilizacional, o aniquilamento da razão de ser da nossa espécie como um todo.
    Todos estes fenómenos de barbárie e intolerância extremas são sintomas inquietantes do insucesso da humanidade como um todo. Ninguém sai ileso da condenação universal, a começar pelos que se reclamam de civilização Ocidental e Cristã. É o homem como tal que está em crise existencial.
    No passado, a eclosão da II Guerra Mundial foi o corolário de uma crise geral, nomeadamente a económico-financeira de 1929, cuja resolução só foi operada pelo próprio conflito bélico ao reduzir tudo a escombros, pondo a zero todos os valores contabilísticos, para que se começasse tudo de novo, com a emergência de uma nova ordem mundial. E é por isso que não se sabe bem como solucionar a actual crise, porque a de 1929 não
    foi resolvida pelas vias normais da economia, mas sim por uma guerra mundial.
    Porém, note-se que essa nova ordem surgida com o fim da guerra foi engendrada para servir o Ocidente, pois os seus parâmetros destinaram-se fundamentalmente à reorganização do Mundo Ocidental. O resto, subproduto da civilização, ficou onde estava e como estava antes - África, Ásia, Médio Oriente, parte da América do Sul, etc.
    Tudo o que estamos a presenciar actualmente, de instabilidade, derrocada e insucesso, é sintoma de uma estagnação em pântano venenoso que pode ser fatal. Um novo conflito à escala planetária como o de 1940 poderia ser a solução? Uma espécie de reedição da solução do pós-última guerra mundial, para de novo se pôr a zero as circunstâncias do nosso viver? Claro que não, porque a natureza dos actuais meios de destruição bélica não se compadece bem com a régua de cálculo e controlo de efeitos outrora usada até às bombas lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki. Ora, essas bombas eram uma pequena insignificância perante o que anda nos actuais paióis nucleares, além de que os seus proprietários hoje são muitos e em campos opostos, pelo lançar uma iniciará uma escalada cujo fim é fácil de prever – a destruição do planeta e implicitamente da nossa espécie.
    Ora, a imagem do jornalista e do seu algoz tem de ser analisada antes de mais como um grave e perturbante sintoma da nossa demência colectiva. O demente não é apenas o algoz e os que estão por trás dele, somo todos nós. E até se pensa que esse algoz, provavelmente muçulmano, fala inglês com sotaque british.
    Tal como o proprietário deste blogue, o amigo Zito, tenho um pressentimento de que o jornalista esteja ainda vivo. Quero-o vivo como quereria vivos os inocentes que morrem quase diariamente na Síria, no Iraque ou em Gaza. Ter um bom pressentimento ajuda-nos a viver um pouco melhor com a nossa consciência. Mas não chega, é bom que apareçam novas ideias luminosas sobre a vida e o mundo, assim como nova estirpe de líderes mundiais, porque caso contrário o que nos espera é o abismo.

    ResponderEliminar
  2. Quero felicitá-lo caro Adriano, pela forma como contextualizou e sintetizou o "estado civilizacional" e o "estado d'alma" da humanidade.
    E ao quarto dia... as potenciais criaturas perfeitas tornaram-se em perfeitas caricaturas!

    ResponderEliminar