quinta-feira, 21 de agosto de 2014

[7303] - CABO VERDE - O ÉBOLA DO SEC. XIX...(2)




LAZARETO:

Reclamando de há muito era a necessidade da conclusão do lazareto d’esta cidade, em que faltavam os complementos mais urgentes n’um edifício d’aquella ordem e destinado a fim para que era precisa toda a vigilância.
Já em fevereiro d’este anno fizemos sentir essa falta, e, prevendo qualquer acontecimento, pedimos a atenção do governo para este assumpto.
Tanto, porem, o governo como a direcção das obras publicas, votando ao esquecimento ou não prestando cuidado ao que então dizíamos nada fizeram e nada projectaram.
Como diz o rifão, só se lembram de Santa Bárbara, quando fazem trovões, foi agora em face actuais circumstancias, que se deve toda a urgência a este negócio, que, ainda assim, não poderá concluir-se a tempo de servir aos quarentenários que, porventura, venham da Guiné portugueza.
Não queremos com isto accusar o actual governador geral apenas á testa á testa dos negócios públicos há dois mezes, porque temos por norma do nosso proceder sempre em vista a imparcialidade; referimo-nos aos seus antecessores e ao director das obras públicas, que não lembrou nunca a conveniência d’aquellas obras como era dever seu. Como já tivemos ocasião de demonstrar, este negócio do lazareto da cidade da Praia andou mal, desde o começo. Do governo do conselheiro José Guedes de Carvalho e Menezes até ao conselheiro Albuquerque, andou sempre a casa Burnay e o governo em contínuas reclamações e propostas, até que, finalmente, em 1876 se começou o edifício na ponta da “Temerosa”, que em troca o concessionário do ilhéu de Santa Maria dava ao Estado.
Construir porém uma casa para lazareto, embora não se especificasse a cláusula construir um lazareto, não é fazer uma casa acanhada, mal dividida, sem cozinha e outros arranjos indispensáveis!
E no entanto e apesar d’isso houve uma comissão, nomeada pelo governo, composta de homens technicos que depois d’um golpe de vista não duvidaram affirmar que aquelle edifício se achava em boas condições de ser aceite pelo governo. 
Postas de parte estas pequenas considerações a que nos forçou o assumpto, vejamos os inconvenientes que resultam d’esta obra não estarem de há muito concluídas.
Na hypothese de continuarem como suspeitos os portos da Guiné, ou alli entrar epidemia da febre amarella, e que venham d’aquelle ponto passageiros, terão as quarentenas de fazer-se a bordo de qualquer navio que o governo frete para esse fim. Ao incommodo dos quarentenários juntar-se-há o da contínua e aturada vigilância no porto, para impedir tanto a comunicação com a terra como com os demais navios que se achem ancorados.
Além das péssimas e precárias circunstancias em que ficam os quarentenários, temos mais a prevenir a chegada de outros navios, antes que os primeiros quarentenários tenham completado a quarentena, e n’esse caso terão estes que começal-a de novo.
A possibilidade, muito susceptivel de dar-se nesta quadra, de fortes marezias ou de um temporal do S.E., é um outro inconveniente que se apresenta à solução d’este problema.
Esperamos, contudo, que o governo, providenciará de modo a salvaguardar esta cidade e o archipelago da importação de qualquer contagio.”
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Consumatum est…
…” Os boatos que corriam acerca do vapor “Governor Albuquerque” realizaram-se. Chegou efectivamente de Bissau no dia 15 e teve “livre pratica”.
Por mais que investiguemos, não podemos achar o fio d’esta resolução, tomada pela junta de saúde da província.
Está conhecido e demonstrado pela sciencia, e d’isso não fez monopólio, porque as obras que correm pelo universo assim o atestam, que não é só pelo contagio que a febre amarella se pode transmitir d’um para outro ponto; as correntes d’ar, uma nuvem podem trazer consigo o gérmen da epidemia”… E se o ar atmosférico póde ser o conductor da doença, de um outro paiz, com que facilidade a não poderá transmitir a poucas milhas de distancia do foco inficionado ou suspeito!...

Pesquisa de A.Mendes




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