sexta-feira, 5 de setembro de 2014

[7358] - ERA UMA VEZ, S. VICENTE...(2)


Em 1815, morre, quase à míngua, o primeiro povoador, João Carlos Fonseca Rosado. Contava então a ilha 115 almas. Em 1819 aumenta-se a população com famílias idas de Santo Antão, às quais se concederam terrenos livres de décimas e foro, por 10 anos. Toma então a povoação o nome de D. Leopoldina, por ser este o nome da esposa de D. Pedro IV.
Elevando-se a população em 1820 a 295 almas, deu-se-lhe um capitão-mor efectivo, com a graduação de tenente-coronel de milícias, de confirmação régia e com casa para a sua residência; nomeou-se um Juiz vintenário e um feitor, construindo-se uma pequena alfândega. Com os poucos habitantes organizou-se uma companhia de ordenação, dando-se-lhe armamento.
Em 1823 mandou-se para S. Vicente um capitão de linha, de Bissau, para capitão-mor comandante.
A fome de 1831 reduz a sua população e destrói a sua riqueza principal, que consistia em gado bovino e algum ovino. Em 1834 havia 340 habitantes.
O Governador Joaquim Pereira Marinho, que toma posse do Governo da Província a 12 de Setembro de 1835, vê com notável inteligência a importância que poderia e deveria ter a ilha e começa desde logo a trabalhar para que a capital fosse nela estabelecida, fundamentando-se na insalubridade da Praia e nas excelentes condições de S. Vicente, que em relatórios para a Metrópole, continuamente acentua.
Assim, desde 5 de Fevereiro de 1836 insta junto do Governo da Metrópole para que a capital fosse transferida, tendo conseguido que a mudança fosse decretada pelo ministro Sá da Bandeira (então visconde), em 11 de Junho de 1838, e reforçada por portaria régia de 30 do mesmo mês. 
Estas leis e as instruções que as acompanharam determinavam que na ilha de S. Vicente se estabelecesse um centro de população destinado à capital e que tomaria o nome de Mindelo, em comemoração do desembarque de D. Pedro nas praias deste nome. Marinho trabalhou para que se considerasse franco o Porto Grande, mas o seu pensamento não foi compreendido e muito menos aceite pelos habitantes de S. Tiago, que o combateram ferozmente, pois feria os seus interesses.
Era a ilha de S. Tiago, de facto, a mais forte em vegetação, a mais rica, a que tinha proprietários mais poderosos e, durante muito tempo, o maior número de notáveis.
Apesar da persistência do governador, a capital não foi transferida pelas razões atrás, em parte, mas principalmente por falta de recursos para a despesas da mudança, por carência de operários e engenheiros e por causa dos acontecimentos políticos da Metrópole, que tão desastrosa e lamentável repercussão tiveram na Colónia.
Em vez de arranjarem os recursos financeiros para a transferência da capital, a província,- da qual, desde a sua colonização, ficou dependente a Guiné – teve, desde então, de continuamente a subsidiar. Nessa data (1838) tomou o arquipélago o encargo de sustentar a Guiné, determinando o Conselho do Governo que pelo orçamento de 1838/39 se destinassem 8.000$000 à Guiné.
Esta colónia, desde a descoberta do arquipélago, ficou comercialmente ligada às ilhas, fornecendo-lhe, desde 1461, braços para a agricultura. Abusou-se até na remessa desses braços para o arquipélago. 
Mas, se a Metrópole e a província não tinham recursos para construções novas em S. Vicente, "muito menos elas se realizariam, tomando as ilhas o encargo de sustentar a Guiné", como diz Barcelos...
João Gomes da Fonseca
Separata nº. 5 -- 1929 / “Boletim da Agencia Geral das Colónias” 
Pesquisa de A.Mendes


2 comentários:

  1. Mais elementos de grande interesse que o A.Mendes nos proporciona sobre a história da ilha de S. Vicente. Bem-haja,pesquisador militante e incansável!

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  2. Entrar em contacto
    Eduardo.pereira@docente.unicv.edu.cv
    Aguardo

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