terça-feira, 18 de novembro de 2014

[7640] - NOVOS DESAFIOS...VELHOS DEFEITOS...


REGIONALIZAÇÃO E NOVOS DESAFIOS POLÍTICOS EM CABO VERDE

Tal como o planeta, na sociedade, nada permanece estático pela simples razão dos seres inteligentes colocarem a vida entre dúvidas, o erro, a certeza em busca da vontade de ser perfeito.

Da batalha, sempre nasce alguma aclaração, bem como razões conscientes que levam governantes a repensar novas sociedades; assim, não admira, o recente anúncio dos maiorais do Palácio da Praia (para dezembro) sobre cimeira nacional em discutir ativos duma "Regionalização". Sobras dúbias que precisam ser também colocadas ao Governo!

Quem viveu, acompanhou movimentos de libertação contra o Estado Novo e as arbitrariedades da ditadura colonial, épocas geradas na instabilidade do mundo possuído de absolutismo; olha agora novos desafios, sem porém deixar de identificar velhos defeitos, certas teimosias apoderarem-se da personalidade, invadindo sensibilidades mais diversas do consciente como sequência democrática.

É verdade: a democracia, sem querer, ficou um fardo. Com isso, hoje, razões de tanto ouvir nas ruas protestos do povo. Das mesas de café a pequenas tertúlias observando novos métodos com velhas tendências relacionadas à "ditadura". Certamente, "ditadura" em outros moldes, sem deixar esse lado assustador, uma total desconfiança marca ultimamente as sociedades; esta, criada em torno da última geração de políticos dominadores da cena.

Não podia faltar nesta onda avassaladora sobre créditos políticos, a Cabo Verde, eterna caminhada dos partidos que, em vez de iluminarem o existencial das ilhas, foram deixando rasto incerto, parca lucidez, prejuízo farto estabelecendo níveis de perigosa confusão numa sociedade de recursos limitados, sempre à beira do precipício.

Aqui, de certo modo em rota de colisão com todo o processo democrático caboverdiano, pelos desafios devoradores da imagem partidária e dos próprios responsáveis. Esta, de todo, tem sido a "normalidade" com a qual foi chegando uma maré doutros conceitos políticos pela qual a "Regionalização", apresenta oportunidades de extrema complexidade pela responsabilidade de processos, frontal transparência, sem preconceitos, fugindo da maldita descrença a um povo em falta.

Assim, "Regionalização", remissão construtiva igualmente na ordem dos ideais. Em primeiro lugar, luta contra centralismos estatizantes; propõe modificações à ordem territorial em unidades (neste particular, pelo preceito das micro-regiões) onde a coesão é distribuída por todos.

A base, é confrontar desigualdades, mantendo estratégias comuns sem abandonar valores, realizar (melhor) os poderes, transparências e liquidar tentativas de má gestão.

No entanto, não foge esta opção às tentações defeituosas dos seres humanos quando pode também criar caciquismos locais, fazer entrar restrição orçamental. Por regra, exige programas autárquicos com pessoas inteligentes, determinadas na criação de municípios fortes em torno de responsáveis preparados e credíveis, mais interessadas no desenvolvimento local do que nos estratagemas partidários; dando lugar a estruturas de ordem produtiva entre o capital e o aforro, injetando vigor ao mercado e articular ações comuns onde se incluam realmente gente de valor.

"Regionalização": exige especificidades locais, combate princípios de corrupção onde o centralismo falha, alimentando mal (quase) indómito; aqui, "Regionalização", formata normas eficientes, disciplina, pede exatidão.

Naturalmente, ao caboverdiano, este, terá de adaptar-se a novos estímulos, regulada competição, opções onde implique metodologias processuais duma nova intervenção política, novos atores pelo comando ao melhor ordenamento dos recursos existentes, com responsabilidade acrescida.

No entanto, também não podem falhar planos ao prometido desenvolvimento, permitindo adiantar outros géneros programados. O conceito não poderá ser só geográfico-administrativo-político ou contra qualquer centralismo apenas pela ideia segregacionista podendo nascer resíduos perdidos da lástima (em tendência bairrista) social dalguns menos preparados.

O impacto da movimentação comunitária pedindo forte e decisiva mudança para Cabo Verde, a todos os níveis, uma saudável posição, início desse caminho aberto ao amanhecer onde cada caboverdiano, seja dentro ou fora, sem ficar alheio ao combate (na boa maneira de Amílcar Cabral), abrir portas à realidade, desbastar matas, arregaçar mangas pelas tarefas dentro da matriz determinante, sem medo, alienações nem covardia... porque vem aí, pela certa, outro futuro.

Pedir aos responsáveis que possam compreender a mais-valia sobre um novo projeto para Cabo Verde: outra oportunidade, desenvolvimento continuado, outra liberdade, independência em movimento... uma aposta por onde tanto a integridade como a coragem política devem oferecer nessa margem, a mais humanista e responsável de todas as opções e de vez liquidar a crónica fome e dramas que o povo de Cabo Verde não merece.

Veladimir Romano
Lisboa, 14-11-2014

2 comentários:

  1. Temos tido voz quente e incisiva na denúncia da política centralista do governo de Cabo Verde, tanto mais que, não se contentando com o concentrar o poder, vem privilegiando despudoradamente a ilha/cidade capital, a ponto de agora preocupar-se mais com um estatuto especial para a Praia do que em gizar uma política que racionalmente consinta similares condições de vida aos cabo-verdianos em cada uma das ilhas. O próximo forum anunciado para debater a regionalização resulta mais da pressão exercida sobre a opinião pública pelos chamados "regionalistas" do que de uma vontade sincera e interiorizada pelos actores políticos. Veremos se as conclusões que vão sair desse forum não serão idênticas às que saíram do colóquio de 2007 sobre o mesmo tema: zero.
    Por outro lado, a regionalização, qualquer que venha a ser a sua configuração geográfica e política, de pouco valerá se a sociedade civil em cada ilha não souber tirar partido das potencialidades que elas oferecem. Que são reais, específicas e variadas. O que o país não pode é prosseguir o actual rumo. E espera-se que os dirigentes políticos caiam das alturas em que vivem para descerem à terra que os viu nascer. Só vestindo fato macaco em vez de fato do melhor estilo, ou andando de jipe modesto em vez de mercedes reluzente, conseguirão sentir o sabor da terra e o respirar do povo, condição para poderem agir e proceder olhando para o colectivo e não para os seus umbigos e para o seu estipêndio pessoal.

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  2. Sublinho este parte do texto que devia ser um guião para a conduta dos governantes dos países pobres:'''Só vestindo fato macaco em vez de fato do melhor estilo, ou andando de jipe modesto em vez de mercedes reluzente, conseguirão sentir o sabor da terra e o respirar do povo, condição para poderem agir e proceder olhando para o colectivo e não para os seus umbigos e para o seu estipêndio pessoal.'''

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