domingo, 1 de março de 2015

[7834] - DESINVESTIMENTO E BUROCRACIA...

Carlos Abu-Raya
São Vicente: Empresa norte-americana desiste de investimento de 8,6 milhões de dólares no sector das pescas

27 de Fevereiro de 2015, 13:36

A empresa África Pesca desistiu hoje de um investimento de 8,6 milhões de dólares no sector das pescas em Cabo Verde, por alegada “má-vontade de certas instituições do Estado”, conforme o sócio cabo-verdiano da empresa, Carlos Abu-Raya.

A empresa África Pesca tinha o suporte financeiro do investidor norte-americano Carlos Rafael, tido como o maior armador dos Estados Unidos, e proprietário da empresa C&R Fishing LLC, e que tencionava investir, numa primeira fase, 8,6 milhões de doláres (cerca de 770 mil contos) no sector das pescas em Cabo Verde.
Em conferência de imprensa, na cidade do Mindelo, para anunciar a “retirada definitiva” do projecto, o sócio-gerente Carlos Abu-Raya considerou que o investimento encontrou “forte resistência” do Instituto do Desenvolvimento das Pescas (INDP) e da Direcção-Geral das Pescas, e, paradoxalmente, “elogios” da ministra do Turismo, Investimento e Desenvolvimento Empresarial, Leonesa Fortes.
É que, apontou Carlos Abu-Raya, o navio Voyager, uma embarcação de arrasto de meia-água, encontra-se em São Vicente há 71 dias com inspecção de navegabilidade, segurança e sanitária concluída e validada, registo na Agência Marítima Portuária (AMP) e com licença de pesca para pequenos pelágicos por seis meses, emitida pela Direcção-Geral das Pescas (DGP), “mas sem conseguir pescar”.
Só que, explicou a mesma fonte, a DGP incluiu na licença uma cláusula em que proibia o navio de pescar sem um plano de pesca experimental aprovado pelo INDP. “Submetemos o plano ao INPD no dia 28 de Janeiro e até hoje não recebemos uma resposta”, acusou.
Segundo Carlos Abu-Raya, “a meio do jogo”, as autoridades cabo-verdianas introduziram novas condições, nomeadamente que a embarcação só poderia pescar melva (catchorrinha) e não as outras espécies de pequenos pelágicos como a cavala preta, o olho largo e a sardinha, uma quota de captura máxima para a embarcação fora das 12 milhas, e aprovação dos planos de pesca, trabalho e investigação.
“Podemos também concluir que o INDP não demonstrou vontade em participar numa investigação, que a própria empresa África Pesca iria financiar, para determinar a biomassa de pequenos pelágicos existentes nos mares de Cabo Verde”, apontou Carlos Abu-Raya, para quem o arquipélago acaba de perder um “grande projecto”.
É que, assinalou, segundo cientistas da Uni-CV e da Universidade de Massachusetts (EUA), os estudos actuais sobre a biomassa de pequenos pelágicos em Cabo Verde, realizados em meados dos anos 80, em inícios de 90 e em 2011, “são inconsistentes” e têm “muitas discrepâncias”.
Por isso, explicou, o objetivo dessa investigação, a ser feita “de forma directa com pesca exploratória” fora das três milhas, era o de dotar Cabo Verde de um “plano de gestão sustentável” para a pesca de pequenos pelágicos dentro e fora das 12 milhas náuticas.
Por outro lado, em números, a mesma fonte explicou que o projecto da África Pesca iria proceder ao desembarque de 100 por cento da matéria-prima em Cabo Verde, que seria vendida na totalidade à Frescomar, e que iria ainda distribuir o produto da conserveira cabo-verdiana em 2.700 supermercados do Canadá e em 10.000 supermercados dos EUA.
Da mesma forma, seria criada uma Fundação África Pesca através da qual cinco toneladas de pescado por cada viagem seria convertido em dinheiro e gerido para acções sociais como o financiamento de projectos relacionados com o mar e bolsas de estudo, entre outras.
"Não pelas autoridades, mas pelo povo de Cabo Verde sinto-me amargurado pois em toda a minha vida de 47 anos de labor no sector das pescas este foi o primeiro projecto em que sinto que fui discriminado”, declarou o investidor Carlos Rafael, natural dos Açores (Portugal) e casado com uma cabo-verdiana.
“Claro que nunca pensei em destruir os recursos marinhos de Cabo Verde, nem tampouco limpar o peixe dos seus mares, pois quero que os filhos e netos continuem a desfrutar desse recurso”, lançou Carlos Rafael.
Num desbafo, e quando perguntado em que condições poderia aceitar repensar o seu projecto, o armador norte-americano foi taxativo: “O PAICV [partido no poder]terá que ir à vida”, concluiu.
A Agência Inforpress tentou contactar via telefone o director-geral das Pescas, Juvino Vieira, que, por se encontrar em reunião, não estava disponível para reagir às declarações dos dirigentes da empresa África Pesca.

Inforpress 

3 comentários:

  1. ONTEM ESCREVI NO FACEBOOK " o que se pede é que se interpela o governo os deputados ou alguém de responsável para esclarecer porque a empresa África Pesca desistiu hoje do investimento. Pode haver razões. É o mínimo que se pede. Tu podes até saber ou outros deputados, deputados municipais. Alguém sabe. Eles até podem não ser credíveis. Mas que se esclareça, pois 8 milhões não são 8 escudos. Pois o mal é que em Cabo Verde as coisas sabem-se de boca em boca e acabam por morrer sem se saber ao certo. Eu vejo muita gente na net em cavaqueiras mas sempre que há um assunto difícil toda a gente foge com o rabo. ou ninguém toca, para dar a sua opinião. Será medo do Partido ou dos partidos ou medo de perder alguma coisa. Qual foi para o meu espanto a indignação da calcinha preta (dezenas de post toda gente a malhar na 'cambra' muitas opiniões sobre gastar dinheiro alguns milhares de contos e não se indignam com 8 milhões perdidos. Eu disse para mim a sociedade está a despertar e começa a aparecer indignados e indignação. Enganado estava, pois a 'cambra é um peso morto não faz mal a ninguéM ou não dá quase nada. Assim pode-se malhar nela a vontade. Agora no governo são outros feijões. Algo não bate certo nesta equação ou há qualquer coisa que está a escapar a alguém. De qualquer maneira como os franceses dizem 'ça cloche' ou senão CV é já um caso perdido de loucos e para loucos, neste caso como o poeta José Lopes previa o seu destino é o afundamento nos abissais do Atlântico e ninguém deverá chorar pois é merecido!!! "

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  2. Victor Hugo Rodrigues Victor Hugo Rodrigues
    1 h ·
    EU EXIJO QUE O GOVERNO, DO SR JOSÉ MARIA NEVES, QUE SE DIZ DE CABO VERDE, DÊ UMA EXPLICAÇÃO AOS CABOVERDEANOS PARA ESTE CRIME ECONÓMICO COMETIDO, COBARDEMENTE, CONTRA AS ILHAS DO NORTE DO ARQUIPÉLAGO. CASO CONTRÁRIO, DEVE RETIRAR A MÁSCARA E DECLARAR A SUA ILHA, ILHA DE SANTIAGO, COMO "REPÚBLICA DE SANTIAGO", NÃO DE CABO VERDE.

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  3. Ignoro os verdadeiros contornos do acontecido, e o Governo pode até ter tido uma justificação válida para não apoiar o investimento. Só que estamos já fartos de ver S. Vicente afastado de bons investimentos produtivos, pelo que o borregamento de mais este deixa-nos apreensivos e faz avolumar a suspeita de que existe um propósito de asfixiar e liquidar definitivamente a ilha. A autarquia e o Governo têm de prestar um esclarecimento público com toda a urgência.

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