domingo, 1 de março de 2015

[7835] - TIROS AO LADO...


Para além de um ódio quase visceral pela Alemanha, o Senhor Tsipras vem há semanas alimentando uma campanha conta Portugal e Espanha por, supostamente, os representantes destes países terem tomado posições que dificultaram ou procuravam dificultar as negociações da Grécia com o Eurogrupo...
Da imprensa escrita retirámos os três parágrafos que passamos a reproduzir:

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, acusou os Governos de Portugal e da Espanha de formarem um “eixo contra Atenas” durante as negociações mantidas com o Eurogrupo para o prolongamento do programa de resgate financeiro, com o objectivo de derrubar o executivo liderado pelo Syriza.
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Relatando as negociações em que o país se viu envolvido em Bruxelas, com o Europgrupo e com o Conselho Europeu, Alexis Tsipras aludiu à oposição das forças conservadoras europeias, com Portugal e Espanha à cabeça, e as suas tentativas para “minar” um acordo entre os gregos e os seus parceiros, “assumindo o risco de uma evolução descontrolada” por razões tácticas que têm a ver com a conjuntura eleitoral interna.
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Tsipras defendeu o compromisso alcançado pelo seu Governo em Bruxelas, e para contrariar as críticas da facção mais à esquerda do seu movimento referiu o ataque que a chanceler alemã, Angela Merkel, sofreu quando levou o acordo com a Grécia à apreciação do parlamento germânico. “Basta ouvir as críticas dos deputados alemães, que se queixaram das concessões inaceitáveis que foram feitas aos gregos”, observou.

Portanto, há um "eixo-do-mal" luso-espanhol cujos pecados, no entanto, o Senhor Tsipras não enumera nem explica, apenas refere...E, por outro lado, argumenta de forma estranha para satisfazer a asa mais à esquerda do seu próprio partido, com as dificuldades da Chanceler alemã aquando da apresentação do acordo com a Grécia ao seu Parlamento quando, afinal, dos 587 deputados alemães presentes à votação, 542 se pronunciaram favorávelmente a tal acordo...
Cremos existir no discurso do PM grego algum défice de coerência, para alem do que, quem teme as tempestades não deve semear ventos!
O Sr. Tsipras e o seu Partido ganharam as eleições e não estamos aqui a discutir o como nem o porquê... Governa em coligação com uma força politica dos antípodas do espectro político, o que também não é problema nosso...Desejamos, sinceramente, que tenha êxito e consiga retirar o seu país do lodaçal em que os seus pares o mergulharam, ao longo de décadas do mais completo laxismo politico-económico...Em troca, desejaríamos que o Sr. Tsipras não se socorresse de muletas alheias para se equilibrar na subida da escorregadia ladeira que são os compromissos que assumiu com o seu eleitorado... Creio que, até hoje, ninguém fechou a porta ao Sr. Tsipras, que deve concentrar todas as suas energias na resolução dos problemas da Grécia, em vez de se escudar atrás de fantasmas e papões em que já ninguém acredita...

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