quarta-feira, 15 de abril de 2015

[8013] - O PARTIDO, PARTIDO...

Há poucos anos, ninguém ousaria pensar que um Partido Político, com o traquejo do PAICV, estaria numa bicefalia de pensar e de agir como a que se está a verificar, de alguns anos a esta parte.

Paulo Delacth Mendes
PAICV: Um Partido, partido - 14.04.2015 - A Semana

Num Partido Político, por mais democrático que possa ser, por mais acutilantes que possam ser as intervenções dos seus Militantes, há um princípio sagrado de comunidade e de resguardo, normalmente impostos pelos respectivos Estatutos, pelo que, no momento de exteriorização das suas decisões, se mostram unidos em matérias conclusivas. E porquê?

Para que uma Organização seja classificada de Partido Político, ela deverá, em primeira mão, ter como um dos objectivos a assunção do Poder político e, por isso, define metas para o efeito. Para a concretização desse desiderato, impõe-se que as pessoas que nele militam comunguem de ideias iguais ou próximas, ou seja, o Partido tem de ter ideologia, a tal argamassa unificadora e sustentadora desse edifício político e que o faz agir coerentemente, o mesmo dizendo, disciplinadamente.

Se o Membro de um Partido discorda da acção colectiva, por uma questão ideológica, impõe-se seguir um dos dois caminhos: afastar-se voluntariamente ou ser afastado por razões disciplinares pelos Órgãos Dirigentes, sob pena de pôr em causa o ideário que o origina e se transformar num grupo de pessoas que, circunstancialmente, se encontram para a realização de algo e, a partir daí, cada um toma conta da sua vida, inexistindo, por isso, a tal argamassa congregadora.

Quando, em 2011, o PAICV abriu a concorrência interna entre os seus membros, para a escolha do Candidato que havia de apoiar às Presidenciais de então, em que se apresentaram três Candidatos, os vencidos tinham de seguir, obrigatoriamente, um dos dois caminhos: aceitarem a decisão da maioria e, a partir daí, darem a sua colaboração máxima ao escolhido, de modo a que o Partido obtivesse o seu objectivo ou, desconformando-se, apresentarem o seu pedido de desvinculação e, querendo concorrer, fazê-lo sem o apoio oficial dos Órgãos partidários.

Ora, não acontecendo uma dessas premissas, restava ao Partido accionar aquilo que lhe competia, isto é, em consequência, agir disciplinarmente, expulsando da sua fileira aquele ou aqueles que desobedeceram à disciplina partidária. E foi por não ter sido tomada a decisão na altura que, a partir daí, cada um entendeu, e vai entendendo, que pode fazer como bem lhe der na gana. É melhor, para qualquer Organização, ter um número pequeno de membros, porém, respeitadores das directivas emanadas dos Órgãos dirigentes, do que ter um número elevado, mas que, em momentos decisivos como este, ignoram os interesses da colectividade e se posicionam frontalmente contra.

Hoje em dia, quando se ouvem os Dirigentes do PAICV, não se entende bem quem é quem, como, aliás, acontece agora, em que o antigo Presidente do Partido diz, publicamente, que não respeita o consenso havido com o MpD, os Deputados Nacionais aprovam o documento à revelia e o Presidente do Partido se posiciona contra e garante que a sua Comissão Politica também não o aprova, torna legítimo perguntar-se, então, quem é quem, mormente em se tratando de um Partido responsável pela governação do País.

O que digo aqui em relação ao PAICV, di-lo-ia da mesma forma em relação ao MpD ou à UCID se, porventura, os seus Dirigentes tivessem a mesma postura. Porém, em relação a estes, há coerência, declarando-se, em alto e bom som, apoiantes do Diploma aprovado, que, entre outras regalias, eleva os salários dos titulares de cargo político, contestado na rua, incluindo pelos respectivos militantes. A questão é saber se se mantêm nessa linha comportamental.

Se os meus conselhos valessem para alguma coisa, ousaria dizer a esses protagonistas que esse Partido não merece, quer seja pela sua acção histórica, quer seja em memória do seu Fundador e, por isso mesmo, devem recuar no caminho, sob pena de causarem danos irreparáveis e irreversíveis, quiçá, inconscientemente.

Mindelo, Abril de 2015.

1 comentário:

  1. O Fausto, por acaso meu cunhado, tem sido a consciência crítica do partido a que pertence. Esta circunstância não o tem impedido de analisar a situação do país com grande seriedade intelectual e pautando-se pela ética dos princípios e rigor na análise dos problemas. De resto, ele é um cidadão empenhado e altamente preocupado com o actual rumo do país.

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