terça-feira, 12 de maio de 2015

[8141] - "SUB-PRIME" - ANTECEDENTES E CONSEQUÊNCIAS...

José F. Lopes
A crise do Sub-Prime: Como a crise "Casa para Todos" na América, virou Crise Planetária. Uma Lição para Cabo Verde!

Nos finais dos anos 90 a América e o Ocidente tinham ganho a Guerra Fria e o Mundo entrava na era do capitalismo global. As economias tornavam-se interdependentes e globais. Graças à desregulação ou novas regulações mais laxistas das finanças e do comércio mundial e às novas tecnologias, os mercados de capitais libertaram-se e liberalizaram-se e os fluxos financeiros tornaram-se globais, instantâneos e sem controlo. Entrámos na era e no reino dos mercados de capitais. Foi neste preciso momento que, graças às políticas económicas e liberais dos EUA da era Clinton, Blair e Schroder , uma herança da revolução liberal de Reagan e Tacher que se dá o nascimento de políticas de facilidades ao crédito hipotecário, uma autêntica política de Casa Para Todos Americana, funcionando num sistema livre capitalista americano.
O vento estava de feição, pois nesta altura as taxas de juro estavam aos níveis mais baixos de sempre, tinham passado à história as taxas de juro a 10 ou 20% e as pessoas podiam sonhar com a propriedade e o consumo generalizado de todos os bens básicos.
Através de duas agências financeiras estatais federais de Crédito Hipotecário, Freddie Mac e Fannie Mae, o governo americano impulsiona uma revolução no mercado imobiliário: uma gigantesca política de crédito fácil para aquisição de casas é implementada para todo o terrirório americano, tendo com público alvo a classe média - baixa.
Entrou-se numa era em que qualquer americano, mesmo com zero dólares ou com um rendimento mensal de 300 euros, poderia aspirar a comprar uma casa de 500 mil dólares uma carro de 50 mil dólares e consumir tudo sem controlo: bastava querer! Porque não? Para além de tudo a América é ou não o país de liberdade e da consacração do sonho americano, onde até o pobre pode ascender socialmente à custa do seu trabalho?
Só que correu tudo mal. Com a subida da inflação na primeira década dos anos 2000, a Reserva Federal americana viu-se obrigada a subir vertiginosamente as taxas de juro directoras, passando-as de valores próximo do 1% para valores da ordem de 5%.
Ditava-se o fim do sonho americano, não somente para uma classe inteira de americanos mais pobres, mas para toda a classe média em geral, todos endividados com casas e com montes de créditos, facilitados pela mesma política de crédito fácil.
Em 2009 dava-se assim o início a uma das maior tragédias económico - financeira e social dos EUA, que viria a redundar em tragédia mundial. Falências em catadupa e cascata de famílias e de empresas, milhões de casas penhoras e abatidas num ano, pessoas a viver nas ruas, milhões sem abrigo, etc. As duas agências financeiras Freddie Mac e Fannie Mae que inundaram a América com o crédito hipotecário, faliram e os bancos de investimento que jogavam na bolsa e previam ganhar rios de dinheiro com os certificados alavancados no crédito hipotecário americano veriam todos os ganhos e os bilhões das suas contas estorricados num dia, num autêntico Auto de Fé financeiro.
Dava-se início à maior crise à escala mundial que a América e o Mundo conheceram. Todo o Mundo estava contaminado, intoxicado, pelo lixo tóxico do Crédito Hipotecário Americano, pois todos os bancos mundiais tinham comprado sofregamente estes certificados reputados de seguros, com perspectivas de ganhar rios de dinheiro nas bolsas com tais produtos.
O mundo esteve à beira de um colapso, o Governo Federal americano e outros governos do mundo ocidental tiveram que digerir a contaminação financeira salvando os bancos em falência à custa do contribuinte, principalmente, a classe média e os trabalhadores. A Europa nunca mais saiu da crise e houve países que faliram, financeiramente.
Tudo isto para indicar os riscos de alavancar a economia de um país, (bancos e empresas) a projectos económicos insustentáveis ou especulativos. O recurso ao crédito tem que estar alavancado na economia real e não nos mercados financeiros do dinheiro fácil. O endividamento é bom se empregue na economia real com perspectivas de reaver o dinheiro e com efeitos multiplicativos em toda a rede económica de um país. Se corresponder a dinheiro empatado, os riscos são grandes, sobretudo se o Estado é que deve pagar no fim, tendo que fazer repercutir os custos nos contribuintes.
A questão que coloco é quem vai pagar em Cabo Verde o Programa Casa para Todos!

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