quarta-feira, 24 de junho de 2015

[8248] - AS "FONTES" DE S.VICENTE...

Notas para a história do abastecimento de água a Mindelo
Ana Cordeiro

Os poços de S. Vicente, para venda de água ao público, eram conhecidos com o nome de fonte e pertencem hoje à toponímia do Mindelo. Na década dos anos 20 encontrei ainda em funcionamento os seguintes: Fonte Francês, Fonte da Matiota, Fonte de Meio, Fonte Cutú, Fonte Doutor, Fonte de Cónego, Fonte Filipe e Fonte Inês. Além desses, havia muitos mais que não vendiam ao público. A água era sempre tirada com uma bomba movida por moinho de vento, o que dava à cidade um aspeto bastante pitoresco.
 João Morais, «A Água em S. Vicente» in A Corrente, Boletim Trimestral de Informação e Debate da Empresa Pública de Electricidade e Água, nº 6, ano III, 1990

O abastecimento de água sempre foi um grande problema para a ilha de S. Vicente e um constrangimento ao seu desenvolvimento, mas foi também o sustento de muitas famílias e até um bom negócio para alguns. A ilha tem poucas nascentes e, as que existem ficavam afastadas da pequena povoação junto ao Porto Grande. Assim, a população teve de se socorrer da perfuração de poços que não só foram moldando o crescimento de Mindelo como a sua toponímia.
Num relatório de 1856, (tinha Mindelo 705 habitantes) o comandante da ilha de S. Vicente, Onofre Lourenço de Andrade, reporta uma visita às nascentes da ilha e defende o uso da água do Lameirão para abastecimento a povoação e aos navios. A vantagem desta nascente era estar a cerca de metade da distância das nascentes de Madeiral e Madeiralzinho, pelo que o encanamento seria muito mais económico. (Barcelos, vol.IV,p.63)
Em 1858, a povoação de Mindelo, com cerca de 1400 pessoas, é elevada a vila. Instalam-se novas repartições, como os serviços de Obras Públicas, e o estado começa a tomar medidas no que respeita ao abastecimento de água a Mindelo. A fonte da Matiota, uma das mais importantes, é reparada e dá-se então início à abertura de mais poços nas colinas circundantes da pequena povoação para abastecimento à população, mas sem grandes resultados devido à raridade das fontes. 
Em visita feita a Mindelo em 1860/61 (então com 1.141 habitantes, uma grande quebra demográfica devido ao surto de cólera) Francisco Travassos Valdez afirma que “havia falta de água na ilha de S. Vicente, e que em geral a que tem é de má qualidade”. Acrescenta que a Royal Mail Steam Packet tinha autorização para instalar “dois aparelhos de destilação da água do mar e de oito tanques de ferro para suprir de água os vapores e os operários que trabalham na ilha”. e que a Visger & Miller, situada num terreno com um poço de água muito boa, obtivera licença para instalar uma canalização que distribuísse a água do poço pelas suas instalações. (Valdez, 1864, p.109)
No início dos anos sessenta do séc. XIX as famílias mais importantes abasteciam-se de água do Lameirão e a situação no Mindelo era tão má que as Obras Públicas foram obrigadas por portaria a fazer estudos e a apresentar um projeto detalhado sobre o abastecimento de água a Mindelo.
Em 1860 foi aberto um poço junto ao novo quartel (será fonte Doutor?) e encontrou-se água abundante no sítio de Areia Branca. Contudo, só anos depois, em 1873, se abriram duas galerias subterrâneas na nascente de Areia Branca e foi feito um estudo sobre o custo da canalização dessa água.  
No final da década de sessenta as nascentes do Madeiral e Madeiralzinho foram medidas mas não foi considerada, economicamente viável, a canalização das águas para a vila. (A do Madeiral dava 7.000 litros e a do Madeiralzinho, 20.000 litros/hora, dia?, (Barcelos, IV,p.242, não refere)
Essas nascentes estavam em propriedades pertencentes ao inglês George Rendall que chegou a formar uma companhia em Londres para realizar esse projeto de canalização que estava orçado em cerca de 40 contos de réis. Em 1870 (com 1.802 habitantes) George e John Rendall apresentam às autoridades portuguesas uma proposta de contrato para fornecimento de água do Madeiral e Madeiralzinho à vila. Apesar dos esforços do Governador Albuquerque que tenta introduzir na proposta alterações mais consensuais, o Governo de Lisboa não aceita o projeto mas autoriza o Governador a canalizar as águas de Areia Branca (decreto de 14 de Novembro de 1874) e, para esse efeito, contrair um empréstimo de 10 contos de réis. (Barcelos, Vol. IV,p.242)
Em 1879, já com a categoria de cidade e 3.717 habitantes, a situação é a seguinte:
A vila era abastecida por 35 poços dentro do seu perímetro urbano:
13 poços públicos
22 poços particulares
Desses 35, só doze tinham água potável, 6 água para cozinha e 17 para lavagem e outros serviços
Os habitantes mais endinheirados abasteciam-se da água das nascentes que, embora fosse gratuita, tinha a despesa do transporte, ou compravam água destilada vendida pelas Companhias Millers & Nephew e Cory Brothers (que cerca de 1879 montou outro destilador de água do mar, pois essa água era também vendida aos navios.)
«Encontram-se na ilha poucas nascentes de água potável, porém, parte das existentes, canalisadas para a cidade bastariam ao seu abastecimento. São as principais as do Madeiral e Madeiralzinho e 12 km da mesma, e parece que o seu proprietário está tratando de aproveitá-la para esse fim. Mais existem as da Areia Branca, Alves Martinho, Lameirão e Mato Inglês, não de boa água, porém, que não são para desprezar-se. Além destas há ainda outras, a maiores distâncias e menos importantes, como as do Monte Verde, Fonte Ladeira, Calheta, Entre Picos e Santa Luzia.
Por enquanto, o consumo na cidade, de água potável, é alimentado pelos poços que na mesma e nos seus arredores se encontram, atualmente em número de 35, sendo 13 públicos e 22 particulares. De todos esses poços, 12 fornecem água que pode beber-se, 6 que serve para cozer alimentos e os 17 restantes, aproveitável para lavagens e outros serviços.
Os habitantes mais abastados, e destes nem todos, usam para beber água do Lameirão e da Areia Branca, ou destilada dos depósitos das casas da Millers & Nephew e Cory Brothers.
A água para os navios é fornecida por esses mesmos depósitos e por uma cisterna e um poço que a primeira casa possui.
Muitas outras fontes ou poços muitíssimos abundantes de água se encontram no interior da ilha servindo para o uso do gado.
Em suma, quem em S. Vicente precisa água, trata de abrir um poço que, melhor ou pior tem a certeza de a encontrar. Leva-me isto a crer na existência de uma camada de terreno impermeável, formando conduto às águas do Monte Verde, Madeiral, Madeiralzinho e outras alturas, as quais, se por vezes nos poços abertos se encontram salobras é certamente devido à natureza do terreno que tiveram de atravessar.
Não há pois falta de água em S. Vicente, bem pelo contrário; o que falta é boa água na cidade mas essa pode obter-se sem avultadíssima despesa, canalizando, como se disse, as nascentes de Madeiral e Madeiralzinho, de água não só potável, mas de belíssima qualidade.»
Joaquim Vieira Botelho, Administrador do Concelho de S. Vicente, relatório de 1880 
No final do século XIX vão aparecendo novos bairros (Ribeira Bote, Ilha do Sal, Alto de S. Nicolau, Fonte de Cutú) mas os problemas de abastecimento de água, continuavam e, de acordo com os relatórios médicos, o mau estado dos poços era uma das causas do mau estado sanitário da cidade.
  Em 1881 (com 4.267 habitantes) tinha começado a venda de água do Tarrafal de Stº Antão por um «tal Clarimundo Martins» (Relatório do Administrador do Concelho, JVB, 1880-82). Em 1882 esse senhor faz um contrato com o Governo da Província que lhe dava um período de 10 anos, para importar água de Stª Antão, sem concorrência e livre de direitos, desde que conseguisse abastecer até 12 litros /dia/habitante e a vender água aos navios por um preço afixado no acordo… O contrato foi anulado em 1884 por não ter sido aprovado em Lisboa, mas parece que ele continuou a trazer e vender de Stº Antão ainda durante alguns anos, provavelmente até 1886. 
Duas semanas depois da não-aprovação do contrato do Sr. Clarimundo Martins, em Dezembro de 1884 (com 5.314 habitantes) foi assinado o acordo com George Rendall, Manuel Madeira e Aleixo Justiniano Sócrates da Costa (médico do quadro de saúde em várias ilhas de Cabo Verde e presidente da Câmara no Sal (1873-4) e na Boavista (1878), colaborador de vários jornais e publicações da época) que previa a canalização de águas do Madeiral e Madeiralzinho, a construção de aquedutos subterrâneos, chafarizes e outras obras necessárias.  
De acordo com João Augusto Martins a concretização do projecto deve-se «à energia e à teimosa insistência de um rude madeirense por nome Manuel Gomes Madeira, um dos mais ricos proprietários da localidade, o qual, desprezando as afirmações técnicas em contrário, conseguiu em 1886 formar uma sociedade e fazer canalizar as águas das nascentes de Madeiral e Madeiralzinho, facto esse que traduzindo um importante melhoramento local, constitui uma fonte fértil a avultadas ganâncias próprias.» 
João Augusto Martins, Madeira, Cabo Verde e Guiné, pp.162-3

Para além da canalização que trazia a água de 10 Km de distância, construíram-se três casas de água: uma em Lombo de Tanque (completamente murada, com uma antena da Telecom), outra em Monte transformada em habitação e onde funciona o MDR e a terceira no centro da cidade, no largo do Madeiral que incluía escritórios, casa de guarda e um pátio murado cheio de plantas e árvores de fruto. Havia dez torneiras e, mais tarde construíram-se tanques para lavagem de roupa. Com o tempo a água perdeu qualidade e foi rareando cada vez mais. 
 1886 (com 5.188 habitantes) É inaugurada a 27 de Maio a Companhia de Águas do Madeiral, mas a quantidade de água, como aliás já se sabia era insuficiente. Em 1887 é aprovada a construção da ponte de água da Empresa
Em 1889 (com 6.561 habitantes) surge uma outra empresa para exploração das chamadas águas do Norte, pertencentes a Augusto Ferro, que são canalizadas para a cidade e, através de um acordo com a Empresa águas do Madeiral as duas empresas fundem-se.
Em 1891 (com 6.196 habitantes) essas águas chegam à cidade mas o problema não fica inteiramente resolvido. O preço da água fazia com que a água dos poços continuasse a ser utilizada indevidamente e as doenças continuavam a afligir a população. A Câmara proibia o uso de água dos poços que não eram limpos, desinfetados e reparados, chegou a distribuir água gratuitamente aos indigentes através de um sistema de senhas, mas a água não era suficiente para os cerca de 6.000 habitantes da cidade e as pessoas mais pobres continuaram a abastecer-se onde podiam.
Em 1909 (com 8.652 habitantes) passa a ser obrigatório o uso de bombas para recolha de água, em todos os poços sem exceção, essas bombas eram movidas por moinhos de vento.
De acordo com o Dr. João Morais, em 1906 (com 8.430 habitantes) entra em funcionamento a firma Ferro & Companhia, Lda. que tinha como objetivo o transporte e comercialização em S. Vicente da água de Tarrafal de Monte Trigo em Stº Antão. Na obra Linhas Gerais do Desenvolvimento Urbano aparece indicado o ano de 1919 (11.581 habitantes) como do início das atividades da empresa mas talvez esta a data de construção do depósito de água. A empresa começou com um barco de madeira mas, mais tarde, adquiriu barcos-tanque movidos a vapor (como o Tarrafal, o Sagres e o Porto Grande). Tinham depósitos em terra junto aos escritórios da companhia e a água era conhecida como água de Vascónia). Mais tarde foi construído um depósito no Monte para abastecimento de água aos navios de longo curso. Era uma água de muita qualidade mas cara para a maioria da população (na altura a água do Madeiral já precisava ser filtrada poder ser bebida). (Linhas Gerais, p.93)
Por volta de 1950, (com 19.158 habitantes) a Câmara Municipal de S. Vicente, sob presidência de Júlio Bento de Oliveira, compra um navio-tanque, o Mar-Novo, que começa a trazer para Mindelo água da Mesa no concelho de Porto Novo. O barco atracava no cais da Alfândega e uma mangueira levava a água para o depósito em terra que ficava no alto de Miramar. A eletricidade (que na altura só era fornecida durante algumas horas à noite) era ligada, entre as 9h00 e as 10h00 da manhã, para bombar a água para esse depósito. Depois a água descia para o posto de venda que ficava na zona onde hoje conhecida como Retimar. Foi ainda na década de 50 que o navio encalhou em Stº Antão
«Quanto à água tudo começaria por um depósito municipal, alimentado por água de Stº Antão, sito no Alto Miramar, de onde seria distribuída pelas casas. Faltavam, porém, tubos adequados para essa distribuição e, até que tal acontecesse, um carro de mula, transportando um reservatório de quinhentos litros, percorria as ruas da cidade fazendo-se anunciar por um toque de uma sineta. As latas de água limpa acorriam à carroça e eram, assim, enchidas com a confiança que dava que dava o dístico que vinha no depósito: «ÁGUA DE MESA LIMPA E FRESCA», sendo Mesa a nascente de Santo Antão de onde provinha a água, O transporte da ilha vizinha para S. Vicente era assegurado por um palhabote a motor, comprado para esse fim com muito entusiasmo (…) o encalhe do palhabote-tanque poria termo a esse plano concebido e executado, na quase totalidade, com as pratas da casa.»
Amiro Faria, O Bordo é Livre, pp.93-4     
Em 1958 as companhias de carvão deixam o Porto Grande (desde 1952 a Millers & Cory, a Wilson, Sons & Co. E a Companhia de S. Vicente de Cabo Verde já eram administradas por um único gerente). Apesar da crise e do desemprego, entre 1940 e 1975 a população cresce de 16.000 para 36.000 pessoas. 
Em 1960 (com 20.705 habitantes) a Câmara Municipal passa a ser presidida pelo Dr. Teixeira de Sousa que não só revoluciona a distribuição de energia elétrica como também lança as bases para o futuro do abastecimento de água a Mindelo ao ser o grande impulsionador da formação da JAIDA. 
Em 1969 é constituída a JAIDA, Junta Autónoma das Instalações de Dessalinização de Água, e dá-se início à construção de uma rede de distribuição de água e uma nova rede de esgotos e uma central de dessalinização. 
Em 1972 ou 1973 (cerca de 36.000 habitantes) de acordo com o Dr. João Morais, a água da JAIDA chega a casa dos mindelenses. Os que estavam fora da zona de distribuição podiam comprar água na Central da Lajinha.
Pelo Decreto-Lei 80/78 o governo determina que, compete exclusivamente ao estado, a pesquisa, captação e gestão das águas existentes em Cabo Verde, uma verdadeira nacionalização das águas que vai determinar o encerramento, e respetiva indemnização, das empresas que ainda funcionavam, como a Ferro & Cª.  A situação arrasta-se até início dos anos 80.
        A ELECTRA, Empresa Pública de Electricidade e Água, foi criada a 17 de Abril de 1982, pelo Decreto-lei nº 37/82,a partir da fusão de : 1)- a Electricidade e Água do Mindelo (EAM), que por sua vez havia sido constituída pela fusão da Junta Autónoma das Instalações de Dessalinização de Água (JAIDA) com a Central Eléctrica do Mindelo (CEM). Esta fusão teve lugar em Agosto de 1978, juntando os organismos que na ilha de S. Vicente eram responsáveis pela produção e distribuição de água dessalinizada e de energia eléctrica. 2)- a Central Eléctrica da Praia, (CEP), organismo autónomo encarregado da produção e distribuição de electricidade na Cidade da Praia. 3)- a Electricidade e Água do Sal (EAS), saída da transformação, realizada em Agosto de 1978, dos Serviços Municipais de Água e de Electricidade, da ilha do Sal. (site da Electra)

A distribuição domiciliária
Quando a água do Madeiral chegou à cidade, fez-se uma rede de distribuição e uma rede de esgotos, ampliadas depois pelo Estado mas, ainda assim, restritas a um número muito reduzido de habitações. A maioria da população comprava a água em medidas de 20 litros e os despejos eram feitos em latas transportadas à cabeça de mulheres e despejadas no chamado caizim.
Só com a constituição da JAIDA se construíram as redes de distribuição de água e de esgotos que, todavia, apenas abrangiam a morada. 
Até então, a distribuição domiciliária fazia-se sobretudo através do carregamento de latas de 25 litros à cabeça de mulheres, ou de recipientes maiores carregados por animais. 
O Sr. João Téca dono de vários poços fazia esse transporte em carroças e tinha também o negócio de banhos que era muito frequente na cidade e se fazia não só nas sentinas públicas como em casas ou quintais particulares (havia um balneário ao lado do poço de Fonte Cónego onde agora está uma rotunda) 
«Quem passava pelos locais de venda [de água] via sempre uma fila grande de latas que aguardavam a vez. Depois o transporte à cabeça das raparigas aos grupinhos de três e quatro, num quadro tradicional que remonta aos tempos bíblicos, das raparigas que vão à fonte com um cântaro à cabeça. Com o tempo, foram aparecendo outros processos de transporte. Um dos mais engraçados pertencia a um homem que tinha um barril montado em dois pneus, mas de tal modo engenhoso, que os pneus deslizavam pela rua, rolando, e o barril mantinha-se firme, em movimento de translação, sempre com o buraco de entrada virado para cima. Era empurrado por um arame grosso ligado aos extremos do barril. Havia uma carrocinha puxada por uma mula que levava várias vasilhas de água potável, era a mula do João Bentinho que teve o seguinte fim trágico cómico. Uma noite a mula saiu do quintal do dono e foi andando pela rua aproximando-se do Quartel-general. A noite estava escura, o soldado de sentinela divisou um vulto de contornos imprecisos que avançava em sua direção e grita: quem vem lá?! O vulto não responde e vai avançando. A sentinela torna a gritar: quem vem lá, á, á … e o vulto insiste em não responder. Então, o soldado aponta a arma, mete o dedo no gatilho e dispara. Ouve um baque e aproxima-se. Ó céus! Era a mula de João Bentinho que jazia numa poça de sangue!

João Morais, idem
O transporte de água em autotanques (não militares) teve início na década de sessenta pelo Sr. Alexandre Alhinho* que comprou um autotanque. Essa compra estava relacionada com o início das obras de Chã de Marinha, na Ribeira de Julião, para as quais, as águas do seu poço na Ribeira de Julião foram contratadas. No final das obras do cais-acostável adquire mais dois ou três camiões que tinham sido usados na obra e que ele transforma em camiões-tanque. Quando a JAIDA começa a produzir ainda mantém o negócio, embora gerido por um dos filhos, mas apenas com um camião. Entretanto vão surgindo outros camiões como os do Sr. João Teca e Anacleto Cabral (dono da padaria da Pracinha de Igreja). Até hoje, sobretudo para a construção civil, os camiões tanque continuam a ser essenciais para a cidade do Mindelo.


*O Sr. Alexandre Alhinho era sargento na marinha de guerra portuguesa a bordo do navio Bartolomeu Dias, que não só passou várias vezes por Cabo Verde como aqui teve paragens prolongadas o que permitiu que aqui fizesse várias amizades. Quando se reformou, ainda bastante novo, instalou-se em S. Vicente na primeira metade da década de 40 (talvez 1944). Primeiro formou uma companhia com um barco a vela e motor, o Rio Mondego, que fazia carreira inter-ilhas mas que acabou por arder. Foi então trabalhar para a CUF que aqui era representada pela Casa Madeira, como responsável pelas descargas. Cerca dos anos 60 começa então o negócio de distribuição de água. Quando a JAIDA começa a produzir água começa a desinteressar-se do negócio e dedica-se à pesca (com o barco Ana Maria) e à serração de madeiras.

-Colab. Arsénio de Pina  


5 comentários:

  1. Que interessante trabalho nos é aqui presenteado, com a colaboração do Arsénio de Pina. Muito pouco conhecia deste trabalho historiográfico sobre o abastecimento de água a S. Vicente. Com autorização do proprietário do blogue, vou fazer cópia e guardar.
    Há uma nota que queria deixar. Durante a minha vida em S. Vicente, sempre ouvi que a água captada na ilha era salobra. Mas agora fiquei a saber que tempo houve que ela era potável e própria para consumo.

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  2. Quando criança ia ver familiares na Fonte Cutu e perguntava porquê tantas (outras) Fontes. Agora fico a saber o porquê disso tudo.
    Com um ar assim despido, trata-se de um documento de grande valor, sem qualquer dùvida, que é referência.

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  3. Sim este artigo é bastante importante a nível sociológico. Daquele tipo de trabalho que se incentiva

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  4. Artigo importante, sem dúvida, feito por uma portuguesa de Coimbra a quem a cultura de Cabo Verde muito deve e que foi, como directora do Centro Cultural Português do Instituto Camões, Pólo do Mindelo, elemento chave das relações luso-cabo-verdianas (e não só, inclusive em quase perigo de vida, como em tempos me contou, mas que eu obviamente não contarei aqui). Nas suas novas funções e em trabalhos como este ainda poderá dar muito a São Vicente e a Cabo Verde.

    Um braça cultural,
    Djack

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  5. Havia ainda outras fontes principalmente na Ribeira de Julião e de Vinha. No campo da Fontinha hoje Stadium Adérito Sena havia duas fontes e uma no Grémio Castilho em que os jogadores se aproveitavam para tomar o seu banho depois dos jogos e dos treinos. Mas o Adriano Lima esquece duma fonte muito especial na Fontinha onde ia morrer com a idade de onze anos. So' Deus sabe como enviou uma mulherzinha com um balde e uma corda que nos ajudou a sala-lo...
    Luiz Silva

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