quinta-feira, 25 de junho de 2015

[8249] - CONCENTRAÇÃO MASSIVA...


SESSENTA POR CENTO DO FUNCIONALISMO ESTÁ EM S. TIAGO

Relatório sobre a Administração Pública analisa a actual situação daquele sector. Santiago é a ilha que mais trabalhadores tem na Administração Pública.
62,3% dos trabalhadores da Administração Pública (AP) nacional estão em Santiago refere um relatório a que o Expresso das ilhas teve acesso.

O documento, que pretende traçar um retrato fiel do sector público cabo-verdiano, mostra grandes disparidades na distribuição dos trabalhadores. Só como comparação, São Vicente, a segunda ilha com mais empregos públicos, tem apenas 11,6% da totalidade de empregos. Ou seja, em Santiago existem quase seis vezes mais lugares na administração pública. No outro extremo encontram-se Maio e Brava que juntas têm apenas 2%. 

O documento aborda igualmente a questão das remunerações mensais da AP nacional. Segundo aponta o texto, o “salário deve ser atractivo para os diversos profissionais” e deverá igualmente “ter em conta o desempenho económico-financeiro de um país e suas perspectivas de crescimento”.

Assim, refere o documento, “o salário dos funcionários tem evoluído de forma gradual ao longo dos anos” explicando que constata-se que entre o salário recebido antes do ano 2000, e o salário recebido no ano 2000, ouve um aumento significativo em algumas estruturas de quadro, nomeadamente o quadro comum, inspecção das finanças, quadro dos médicos.

Ainda segundo o documento, divulgado pela Secretaria de Estado da Administração Pública, conclui-se que “analisando a estrutura remuneratória dos funcionários da Administração Pública Central (…) a remuneração média mensal ronda os 54.315$00” e que o “salário mínimo previsto é de 15 mil escudos”.

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 Saiba mais sobre o estado da administração pública em Cabo Verde lendo a matéria publicada na edição desta semana do Expresso das Ilhas

COMENTÁRIO 

 Imaginem!  Seis em cada dez funcionários públicos trabalham em Santiago...  Tiveram  vergonha de dizer que seis em cada dez funcionários públicos trabalham na Praia.!  S. Vicente tem 11.6%...  É nisto que virou Cabo Verde, após 40 anos de Independência e é óbvio que é a Praia que tira todas as castanhas do lume e vai festejar ruidosamente, enquanto S Vicente estará a chupar no dedo !
Num país arquipélago com 10 ilhas, a consequência disto é óbvia: o dinheiro fica todo em Santiago... A isto chama-se Centralismo e é um roubo descarado às outras  ilhas e às populações de Cabo Verde!

José F. Lopes

2 comentários:

  1. SESSENTA POR CENTO DO FUNCIONALISMO ESTÁ EM S. TIAGO (Fonte Expresso das Ilhas)
    Eu não diria S. Thiago mas sim Praia. Pois a ilha de Santiago (nem Praia) não têm culpas do centralismo, ela é do regime. De resto os problemas sociais e de segurança nesta ilha são os reflexos desta política que foi montada durante 40 anos, e quem paga na pele é o povo desta ilha, embora não tenham constrangimentos económicos como nas restantes ilhas. O centralismo é essencialmente um problema ideológico, uma mistura de leninismo e outros macaquinhos colocados na cabeça das pessoas por gente fanática ou incompetente.
    Esta é a dura realidade do Centralismo. Num país onde a economia é o Estado burocrático centralizador quem ordena (parece que até para uma simples fotocópia é um 'burrocrata' sentado no sofá da Praia que ordena) onde o sector privado é Concubino do Estado, podem imaginar a asfixia económica para as ilhas que não tem esta sorte do maná do Estado cair dos céus, S. Vicente à cabeça. E isto dura há 40 anos, mas reforçado com doses cavalares desde 2000 com a ascensão do Paigc liderado por JMN. Não é preciso ser economista basta fazer contas de somar e multiplicar e calcular a massa salarial total do país, e ver como a economia deste arquipélago está distribuída. E não estamos a incluir os projectos financiados pelas agências externas, os investimentos privados. Esta é uma razão, não só é claro, porque há fome em SV, prostituição, pedintes e andrajosos pelas ruas, e multiplicam-se as favelas de casas de lata na cintura da ilha. Esta é a realidade de SV quando se vai festejar os 40 anos da independência de Cavo Verde: a 'clochardização' de uma ilha e o emburguesamento da sua eterna concorrente e rival, isto tudo promovido pelo Estado, tomado de assalto por outros interesses diferentes dos colectivos. O mundo é uma roda viva.
    Isto é que os inimigos da Regionalização escondem porque não interessa expor esta realidade, pensam que os cabo-verdianos não sabem fazer contas, mas esquecem que outros já fizeram as contas por eles, e felizmente que os há.
    Por isso é objectivo dos regionalistas desmantelar a Máquina Centralista e criar Governos Regionais que possam estimular as economias regionais. Cabo Verde economicamente e socialmente só tem saída num sistema federativo regional com presidencialismo. Neste momento vivemos numa espécie de comunismo soviético em que a Praia representa Moscovo e as outras ilhas os estados soviéticos zombies.
    Noutro país não se falaria em Regionalização mas sim em Separatismo como aconteceu na ex-URSS.

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  2. Depois das veementes e acertadas palavras do José Lopes, é difícil acrescentar algo mais. É de tal forma evidente a monstruosa evidência de 40 anos de centralismo, que hoje, nós, os defensores da regionalização, perguntamos por onde começar para desmantelar o monstro. Pelos cornos, pelo rabo? É tão grave esta situação que sobram razões para começarmos a pensar que a regionalização já não chega. Ela poderia ter sido implementada há 20 anos, mas hoje não parece que consigamos reformar o país sem mexer com todos os seus alicerces.

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