segunda-feira, 29 de junho de 2015

[8258] - POEMA DE LONGE...


Todos os dias, idoso que sou, por onde passo
tenho meus hábitos e também o meu espaço.
Cruzo a velhinha com seu cesto e sua bengala
digna, respeitadora, com o encanto que regala

Adivinha-se pelo que resta, foi duma rara beleza.
e que não perdeu da plàstica natural, de certeza,
pois obra que Nosso Senhor com canivete talhou
nem vagabundo ou médico estético escangalhou

Foi componente da dignissima classe proletária
sempre em frente na defesa da classe operária
sem qualquer tempo para namoro ou de família
pois esses eram necessidades que nunca sentia.

Nunca me deu para aprofundar a sua felicidade
porque idosos merecem respeito pela sua idade
E, se a velhinha chegou a carregar qualquer cruz,
hoje irradia serenidade, humildade e raios de luz.

(Valdemar Pereira)

4 comentários:

  1. Hum, cheira-me que anda por aqui alguma madame Amélie que faz muito bem os crepes Suzette ou esgargots recheados a atrair a atenção valdemaresca. Esperemos para ver. Às tantas, eu, o José, o Adriano, o Zito e a Ondina ainda temos de comprar fatiota nova e um bilhete para Tours para o mariage...

    Braça avec belles femmes,
    Djack

    ResponderEliminar
  2. Parabéns, Val. Há dias, perguntei a alguém: o que seria do mundo sem poesia? É o que nos resta ainda para não soçobrar de vez neste lamaçal em que o mundo se transformou.
    Concordo contigo, Djak, excepto numa coisa. O Val ainda rompe umas meias solas, e a "velhinha", sim senhor, que faça as suas iguarias, mas... mais nada.

    ResponderEliminar
  3. Moço, e quem lhe disse a minha identidade
    para me catalogar numa categoria de idade?

    *

    Por eu ser velhinha sei muita coisa certinha
    que vem de tempos em que você nada tinha
    e que ninguém determinou que podia nascer
    e se seria gente perfeita para uns anos viver.


    Andou olhando para meu cesto e a bengala
    e eu nem sei se me tratou de velha estarola
    pois (também vejo você) não lhe dou parola
    já que não adivinho o que vai nessa sua tola.


    Nos tempos que correm, condenam os velhos
    ao abandono se não tiverem força nos joelhos.
    E se isso é realmente destino de muita pessoa
    só não é para os que pensam, não falam à toa.

    ResponderEliminar