sexta-feira, 21 de agosto de 2015

[8401] - CRIOULAGEM - A OUTRA FACE DA MOEDA...

ESTE TEXTO APARECE EM CONSEQUÊNCIA DO ARTIGO DE EURÍDICE MONTEIRO,
"A  RETÓRICA DOS EXTREMOS E AS AMEAÇAS À REGIONALIZAÇÃO"
QUE APARECE NO POST Nº 8398 DO ARROZCATUM...

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Eva Caldeira Marques

Independentemente do mérito académico da escritora, do interesse histórico (ainda que manipulador) do artigo, e da beleza imbuída no direito à liberdade de expressão que se lhe acomete, foi com tristeza que  li o artigo da srª. Monteiro até ao fim. E no fim do artigo, no seu último parágrafo, a autora reduz a sua tese exactamente à base dicotómica reducionista São Vicente/Santiago que supostamente pretende repugnar na sua retórica pseudo intelectual e académica.

Digo com tristeza pois, como os amigos já identificaram e denunciaram, trata-se de um conto histórico enviesado sob vestes de pesquisa académica e histórica. Desta forma, os pais/pioneiros/fundadores da independência de Cabo Verde se afunilam no PAIGC,  e os claridosos se reduzem a aliados do colonialismo.  Assim se tem lavado a história de Cabo Verde.

Por outro lado, outro aspecto ainda mais triste deste artigo diz respeito ao facto deste artigo revelar os alicerces ou os condicionamentos do pensamento anti regionalista. Como bem disse o Adriano Lima, os regionalistas não são racistas (o termo racialista para mim é mais um disfarce sofisticado, vamos chamar os bois pelos nomes), não pretendem impor um modelo racial de supremacia, antes  defendem um modelo de distribuição do poder político e de organização administrativa mais próximo e eficaz que permita maior desenvolvimento de um maior espaço geográfico em Cabo Verde.

No entanto, o discurso racial/histórico imbuído na tese da autora, constitui a base de sustentação dos movimentos anti regionalistas, enquanto:

1. Verdadeira aversão ou temor que têm a um modelo de suposta superioridade racial professado pelos regionalistas que "esmague" os "os puros" frente aos "mestiços";

2. Enquanto demagógico discurso congregador de apoios ao anti regionalismo, instrumentalizado e manipulado pela elite que afunila nos seus bolsos os recursos financeiros e de poder decorrentes do esmagador centralismo de que padece o país.

Por um ou outro motivo, sei que a base racial propalada pela autora e este profundo temor racial/financeiro/de poder existe no seio e no subconsciente de muito boa nata política em Cabo Verde.

Na minha microscópica experiência política, vi intelectuais e figuras culturais de renome resvalarem por esse medo irracional. Ou fingirem que resvalam a favor do comodismo do status quo...O que é certo é que esta frente contra o suposto racismo regionalista congrega e conglomera massas.

No entanto, tenho notado que muita dessa boa gente que se afirmava anti regionalista agora defende a regionalização. Isto significa que (ainda que fictício ou não, manipulado ou não) o medo ou a retórica do medo racial neste contexto pode ser desconstruído ou dissipado. 

No entanto, todo o cuidado é pouco no sentido de identificar e descontsruir a retórica de colagem do movimento regionalista a conotações pseudo intelectuais racistas.

E sim, Cabo Verde é uma experiência racial paradoxal onde a miscegenação, a diversificação e a homogeneização convivem de forma muito interessante, rica e prolífera.

1 comentário:

  1. Estou verdadeiramente surpreendido com a presença da dra. Eva Caldeira Marques neste lugar. Não por ela ser incapaz de responder a um artigo literáriamente bem arranjadinho mas também com malícias às quais não me vou pronunciar agora. Normalmente tanto a sua profissão (advogada) como a sua função (deputada) convidam-lhe a subir ao púlpito, perdão ao palco da qualquer areópago para, eloquentemente, defender os mais fracos e condenar as injustiças, nomeadamente as repetitivas, que são aplicadas aos seus eleitores.
    Portanto, minha admiração é da oportunidade escolhida pela causidica, também é Deputada, que se tem brilhada como os seus colegas pelas ausências em muitas oportunidades dentro e fora da Assembleia), o que não corresponde à realidade na medida em alguns deles (deputados) não concordam com a situação em que se vive numa terra onde faltam eruditos, ou mesmo corajosos; com a pujança suficiente para fazer o trabalho que lhes compete que é servir de arauto do Povo que os nomeou ou que foi obrigado a votar nos que lhes foram apresentados.
    Espero que, com a presença da Deputada, as "Forças Vivas" do Norte não fiquem como uns vivos à força.

    Eduardo Oliveira

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