sexta-feira, 27 de novembro de 2015

[8689] - A SEGUNDA MORTE DO LIBERAL?!...

NADA TENHO A VER COM O LIBERAL!

Em maio deste ano fui contactado por um grupo de pessoas que me desafiaram a coordenar um “novo projeto editorial”. Estabelecidas algumas regras editoriais - seriedade, objetividade, qualidade de conteúdos e credibilidade -, avançou-se para o desenho do projeto, nomeadamente, um jornal online.
Dada a escassez de recursos, o que inviabilizava uma campanha promocional do novo título, sugeri a recuperação do Liberal, um nome já conhecido da opinião pública. Em má hora o fiz.
Apolinário das Neves (proprietário e diretor do Liberal), desde logo, recusou-se a ceder o título, mas sugeriu a sua integração no projeto, numa lógica de coordenação partilhada. A solução pareceu-me natural, para mais dispensaria a contratação de um novo diretor, o que aliviaria a tesouraria.
Nos primeiros dias tudo funcionou bem, as decisões editoriais foram partilhadas, embora aos poucos se começassem a verificar algumas distorções ao projeto inicial. Daí para diante – e refugiando-se na propriedade do título -, Apolinário das Neves tomou decisões a seu bel-prazer, sempre se recusou a reunir para estabelecer estratégias de edição e assumiu-se como o todo-poderoso diretor que não ouve ninguém, nem mesmo quem no jornalismo tem provas dadas e qualificações (e reconhecimento público, perdoe-se-me a imodéstia) imensamente superiores às suas.
Aos poucos, fui sendo colocado na prateleira, até que, semanas atrás, autossuspendi a minha colaboração e solicitei às pessoas que me convidaram para dirigir um “novo projeto editorial” a tomarem uma posição sobre a questão de saber se pretendiam que eu continuasse a colaborar no jornal. Lamentavelmente, não obtive resposta.
Mais, ainda, o diretor do Liberal bloqueou o meu acesso ao “administrador” do jornal, presumo com o assentimento das pessoas que me convidaram a coordenar um “novo projeto editorial”. Pelo que, a partir de hoje, bloqueei também o seu acesso à edição de notícias no mural do Facebook (uma página por mim criada).
Independentemente da traição a um amigo (neste caso, eu), Apolinário das Neves tem vindo a dirigir a publicação de uma forma que apenas tangencialmente terá a ver com jornalismo. O “corta e cola” é a característica central deste novo Liberal, que se permite até recorrer à baixaria para fazer manchetes. Recordo, a título de exemplo, a publicação de um vídeo com um indivíduo chamando (com todas as letras) “filho da puta” ao Primeiro-ministro de Cabo Verde, ou, ainda, a validação de comentários lesivos da honra, do bom nome e da dignidade das pessoas. Isto, como é bom de se ver, nada tem a ver com jornalismo, é apenas blogada de sarjeta!
Neste contexto, quero deixar claro que nada tenho a ver com o novo Liberal, não me revejo na sua linha editorial, nem me presto a fazer “jornalismo” de sarjeta!
Por último – e para que os mais apressados não tirem ilações extemporâneas -, devo referir que, ao contrário do que se diz por aí nas redes sociais, o MpD e o seu líder nada têm a ver com este projeto, não o sustentam financeiramente e (segundo deduzo, pelo que conheço de Ulisses Correia e Silva) não se revêm na sua linha editorial.
ANTÓNIO ALTE PINHO

9 comentários:

  1. Respondi assim ao Alte Pinho: Amigo, é com muita pena que tomo conhecimento da sua decisão. Não pretendo opinar sobre as razões que lhe assistem porque não conheço a versão da parte contrária, mas desde já lhe afianço que concordo com o que diz acerca de um jornalismo sério e respeitável, que não se confunda com a mixórdia de certa “blogagem”. Foi notório que o Liberal estava a pautar-se por uma linha editorial que primava por correcção e equilíbrio, embora com pendor para uma certa corrente política, o que é normal e aceitável em todo o lado. Mas sem dúvida que o jornal vinha produzindo informação de qualidade e um tratamento profissional às matérias.
    Sendo realmente um jornalista com provas dadas, todos vamos perder com a sua saída. Oxalá retome a sua actividade com outro empreendimento.

    Um abraço e até sempre.

    Adriano

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  2. escrevi isso Alte Pinho Reconheço que o Liberal ficou aquém das expectativas atingindo o nível do caniveau/sargeta com o vídeo insultando PM etc. Era o teu nome e a tua credibilidade em jogo. Muita pena pois com a ua experiencia e profissionalismo à europeia é mais uma oportunidade perdida para novas abordagens num panorama muito pobre. Ah se tivéssemos 6 Alte Pinho.. teríamos informação

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  3. Ve-se nas suas recentes publicaçoes, numa informaçao a nivel municipal que escreve o estritamente necessário, percorrendo o centro da via principal sem tocar os traunsentes das discussoes locais, que por vezes são contagiantes! Certamente que depois dele a tinta não ficará da mesma cor!

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  4. Com a saída de Alte Pinho ArrozCatum interroga se se trata da segunda Morte do Liberal um jornal que tem um papel essencial na crítica ao regime, mas que está em deriva, necessitanto neste momento de recentrar a sua acção e âmbito, pois alguns sectores da oposição democrática não se revêm no 'vale tudo' no 'bota-abaixismo', mas sim em críticas consistentes e de conteúdo das políticas do actual regime à deriva e desnorteado. Acho que tudo não está perdido na equipa do Liberal, e que os protagonistas desta zanga, pessoas cordatas, se reconciliem e que volte tudo ao normal no jornal no respeito das diferenças e papel de cada um.
    Escrevi isso ao amigo Alte Pinho este luso (cabo-verdiano, pois sofre mais do que muitos as causas adiadas de CV).
    Reconheço que o Liberal ficou aquém das expectativas, atingindo agora níveis de jornal de 'caniveau'/sargeta, com o vídeo insultando PM etc. Era o teu nome e a tua credibilidade em jogo. Muita pena pois com a tua experiencia e profissionalismo, à europeia, é mais uma oportunidade perdida para novas abordagens, neste panorama dos medias em CV ainda muito pobre . Ah se tivéssemos 6 Alte Pinho em CV, teríamos informação !!!
    Agora, se a oposição começa a disparar para todos os lados, e a dar tiros no pé desta maneira, Kaput alternância em CV. Como sabes os Regionalistas (não morrendo de amores pelo MPD) estão a apostar na queda do Paicv para começarmos a negociar com o MPD a queda do artigo 5º da Constituição, o Centralismo, o Dogma do actual estado cabo-verdiano, e o início da 3ª República, cujos contornos temos definidos em diferentes artigos de opinião .

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  5. Não dramatizem, em todo lado os políticos são satirizados. E o facto de o Liberal ter publicado um video k tem sido sucesso nas redes sociais não pode se confundido com baixo jornalismo. Isto acontece aqui, em Portugal, em França, nos EUA. Portanto, não é nenhuma caboverdura. A unica coisa k eu peço ao Liberal é que continue a actuar com a mesma linha editorial k nos tem habituado para o bem de Cabo Verde.

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  6. O Pinho tem revelado uma pessoa conflituosa e que nao respeita os outros. Ja tinha insurgido contra o Abrao Vicente e agora é o Apolinario. A pergunta que se coloca é se vale a pena trabalhar com um pessoa assim: que quando sai, desvenda o segredo da casa, não importando com a consequência dos seus actos. Fica o alerta.

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    1. SEMPRE FUI CONDESCENDENTE COM OS "ANÓNIMOS" ENQUANTO ESTES SE MANTÊM NUM NIVEL DITO CIVILIZADO DO DIÁLOGO O QUE, NÃO É, DECERTO, O CASO DESTE ULTIMO COMENTÁRIO EM QUE SE TECEM JUIZOS DE VALOR QUE NÃO ME PARECEM PROPOSITADOS A QUEM NÃO DÁ A CARA PARA MERECER A RÉPLICA...POR FAVOR, NÃO ME OBRIGUEM A ALTERAR A POLITICA EDITORIAL MAIS DO QUE LIBERAL DO ARROZCATUM...
      Zito Azevedo

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  7. Concordo plenamente com as informações deixadas aqui pelo Sr. Pinho! Na verdade este não é forma de fazer jornalismo. Eu pessoalmente gosto muito do liberal mas deve haver respeito pelas pessoas. Todavia, defendo que toda verdade deve ser publicada mas sem fugir a ética do jornalismo. Espero que o Liberal não morra porque há muito que necessitãvamos de um jornal que esclareça públicamente, sobre tudo aquilo que se passa no país.

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