domingo, 27 de dezembro de 2015

[8789] - ESCOMBROS DO PASSADO ...



Abandono do património  histórico, administrativo e cultural edificado de São Vicente, sobretudo, mas também de Santo Antão, São Nicolau, Boa Vista, do Maio, da Brava, pelo menos. Como sempre o abandono e, pior, a destruição patrimonial e de locais de memória histórica e efectiva colectiva, começa por São Vicente.
São tantos os exemplos! No caso do Palacete do Dr. Adriano Duarte Silva, esse tão insigne e destemido cabo-verdeano, ilustre e efectivo e determinado homem público, que enfrentava e confrontava o próprio Salazar, por causa e pela causa da então Província de Cabo Verde - atenção: Região Autónoma Ultramarina de Cabo Verde! - dizia eu, no caso do palacete do Dr. Adriano Duarte Silva (e de toda uma Inclita Geração), as vozes políticas, que, então, nessa altura, se elevaram foram de 2 deputados por São Vicente, dois eleitos nas listas do MpD e de 1 deputado eleito nas listas da UCID. Um desses então deputados, por causa disso, mas também de outros motivos mais "gravosos", já não é deputado da Nação, nem por São Vicente, nem por qualquer outro círculo eleitoral, porque foi eliminado do activo politico parlamentar ou de qualquer outro órgão do seu partido.
Quanto a autarcas municipais de São Vicente, apesar do Movimento e da petição, promovida por pessoas, como o incansável Marino Delgado e mais algumas, sensíveis e determinadas, e de esse Movimento e essa petição terem tido eco e apoio na Diáspora, apesar disso, os autarcas de São Vicente e outros titulares de órgãos político-partidários locais, de todos as forças políticas, na sua generalidade,  foram cúmplices, pelo seu silêncio, sua inacção, quando não foram co-autores do crime, histórico-cultural e espiritual da destruição desse Palacete - o mais lindo e mais significativo palacete privado de Cabo Verde - sob a batuta superior do então Ministro da Saúde, secundada pela batuta, ideologicamente serviçal e colaboracionista da então - pasmem-se! - Presidente da Câmara Municipal.
Dos autarcas e deputados da nação das outras Ilhas do Noroeste, beneficiárias próximas e em 1ª linha, da acção público-política, cívico-social e intelectual-cultural, do Dr. Adriano, maxime, Santo Antão, seu berço, de doutros ilustres e eméritos filhos da Região do Noroeste e de Cabo Verde e da Nação Cabo-verdeana (ainda sem Estado próprio, independente - nem pio nem pavio, em linguagem metafórica portuguesa, nem "nuticia nem geraçom", na metáfora crioula barlaventina, apenas o mais absoluto e cúmplice silêncio, moral e politicamente infame e criminoso da grande generalidade das elites culturais, intelectuais, económicas e administrativas, de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau. 
E nem falo das juventudes, infelizmente - estrategicamente - contaminadas e infectadas pelo vírus partidário da dita - e maldita para Cabo Verde - africanização dos espíritos e promotor da negação da Crioulidade Cabo-verdeana, ao mesmo tempo, instiladora do veneno político-ideológico do afastamento, partidariamente, instrumental e convenientista, de Cabo Verde, em relação ao Ocidente, enquanto espaço padrónico e privilegiado, de afirmação e vivenciação, das Liberdades Públicas e do Estado de Direito Democrático, em todas as suas vertentes, adjectivas e substantivas, do melhor que a História Humana já produziu, apesar das suas limitações e contradições, quando não, perversões, mas que não lhe retiram a essência fundamental. Isso, apesar da hipocrisia e do cinismo perversos das lideranças dessa ideologia, quase sectária, que vivem de mãos estendidas a pedinchar, sempre, ao Ocidente, recursos que utilizam, perversamente, mais na conservação do poder político e económico do que no real desenvolvimento de Cabo Verde, melhor, no desenvolvimento, harmónico e verdadeiramente unitário, de todas de Todas as Ilhas, as partes, regiões, de todo o território e de todas as comunidades cabo-verdeanas.
Cabo Verde, deveras e mais do que nunca, precisa de outros homens e mulheres, de outros políticos, ao nível nacional, municipal e ... regional! ....de outra organização e distribuição do sistema do Poder, dos poderes, em Cabo Verde, mas também de outros intelectuais, outra administração pública, incluindo o sector da Educação, da Saúde, da Justiça, da Comunicação Social; de outros homens  e mulheres de negócios, de outros homens e mulheres da cultura, de outros quadros, de outros trabalhadores, em geral.
Só que isso não cai do Céu, nem surge por efeito mágico das nossas palavras, ditas e escritas, nem sequer da simples discussão e publicação de leis, decretos-leis e outros diplomas de níveis hierárquicos inferiores, que mais do que nunca, se sucedem, em catadupa ou avalanche, com repetições ou alterações de mera cosmética político-legislativa, ou, muito pior, de destruição de direitos-liberdades e garantias fundamentais, individuais e institucionais, numa repetição interminável, ruidosa, cacofónica e inestética, e mais, anti-económica, com o objectivo propagandístico, vulgar, e de confundir o Povo e satisfazer e certos interesses gananciosos e serviçais, financeiro-profissionais, de "boys and girls", dos da situação e não só, mas sobretudo,  esmagadoramente - e obviamente - dos da situação. 
Continuação de Boas Festas, apesar de todos os pesares, que o ano de 2016 seja mesmo novo, mas positivamente novo, em todos os planos das nossas vidas individuais e familiares e, necessariamente, da nossa vida colectiva, enquanto, Povo, Nação e País (e não apenas terra).
Abraço Cabo-verdiano Noroestino e Sanvicentino...
António Pascoal Silva dos Santos
A partir da Cidade da Praia, Ilha de Santiago, República (ainda) das Ilhas e Cabo Verde
27 de Dezembro, de 2015

3 comentários:

  1. Parece que, em S. Vicente, nos resta apenas contemplar escombros do passado. É triste assistir-se à destruição do património edificado na ilha, o que só acontece pela acção conjugada do desinteresse do governo central em relação à ilha e da apatia cívica da população local.

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  2. UM TEXTO GENÉRICO DE REFLEXÃO SOBRE CABO VERDE DE António Pascoal Silva dos Santos POLÍTICO, EX-DEPUTADO POR S.VICENTE
    MILITANTE DO MPD, UM REGIONALISTA CONVICTO, QUE SE DEFINE COMO NORDESTINO DE CABO VERDE EM EXCLUSIVO NO ARROZACATUM. PENSAR CABO VERDE E PERSPECTIVÁ-LO NO FUTURO 'ÇA FAIT FROID AU DOS' USANDO UMA EXPRESSÃO FRANCESA

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  3. Nenhuma àrvore vive sem raiz. Um pais que não respeita o seu Passado não tem Futuro. Tudo leva a crer que muitos querem fazer desaparecer o Passado para edificar um presente (truncado) que, claro, não tem Futuro.
    Como diz o José isto dà calafrios.

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