quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

[8805] - VOOS PARA PORTO-NOVO?!...

Rosário Luz
1 h · 

“O primeiro-ministro, José Maria Neves, assegurou, em Outubro, durante uma visita a Santo Antão, que Porto Novo receberá o próximo aeroporto desta ilha, estando o Governo a “lançar as bases” para que essa infraestrutura seja uma realidade, “nos próximos anos”. Também os candidatos dos dois maiores partidos cabo-verdianos (Ulisses Correia e Silva, líder do MpD, e Janira Hoppfer Almada, PAICV) prometeram a concretização do aeroporto, em caso de vitória. Para Rosa Rocha, a construção do aeroporto e a instalação do Ensino Superior em S. Antão afiguram-se entre “os projetos mais importantes” de que a ilha necessita para potenciar o seu desenvolvimento social e económico.” LOL!
http://www.expressodasilhas.sapo.cv/…/47142-santo-antao-mun…
É óbvio que nenhum deles explica exatamente COMO; isto porque o imperativo de construir um aeroporto em S. Antão não é económico e não tem nada a ver com a vontade de desencravar a ilha, potenciar o turismo ou criar emprego. A febre do aeroporto de S. Antão resulta de duas disfunções interligadas da democracia.cv: a primeira é a falta de visão económica que aflige a totalidade da classe política.cv e que, na falta de projetos refletidos, obriga os candidatos a cair na demagogia para seduzir os eleitores; a segunda é a relação económica viciada que a maioria dos cidadãos mantém com o Estado.
Para o PAICV, a promoção desta infraestrutura está dentro da normalidade ideológica. O partido das estradas e das barragens nunca se preocupou com a estruturação de uma economia capaz de dar trabalho e oportunidades de negócio aos seus eleitores; o seu foco foi sempre nas transferências diretas de valor do Estado para a população – como seria o caso deste aeroporto – independentemente do seu custo, rentabilidade ou sustentabilidade. 
O MpD – que tanto critica a esterilidade do programa de infraestruturação e os níveis de endividamento do Estado – teria aqui uma excelente oportunidade para avançar uma visão integrada da economia nacional. Mas, pelos vistos, essa visão não existe e Ulisses Correia e Silva contenta-se em partilhar cegamente da opinião do PAICV neste ponto... o que nos leva à nossa segunda disfunção: a relação económica que o eleitorado.cv tem com o Estado.
O grosso dos eleitores Cabo-verdianos não desejam um Estado que CRIE emprego; deseja um Estado QUE LHES DÊ emprego, a eles. Não desejam um ambiente de negócios competitivo, onde as empresas mais eficientes fazem os melhores negócios; os empresários desejam obter os melhores negócios através das suas relações pessoais com o Estado. Os eleitores não desejam um sistema de segurança social justo; desejam que pensões e os subsídios caiam no SEU regaço. Neste quadro, não interessa se um aeroporto é necessário, rentável ou sustentável; o que interessa é que o dinheirinho do Estado caia aqui, e não acolá. E os nossos políticos fazem-lhes a vontade.

6 comentários:

  1. Quem pode duvidar da sinceridade de uma tal intervenção ? A Senhora tem raiz na Ribeira de Janela mas, que eu saiba, nunca ali residiu. Não sei onde vive mas vem dando tudo para a sua terra Cabo Verde contra ventos, marés e quem a queira recuperar. Partidària? Pelo menos aqui demonstra honestidade como exemplo a seguir e é precisamente o desejamos: conselhos judiciosos para o bom uso do boletim de voto.

    Eduardo Oliveira (Tio Dudu)

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  2. A ilha de Santo Antão tem um aeroporto que funcionou durante muito tempo mas que depois deixou de funcionar, mas ainda lá está.
    Estou convencido que um empresário privado seria capaz de por aquilo a funcionar, se lhe for criado condições, e ficaria muito mais barato do que construir um novo

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  3. Para memória histórica futura, seria de todo útil que se elaborasse uma lista completa das "grandes obras" de total responsabilidade financeira do (s) governo nacional (s)de C.V . e os que foram simplesmente doados sob critérios dos responsáveis de CV
    Começaria pelo Palácio da Assembleia Nacional - (oferta chinesa.)

    Trabalho simples...


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  4. O Post da sobre o Aeroporto de S. Antão Rosário Luz de hoje de manhã é bastante relevante pois põe uma questão de fundo sobre as políticas económicas deste país coloca os partidos do arco do poder no mesmo barco. O post não deu debate pois isto é daqueles assuntos quentes e por menos disso fogem todos. Eu sei que posso criar inimizades e incompreensões, mas não posso negociar a minha opinião e amigos amigos (família família) contrato à parte. Eu tenho questionado duramente as políticas deste governo, as discriminações gritantes, as obras megalómanas, a falta de sentido de Estado, a sua visão curta ou ausência dela. Não posso caucionar a construção do Aeroporto de S. Antão pelas razões que já exprimi e que aqui expresso. Por isso replico cá o posto que coloquei no meu mural.
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    Bravo Rosário Luz. Este cartoon lembra-me o filme Voando Sobre um Ninho de Cucos, em que Jack Nicholson era o actor principal. Sempre pensei que Aeroporto de Santo Antão é um projecto demagógico com um cunho maquiavélico. Pois este projecto entrechoca com muitas questões e há uma lado perverso no meu ver. Dividir SV e SA e lixar o aeroporto de S Pedro vulgo Cesária Évora parece-me algo a não desprezar. A quem rende o 'crime' é que não sei!!!A perfidia do PAIGC/Cv é infinita. Penso que SA terá um dia (10 anos, 20) o seu aeroporto. De resto a ilha poderá ser totalmente autosuficiente (até viver em autarcia ou mesmo e não depender em nada de S. Vicente, nem do resto do arquipélago e até se quiserem ser um estado (ou se cada ilha assim o quiser) se o seu povo assim o desejar, pourquoi pas?). Agora vários proveitos não cabem no mesmo saco. Se pensarmos em termos de sinergias em complementaridades num país pobre e tendo em conta o estado da dívida e o facto que não é CV quem paga isto tudo deve-se contenção e evitar megalomanias. Eu acho que é altura de ampliar o aeroporto Cesária Évora iluminá-lo, infraestruturá-lo, de modo a que seja um verdadeiro aeroporto internacional, em vez do barracão que é, e que sirva o Norte de CV. Este governo do PAICV só pensa em betão e alcatrão. E o MPD entrou na corrida demagógica do aeroporto.E assim vai enganando as populações. Penso que não é do interesse das duas ilhas a divisão, mas sim a complementaridade. SA, SV e SN têm que pensar em termos dos seus interesses complementares a curto e longo prazo que não são os da Praia e Santiago. Num país miserável como CV, no limite da viabilidade, com evidências cada vez maiores de de insustentabilidade, sou da opinião que as 3 ilhas irmãs não podem dar-se ao luxo de se competirem desalmadamente pelos poucos recursos disponíveis que há, e os poderes não devem dar o mau exemplo. Por isso deve-se avaliar bem os projectos importantes para alavancar as suas economias. E isto é complicado e muito mais difícil do que um aeroporto. Não quer dizer que não deva haver competição entre elas, de resto sem ela não há estímulo nem promoção numa sociedade. Que ninguém pense que sou um defensor acérrimo dos interesses de SV e contra os de SA. No que me concerne nasci em SV mas poderia ter sido em SA, pois toda a minha família vem de lá. Portanto não há hipótese de me acusarem de bairrismo. Só que não apoio a Agenda de Transformação e o seu frenesim despesista e demagógico que felizmente vai acabar em 2016 em favor da Agenda do Desenvolvimento.
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  5. Sobre este assunto, muito já opinei, pelo que acrescentar mais não introduz nada de novo. A questão
    tem que ver com a racionalidade nas despesas públicas. Esta é daquelas que bradam aos céus.

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