segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

[8956] - A TEIA...

Os três exemplos aqui referidos (uma teia de obscuros interesses), a que poderíamos juntar um role imenso de outros casos, são sintomáticos da situação do país e da governação. E, como dizíamos mais atrás, podem ser a ponta de uma situação bem mais grave para a qual os caboverdianos devem estar preparados


Isto pode ser apenas a ponta do véu de uma real situação do país ainda mais grave do que aquela que se nos apresentava semanas atrás. Nas últimas 24 horas, três notícias (absolutamente irrefutáveis) publicadas em primeira mão no Cabo Verde Direto dão sinais preocupantes sobre o estado da Nação.

A começar, o arresto de um avião da TACV em Roterdão (ver aqui), expondo ao país e ao mundo esta vergonha para Cabo Verde, sem que (até à hora que publicamos este Editorial, alguém da empresa ou do governo tenha vindo a público dar uma satisfação às caboverdianas e caboverdianos). Um arresto – diga-se – que tem como origem a gestão ruinosa da empresa aérea de bandeira nacional, permeável ao assalto de comissários políticos e de incompetentes.

Em segundo lugar, a aquisição da totalidade da dívida da TACV pela Caixa Económica de Cabo Verde (ver aqui), uma operação financeira de risco decidida unilateralmente pelo presidente do banco, sem ouvir os seus pares da administração e em violação dos estatutos da Caixa. Uma operação, aliás, só possível pela promiscuidade clientelar que medra nas instituições públicas onde o Estado se confunde com o partido e vice-versa.

Um escândalo que envolve a atual líder da oposição, Janira Hopffer Almada, que, a pedido do seu camarada João Pereira Silva (Pereirona), fala com o seu amigo pessoal Emanuel Miranda, faz panelinha com a ministra das Finanças e arranja-se tudo, num conciliábulo de camaradas, amigos e compadres. Resta saber com que custos para a sustentabilidade da Caixa Económica.

Por último, a ameaça do Grupo Rio em não avançar com um novo investimento na Boa Vista (ver aqui), obstando à criação de cerca de 450 novos empregos diretos. Na origem estão “falta de garantias jurídicas” e incumprimento de contratos por parte do governo, para além de um grave atentado ao ambiente que é a requalificação do parque natural de Ponta Sinó, na ilha do Sal.

Três exemplos ilustrativos daquilo que é o ADN da governança em Cabo Verde!

É evidente que poderão surgir alguns (como, aliás, é costume) a imputar responsabilidade aos anos 90, e outros, mais “criativos”, a avançar com teorias da conspiração. Mas a verdade é esta: os factos aqui referidos não são invenção de jornalistas ou das oposições. E nem mesmo o parvo argumento do “somos todos caboverdianos”, serve para desresponsabilizar as pessoas concretas envolvidas nestes casos de má gestão, promiscuidade e falta de integridade e transparência.

(Cabo Verde Direto - Redação)

1 comentário:

  1. Eu penso que Cabo Verde tem sérios problemas com o seu futuro. Mas interrogo se o MpD tem capacidade de resposta para evitar que o país se confronte com o rosto feio da realidade. Faço votos que sim.

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