sexta-feira, 1 de abril de 2016

[9075] - O CANALIN DE JOÃO BENTO...

Há uns dias publicámos aqui esta foto, dos manos Azevedo, em 1943, no Canalin de João Bento, nas traseiras da nossa casa com frente para a Rua Senador Vera-Cruz...Esta postagem ultrapassou as 70 visualizações e uma dezena de comentários, alguns dos quais diziam respeito à dúvida sobre a localização do tal Canalin...
Sobre este particular, fizemos um pequeno debuxo que, creio, explica tal localização, como paralela adjacente à Rua Senador Vera-Cruz:


Entretanto, a curiosidade levou a pedir ao amigo John Leão que retratasse o sítio onde, há 73 anos, meu irmão e eu posáramos e cuja foto dera, afinal, origem à profícua troca de comentários. Acabámos de receber várias fotos do actual Canalin de João Bento das quais escolhemos a que se segue e mostra a ruela numa perspectiva muito semelhante à da foto inicial, com o mesmo portão do pátio interior da nossa casa, à esquerda. Segue-se um texto, da autoria do amigo John Leão, que repescámos dos comentários à foto dos manos... Pena foi que a "tasca" da Tina do Mateus Tchaina não tenha resistido à erosão dos anos!


O canal que, em tempos, também foi conhecido por Canal de Mateus Tchaina, ainda hoje conserva alguns dos traços patentes na foto, de 1943, dos irmãos Azevedo. Nos anos 70 ficava ali a casa de pasto de Tina de Mateus Tchaina, que eu gostava de frequentar e onde a Tina confeccionava altos petiscos. A propósito do canalinho e da tasca da Tina, transcrevo o que diz o etnólogo Jean-Yves Loude em "Cabo Verde - Notas Atlânticas": "Vinho verde e crustáceos no restaurante do Chinês. Sozinhos, nunca teríamos encontrado a morada. Entramos num beco sem saída; nele brilha uma luz solitária. O arroz de búzios é uma especialidade da casa. A cozinheira substitui as garrafas vazias, leva os cumprimentos. A história do estabelecimento começa com um marinheiro chinês que ficou no hospital, deixado pelo seu barco. Curou-se e enamorou-se de uma rapariga no início do século. A foto do seu filho decora a parede, retrato a preto e branco de um mestiço de beleza criada por três continentes. Foi este último que abriu o estanco para a sua mulher; recrutava no porto todos os asiáticos para activar os fornos."




     

2 comentários:

  1. Isto é que é um post!!! O dono da casa coloca a imagem e diz umas coisas... depois, os comentadores comentam... e logo a seguir os recomentadores recomentam... Chegados a este ponto, descobrimos uma data de coisas e todos ficámos a ganhar. Até os que não conheciam o "canalim" (não confundir com "canilinha"...).

    Braça para o Zito e para o John e ele que apareça mais por aqui e no Pd'B
    Djack

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  2. Da minha parte, agradeço a colaboração do John Leão para nos elucidar melhor sobre este "canalim".
    Fico agora com uma ideia mais precisa, mas mesmo assim sem a noção de o ter revisitado nas minhas idas a S. Vicente. Penso que o "canalim" correspondia noutros tempos, e parcialmente, à traseira (quintal) de algumas casas, como aquela em que viveu a família do Zito.
    Resta dizer que havia muitos "canalins" na cidade, pelo menos alguns, como resultado de um traçado da malha urbana que não obedeceu, à data da fundação da urbe, a um plano director propriamente dito. Pode ter havido uma ideia inicial (consubstanciada num traçado genérico), mas sem se complementar posteriormente com planos parcelares. Assim, esses “canalins” eram o resultado de problemas de descontinuidade no desenho de uma malha urbana que, como sugeri atrás, terá consistido num misto de plano e improviso.
    Conheci “canalins” como o de nhô Anton Djudjim, o canal Gelode, e outros mais. Infelizmente, existe na actualidade outros mais “canalins” que resultaram da anarquia do crescimento da cidade na periferia da cidade. Neles não pode entrar um carro de bombeiros ou uma ambulância.
    O Djack diz bem. Este post deu pano para muita manga. Terá sido pelas recordações da infância?

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