sexta-feira, 20 de maio de 2016

[9228] - BRASIL - ÀFRICA PERDE PRIORIDADES...

Minitro JOSÉ SERRA
A notícia da FSP destaca que o Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, pretende cortar gastos e pode decidir fechar embaixadas e consulados em África e Caraíbas, citando especificamente os postos abertos durante os consulados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e da Presidente afastada Dilma Rousseff (2010-2016). 
Foi durante o referido período, ou seja, nos últimos 13 anos, que Brasília, na expectativa de se tornar uma potência mundial, que os governos de Lula e Dilma expandiram fortemente presença do Brasil no continente africano e nas Caraíbas.
Ao todo foram abertas 17 novas missões. Com a ajuda desses países, o Brasil conseguiu também conquistar importantes cargos no sistema das Nações Unidas.
Em contrapartida, o Brasil alargou bastante a sua cooperação com a África, sobretudo, nos domínios da formação de quadros, agricultura, ciência, indústria etc. Até Cabo Verde beneficiou, em larga medida, dessa ofensiva, inclusive nos domínios da defesa e segurança marítima. Aliás, desde 1975, que quadros cabo-verdianos são formados no Brasil, entre eles o antigo primeiro-ministro José Maria Neves.
Empresas brasileiras, algumas das quais envolvidas nalguns escândalos de corrupção, entre eles o Lava Jato, tornaram-se, entretanto, presenças fortes em alguns países como Angola, Moçambique, Gana, por exemplo. Por diversas vezes o então presidente Lula da Silva chegou a exprimir que essa era forma de o seu país saldar a sua imensa dívida com a África, um continente que forneceu parte substancial da população brasileira durante o comérciode escravos.
Contudo, a abertura do Brasil a África nem sempre foi bem acolhida por sectores conservadores da sociedade brasileira durante os governos de Lula e Dilma. Uma das críticas mais recorrentes é que no seu relacionamento com o continente negro, Brasília acabou, amiúde, por fazer vista grossa a regimes pouco ou nada recomendáveis, caso da Guiné Equatorial, por exemplo. Aliás, Brasília, a par de Angola e Timor-Leste, exerceu um papel de peso para a adesão do de Teodoro Obiang, à Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, CPLP, não obstante, os graves problemas e atropelos aos direitos humanos, democracia, entre outros. Segundo fontes citadas pela Folha de S.Paulo, não é certo que o estudo encomendado por José Serra, realizado internamente pela própria equipa do Itamaraty, vá resultar em encerramentos, mas a iniciativa foi já criticada por um especialista. Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, entende que se o novo Governo pretende investir no comércio externo, “precisa pensar duas vezes antes de fechar as suas embaixadas em África, um dos lugares mais dinâmicos da economia internacional”.
Nas contas da FSP, o que o Estado brasileiro gasta com uma representação pequena em África custa entre 200 mil e 250 mil dólares ano, incluindo o pessoal, aluguer de viaturas, instalações, etc. Já uma embaixada como a de Lisboa não custa menos 4 milhões de dólares, sem incluir o pagamento de funcionários locais. José Serra assumiu o comando do MRE, num Executivo formado por mais 22 ministros, sem mulheres e todos brancos, após a nomeação de Michel Temer como Presidente interino do Brasil no lugar de Dilma Rousseff.
A chefe de Estado eleita foi afastada temporariamente pelo Congresso, acusada de cometer irregularidades orçamentais e realizar despesas não autorizadas. Nos próximos seis meses, Dilma terá de mostrar a sua inocência, mas é pouco provável que retorne ao governo. Isto porque, mais do que ter roubado ou se aproveitado financeiramente do cargo que ocupa, o que se assistiu foi uma união de vários partidos de direita para o seu afastamento.
Por isso, para Dilma, o que se passou no Brasil foi um golpe de Estado encabeçado pelo seu vice-presidente, Michel Temer. 
(in A Nação).

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