quinta-feira, 2 de junho de 2016

[9270] - AS RUÍNAS DA MEMÓRIA...

Casa de Roberto Duarte Silva em ruínas: A Câmara da Ribeira Grande apela ao governo para clarificar destino do edifício

A Semana
02 Junho 2016

A Câmara Municipal da Ribeira Grande (CMRG) de Santo Antão apela ao Governo para de forma clara assumir qual o destino a dar-se à casa onde nasceu o químico Roberto Duarte Silva, em pleno centro histórico do Terreiro de Povoação. É que há muitos anos que o edifício está a cair aos pedaços, colocando em perigo quem mora ou circula nas proximidades. A edilidade defende ainda que o espaço “merece ser valorizado e devolvido à comunidade ribeira-grandense como património cultural que é”.Casa de Roberto Duarte Silva em ruínas: A Câmara da Ribeira Grande apela ao governo para clarificar destino do edifício
O vereador da cultura da CM da Ribeira Grande, Francisco Dias, assegura que já houve tentativas no sentido de negociar – com os herdeiros que vivem em São Vicente – a sua compra pelo Estado visando uma intervenção adequada ao seu valor histórico. Na altura, o Ministério da Cultura (MC) enviou um arquitecto e apresentou um contrato de concessão para fazer a intervenção no edifício. “A família ficaria incumbida de explorar o espaço na vertente cultural, mas não houve consenso”, lamenta Francisco Dias, que aponta o dedo ao anterior Governo “que não teve vontade de insistir e tentar chegar a um acordo com a família,” afirma.

Aquele responsável afiança que a casa é um património cultural “importantíssimo” para a Ribeira Grande, tendo em conta o contributo que Roberto Duarte Silva deu para o concelho enquanto cientista. “Era ouro sobre azul que houvesse esse entendimento entre o Estado e os proprietários, pois o projecto daria um valor enorme à Ribeira Grande, visto que a residência se situa no centro da cidade da Povoação”, acredita o vereador que deposita agora todas as esperanças no actual Governo que deve procurar o melhor destino para o edifício.

Moradores pedem demolição

Os moradores da Rua São Francisco têm, no entanto, apelado para uma solução do edifício. Com a vida na “roleta da sorte”, exigem a demolição da casa, que já está a cair, pondo em risco a integridade física de quem passa. “As autoridades enchem a boca para falar de património. É uma palavra bonita, mas se tivessem respeito para com o património há muito teriam feito um intervenção e não deixariam a casa chegar ao ponto a que chegou. Por isso, somos a favor da sua demolição o mais urgente possível. Não queremos que tomem uma providência só depois de acontecer uma desgraça”, alertam.

De referir que em 2012 um grupo de académicos, artistas e técnicos cujo porta-voz era o antigo deputado, António Jorge Delgado, pediu o apoio da sociedade civil para pressionar os poderes local e central a implementar a proposta da Universidade Nova de Lisboa (Portugal) de restaurar e transformar a residência num Exploratório de Ciências para jovens. Na altura, o Edil da Ribeira Grande, Orlando Delgado, assegurou que a Câmara Municipal e o Ministério da Cultura já estavam a trabalhar para, através de uma parceria público-privada, restaurar a mesma casa, mas até agora nada disso aconteceu.

A figura histórica que é Roberto Duarte Silva nasceu a 25 de Fevereiro de 1837 na Povoação da Ribeira Grande, de Santo Antão. Figura célebre no campo científico, destacou-se sobretudo no ramo da Química Orgânica. Faleceu a 9 de Fevereiro de 1889, em Paris – onde está sepultado no cemitério de Montparnasse.

Por: Lucilene Salomão


4 comentários:

  1. Espero que não repitam o que fizeram com a Casa do sobrinho em S.Vicente.
    Quem "negou" José Lopes da Silva e menosprezou Adriano Duarte Silva pode fazer desaparecer qualquer vestigio em Cabo Verde do ilustre sàbio quimico qua não nasceu na Praia.

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  2. Concordo! Há que agir com determinação e em uníssono, para preservar a memória deste grande cientista que foi Roberto Duarte Silva.

    A Academia de Ciencias e Humanidades de Cabo Verde está disponível para se associar ao movimento, tanto mais que Duarte Silva é o exemplo paradigmático da capacidade do cabo-verdiano para indagar a razão das coisas, espírito científico muitas vezes escondido atrás da sua faceta poética e que é preciso fazer despertar.

    Um resgatar de símbolos como este é incontornável para fazer renascer nos jovens cabo-verdianos o espírito científico e a vontade do "indagar dos porquês", assunto este que vai no âmago dos propósitos da Academia. Esta tem inscrita no seu programa de actuação, a criação do Prémio Roberto Duarte Silva, para os trabalhos de relevo no domínio científico, realizados por cabo-verdianos, ou em benefício do nosso país!

    Esperamos pois, que será desta a real prossecução dos propósitos almejados e que o Governo se empenhe com entusiasmo e convicção no salvamento dessa casa simbólica!

    O Presidente da ACHCV

    Prof. Jorge Sousa Brito

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  3. Meus caros,
    Depois de ler a notícia publicada no jornal e de atentar nos comentários produzidos, concluí que este é um dos casos paradigmáticos da nossa singularidade no que esta palavra tem de menor.
    Parece claro que a edilidade da Ribeira Grande se movimentou para que algo fosse conseguido. E tudo ficou bloqueado ante a posição aparentemente irredutível dos herdeiros da casa. E ante o desinteresse do anterior governo.
    Posto isto, permito-me formular as seguintes interrogações:
    - Será que os proprietários da casa pretendem especular com o seu preço, dado o seu valor histórico-patrimonial?
    - Será que, não havendo acordo com as autoridades oficiais, preferem que ela colapse ameaçando os moradores próximos e os utentes da via pública?
    - Será que, caso o célebre químico tivesse nascido em Santiago, o governo procederia com a mesma inoperância e conformismo?
    Penso que as respostas a estas perguntas são óbvias e intuitivas, e só não o admite quem não quer.
    No meio disto tudo, o que particularmente me indigna é a atitude dos herdeiros da casa. Isto se for mesmo verdadeiro o que presumo. Preferem que a casa vá abaixo a aceitarem um preço que se paute pela razoabilidade que o caso exige.
    E então pergunto se a iminência de ruína não é o limite para que as autoridades determinem a sua expropriação por interesse público.
    Isto tudo faz lembrar o caso da residência onde viveu o Dr. Adriano Silva, por sinal familiar do químico.
    Valha-nos São Gregório!

    Abraço
    Adriano Miranda Lima

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  4. Casa em Santo Antão onde nasceu o ilustre químico e Professor Roberto Duarte Silva, que brilhou em Paris nos finais do século XIX na École de Physique et Chimie de Paris em ruínas: A Câmara da Ribeira Grande apela ao governo para clarificar destino do edifício.
    Os naturais desta ilha têm que fazer qualquer coisa por esta casa,
    ou pura e simplesmente não merecem o nome de Roberto Duarte Silva!!!

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