domingo, 3 de julho de 2016

[9403] - LIBERDADE EM SEGURANÇA...



Em Novembro de 1755, Benjamim Franklin terá escrito a frase que chegou aos nossos dias como um paradigma indiscutível:

"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança".

Ocorreu-me, no entanto, a meio da insónia desta noite, interrogar-me sobre se o insigne e multifacetado personagem da História Universal, subscreveria a mesma frase e os seus fundamentos, hoje, no meio da carnificina que diariamente mata e estropia homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente, em atentados perpetrados em nome da fúria satânica de fundamentalismos que cerceiam a nossa liberdade numa ameaça permanente à nossa segurança...
Sim, porque me parece lícito indagar até que ponto a civilização tem a sua liberdade essencial assegurada quando a morte e a destruição nos espreitam ao virar de cada esquina das nossas cidades!
Há paradigmas que não resistem à realidade histórica mergulhada nas trevas do mal pela turba que, não sendo livre porque escrava do preconceito, professa a violência que semeia a insegurança como liturgia de uma falsa fé!
Até que limites nos será lícito suportar a insegurança - a nossa e a dos nossos filhos e netos - em nome de uma liberdade que, ao fim e ao cabo, estamos inibidos de gozar em  toda a sua plenitude?!

5 comentários:

  1. Por acaso, sobre este tema escrevi um texto em 29 de Março passado intitulado “Liberdade Universal ou Direito à Vida”, em que procurei reagir às reflexões do editor deste blogue colocadas num post, mostrando-lhe a minha inteira concordância.
    Dizia eu, por exemplo:
    “As palavras do editor do blogue são breves mas são avisadas, contendo a síntese de uma questão verdadeiramente dilemática. Merecem a mais séria e urgente ponderação ao mundo civilizado. É que a liberdade universal não passa de uma abstracção e não pode sobrepor-se ao direito à vida. Ela é, efectivamente, uma abstracção humana, e por isso um valor sempre aferido pelo relativismo, ao passo que a vida é de uma transcendência e concretude tais que não pode ser posta em causa por qualquer outro princípio regulador da nossa convivência comum. Aliás, toda a criatividade humana deve ter como finalidade última o respeito pela vida, a sua dignificação e a sua preservação. Tudo lhe deve ser subordinado.”
    De facto, a afirmação de Benjamim Franklin vale mais como expressão de um idealismo moralista, em conformidade com as ideias iluministas que ele professava, do que como pensamento epistemológico. Se transpusermos o conceito de liberdade para a realidade prática, entramos no campo do relativismo e cai-nos logo em cima da cabeça o Idealismo Transcendental de Kant, que afirma que os fenómenos da realidade objectiva são sempre representações das nossas faculdades cognitivas.
    Ou seja, a percepção que possamos ter sobre a liberdade será sempre influenciada pela interiorização de outra ordem de valores, aos quais se prendem a satisfação das necessidades básicas e a preservação das nossas vidas e dos nossos bens. Simplificando, aceito que me imponham um recolher obrigatório se com essa medida se restringem as ameaças à segurança colectiva.
    A vida é, de facto, um valor supremo, e sem ela tudo o resto perde sentido.

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  2. O editor do blogue e autor do post lançou o repto, para espevitar o diálogo sobre um assunto candente. Porque é que só eu reagi? Isto só tem interesse se houver diálogo, resposta e contra-resposta.

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  3. Se fosse sobre o Europeu já tinha uma dúzia de faladuras...Sinais dos tempos!

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  4. Olá Zito amigo

    Li com atenção este seu post, mas tenho de ser franca e dizer que tudo o que escreve, merece da minha parte a máxima atenção.
    Mas o assunto em questão é deveras pertinente, para não dizermos algo sobre ele.
    Liberdade essencial assegurada... eu penso que nunca mais. O descalabro é por de mais evidente, e os ataques a pessoas indefesas (é isso mesmo o pretendido) são cada vez mais constantes. É assustador, é triste, é desolador.Estes povos que semeiam a morte a cada passo, estão a impor-se pela destruição e morte, e morrem também, porque deixaram de valorizar a vida. Para onde se caminha? Quando o ser humano desiste de si próprio, algo está errado dentro de si, e não só. O que move esta gente, e outras gentes parecidas?! A ganância, o ódio, o prazer de fazer mal, em deterimento da liberdade na paz, no respeito, no entendimento recíproco. E a insegurança está instalada, porque a qualquer
    minuto e lugar, a tragédia acontece. Também por cá, muitos têm gosto em premir o gatilho, já não se dá um murro, ou uns socos, dá-se um tiro ou facadas por qualquer desentendimento, mesmo pequeno que seja, e nem se pensa nas consequências.A violência alastrou, e o pior é que mesmo em relação aos ataques causadores de muitas vitimas,já se nota uma certa habituação, e um aceitar quase com naturalidade. Estaremos no fim duma civilização, como afirmava Saramago?!
    Abraço.
    Dilita

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  5. O repto lançado pelo Zito é ambicioso e muitos, como eu, fugiram. Eu não quis entrar numa dissertação pois esta questão é uma faca de dois gumes cortantes. Subscrevo o posto do Zito e o comentário do Adriano. A liberdade, como bem diz o Adriano , tem algo subjectivo abstracto. Todavia, a liberdade de matar é uma e a fronteira bem concreta. E esta fronteira vem sendo derrubada. Por isso sou pelo fim da liberdade de matar, pois a vida é algo divino, sobrenatural, e nenhum homem pode ter a liberdade de matar a vida.

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