terça-feira, 16 de agosto de 2016

[9570] - AS CRÓNICAS DE BERTA RENOM...



Bom dia , hoje faremos uma viagem à ilha da Boavista. Aprecie.

Conta-se que numa embarcação perdida ao largo da costa de África, sob intensa tempestade, o marinheiro da gávia tomado pela euforia, gritou “boa vista!” em vez do regimental “terra a vista!”. A partir daí, registando o salvamento da tripulação em perigo, S. Cristóvão passou a chamar-se Boavista.

É uma das maiores ilhas do arquipélago de Cabo Verde e também uma das mais planas. Está rodeada por ilhéus que fazem as delícias dos amantes da natureza e do mergulho e na orla que a cerca foram medidos 55 impressionantes quilómetros de praias de areias brancas e águas cristalinas.

Não surpreende que, uma vez esgotada a indústria do sal a ilha da Boavista esteja a transformar-se num dos eldorados turísticos do arquipélago, seguindo o destino da vizinha ilha do Sal.

Em 1620 os ingleses iniciaram a exploração do precioso sal da Boavista e contribuíram para a fundação do primeiro agregado populacional, a Povoação Velha.

A planura do território e a proximidade com a costa de África – é a ilha que está mais perto do continente – terão contribuído para este tipo de colonização sabendo-se a importância que o sal tinha na época.

Nas imediações da vila, para conter a cobiça dos piratas, foi erguido o Forte do Duque de Bragança, construção que está em ruínas e apenas aflora, aqui e acolá, na paradisíaca Praia de Chaves, considerada hoje uma das mais belas do mundo.

Diz-se que na Boavista, nos tempos de exploração do sal, nasceu a morna, essa dolente música cabo-verdiana que os ingleses identificaram com choro e lamento e por isso lhe associaram a palavra “mourn”, de onde, supostamente, vem o baptismo do género musical.

A morna está desde essa época na alma do povo e ainda hoje, nas tocatinas de fim de tarde em Sal-Rei, a capital, se entoam canções de grande riqueza melódica e rítmica acompanhando versos improvisados pelos participantes.

As praias, o lazer, a natureza e a sua descoberta são actualmente as “indústrias” mais florescentes da Boavista, orientadas para o usufruto dos visitantes e garantia de trabalho e sustento dos naturais.

Praia da Chave, Praia de Santa Mónica, com os seus 18 quilómetros, Praia de S. Cristóvão são atracções cujos nomes já correm mundo.

Os viajantes que não se confinem à vida nos resorts devem descobrir a serenidade de Sal-Rei; ou lugares rurais e genuínos como João Galego ou Cabeço dos Tarrafes; ou chegar até ao Morro Negro, onde um farol assinala o lugar mais oriental de Cabo Verde e, ao mesmo tempo, o mais próximo de África.

Um fim de tarde inesquecível, que justifica uma sessão de mergulho ou de surf, pode ser vivida ao compasso das tocatinas de Sal-Rei, seguindo-se uma lagostada com o toque da Boavista, acompanhada por uma fabulosa sopa de peixe.

Mirando o horizonte de dunas a perder de vista, intercaladas por pequenos oásis do tamareiras, poucos serão os que imaginam a Boavista num berço vulcânico.

Espero que tenha gostado , até para a semana.

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(Colab. Manuel M. Silva)

1 comentário:

  1. Uma crónica bem escrita e elucidativa sobre a realidade da ilha.

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