domingo, 16 de outubro de 2016

[9798] - MOMENTOS DE HISTÓRIA...(2)

CABO VERDE NA I GRANDE GUERRA
1914-1918


BASE MILITAR NAVAL DE S. VICENTE

A Grande Guerra de 1914 a 1918, fez exceder todas as expectativas em relação à importância que os centros produtores mundiais longínquos viriam a exercer na obtenção de recursos de toda a espécie, desde homens a viveres e materiais de guerra.

A Entente, pela sua posição geográfica utilizou intensivamente os transportes marítimos o que implicou a necessidade de manter um domínio estratégico dos mares e a guarda e segurança das longas linhas de comunicação.  Para tal, eram necessários pontos de apoio onde os comboios de transporte ou unidades navais isoladas se pudessem acolher e reabastecer. Neste contexto, o Porto Grande de São Vicente, para além de ser uma base naval estratégica para Portugal, também o era para os aliados.

Até final de 1916, as suas condições físicas e localização tiveram grande valor militar, como porto de apoio e reabastecimento às unidades militares navais que exerciam a protecção das rotas do Atlântico Sul.

A defesa do porto era constituída por um posto de vigilância na Ilha dos Pássaros com duas peças de 76 mm, um posto fortificado com duas peças de artilharia de 100mm na ponta Norte (Ponta João Ribeiro) e um posto fortificado com duas peças de 150mm na ponta Sul (Ponta Morro Branco) da baía, um cabo de barragem entre as pontas da baía e um serviço de vigilância dentro do porto por duas vedetas.

A guarnição de marinha, 12 marinheiros e um oficial,  para a fortificação do Morro Branco e manejo das peças, chegou de Lisboa em finais de Novembro de 1915, comandada pelo 1º Tenente Joaquim Costa, que se manteve no comando até ao final da guerra. As obras de acesso à Ponta João Ribeiro, assim como a construção da fortificação durou quase todo o ano de 1916. 

Em Janeiro de 1917 chegaram as forças do exército requisitadas para a defesa da cidade e guarnição da fortificação da Ponta João Ribeiro. Composta por uma bateria de 4 peças de 76mm e 75 soldados, comandadas pelo Capitão João Sequeira e uma companhia de infantaria, aproximadamente 200 soldados, comandada pelo Capitão Paulo Mendes. As peças de 100mm e 150mm, que eram de modelos antiquados foram substituídas pelas peças de 76mm então chegadas.


 Companhia de Infantaria de defesa de São Vicente (Cabo Verde), Novembro de 1917. (Foto de João Henriques de Melo, Ilustração Portuguesa, n.º 614, p.429

Companhia de Infantaria de defesa de São Vicente em parada, quando da chegada do Governador da Província de Cabo Verde, o Capitão-de-fragata Fontoura da Costa, a bordo do vapor "Luanda", em Novembro de 1917.

Em Janeiro de 1918, com a chegada da Canhoneira "NRP Beira" verificou-se um reforço da defesa naval do porto, assim como um reforço do dispositivo em terra. foi montada uma segunda bateria de artilharia de marinha constituída por 2 peças Hotchkiss de 47mm a que se juntou uma terceira peça de 90mm, trazida pela "NRP Beira" de Dakar.  A guarnição do posto de vigilância do Ilhéu dos Pássaros era constituído por 1 sargento e 9 praças.

CONTINUA...

1 comentário:

  1. Isto diz-nos da importância do porto de S. Vicente. O que se estranha é o reforço das condições da sua defesa ter sido feito às mijinhas. Mas desde já se nota que os pontos importantes do dispositivo se mantiveram inalteráveis até ao seu melhor apetrechamento durante a II Guerra Mundial.

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