domingo, 16 de outubro de 2016

[9799] - A HISTÓRIA VANDALIZADA...

Dois principais pontos do Tratado de Tordesilhas que dividiu o mundo ao meio para evitar um conflito de grandes proporções entre as duas potências de expansão marítima de então - Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha -, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, sob a égide do Papa Alexandre VI, estão fixados em Santo Antão. Por isso a ilha é considerada “cento de uma Paz Mundial”.


Os dois pontos principais do Tratado estão localizados na zona oeste da ilha das Montanhas, sendo um na Ponta do Sol e outro na montanha circundante, denominada “Manuel de Joelho”. Foram construídos em mármore e colocados com a respectiva mensagem. Mas hoje estão “vandalizados” pela própria população e são “menosprezados” pelas entidades regionais e nacionais.

Segundo o estudioso da história da ilha de Santo Antão, Luís Martins, natural daquela cidade e residente nos Estados Unidos, na construção do aeroporto da ilha, na Ponta do Sol na década de 70 - hoje desactivado -, o primeiro marco foi retirado da zona original. Mas construíram um outro em substituição, numa zona mais afastada. No entanto, devido ao impacto do mar, vandalismo, e desleixo das entidades regionais e nacionais, está em vias de desaparecer.

“A situação em que se encontram esses marcos do Tratado de Tordesilhas é uma demonstração clara de que estamos a menosprezar a nossa história e o papel decisivo que ela tem no processo de desenvolvimento do Concelho da Ribeira Grande e da ilha em geral. Não é por acaso, que essa cidade é a que mais recebe turistas anualmente. Mas infelizmente até essa data, não há nada construído, que simbolize esse grande facto histórico”, desabafa Luís Martins.

De acordo relatos de alguns historiadores consultados por esse diário digital, em 1492 o navegador genovês Cristóvão Colombo realizou uma das maiores descobertas realizadas no período das grandes navegações. Financiado pelos recursos da Coroa Espanhola, esse navegador anunciou a descoberta de terras a oeste. Tal feito acabou inserindo o reino espanhol no processo de expansão marítimo-comercial que, desde o início daquele século, já havia propiciado significativas conquistas para o Império Português ao longo de todo século XV.

Conforme os escritos, com a ascensão dos espanhóis na exploração de novas terras, o clima de disputa com os portugueses se acirrou. Para que um conflito de maiores proporções fosse evitado, o Papa Alexandre VI foi convocado para negociar os limites de exploração colonial entre essas duas potências europeias. Inicialmente, Portugal buscava garantir seu monopólio na costa africana e a Espanha preocupava-se em legitimar a exploração nas terras localizadas a oeste.

Segundo as fontes históricas, no ano de 1493, o Papa anunciou a assinatura da Bula Inter Coetera, que fixava uma linha imaginária a 100 léguas da Ilha de Açores. No entanto, no ano seguinte, o rei português Dom João II exigiu a revisão desse primeiro acordo, que não satisfazia os interesses lusitanos.

Alguns historiadores relatam que a mudança de ideia era um indício de que os portugueses tinham conhecimento de outras terras localizadas na porção sul do novo continente descoberto pelos espanhóis. Séculos mais tarde, documentos explicariam essa “repentina” mudança de ideia dos lusitanos.

Para evitar um conflito militar, os espanhóis aceitaram a revisão dos acordos com uma nova intermediação do Papa. Com isso, o Tratado de Tordesilhas foi, conforme os relatos, assinado em Junho de 1494. Nesse novo acerto ficava estabelecida a demarcação de um novo meridiano localizado a 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no Arquipélago de Cabo Verde. Os territórios a oeste seriam explorados pelos espanhóis; e as terras a leste deveriam ser controladas pelos lusitanos. Dessa forma, o novo acordo assegurou a exploração lusitana em parte dos territórios que hoje compõem o Brasil.

Pouco tempo depois, as determinações desse tratado seriam questionadas pelas outras nações europeias que iniciavam seu processo de expansão marítima. Diversos monarcas não aceitavam o facto de a divisão ter se restringido aos países ibéricos. Os franceses, por exemplo, passaram a organizar expedições marítimas para o Brasil em sinal do não reconhecimento do tratado. As nações que protestaram contra, na verdade, reivindicavam o princípio de posse útil da terra para legitimar a exploração colonial.

Mediante tal proposta, os portugueses se viram forçados a intensificar os mecanismos de controle e dominação sobre seus territórios. A partir de 1530, Portugal enviou Martinho Afonso para as terras brasileiras, com o objectivo de fundar o primeiro centro de exploração colonial. Em contrapartida, expedições inglesas e francesas buscaram terras na região norte do continente americano. (in A Semana)

MN


4 comentários:

  1. Pouco temos como tesemunho para a nossa Histôria e o que temos é escandalosamente vandalizada. Tais actos confirmam que vivemos num pais de "Tudo pa tchom".

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  2. A Ignorância mais uma vez em acção em Cabo Verde. Falta educação cívica, reforçado pelo relativismo.

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  3. Caros amigos, isto é de facto selvajaria, mas aqui em Portugal há disto a dar com um pau. Selvagens, pessoas que só se sentem bem a destruir, há por todo o lado. Vejam o que aconteceu há menos de um dia no jardim à beira-mar plantado.
    http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/vandalos-em-furia-destroem-capela

    Braça com pena do que se perdeu e também das pessoas que o fizerem por serem tão pouco, tão pouco, enfim, tão pouco.

    Braça,
    Djack

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  4. Isto é História Universal. E mesmo assim as autoridades locais não se importam nem mexem uma palha para proteger o pouco que existe de testemunho.

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