terça-feira, 18 de outubro de 2016

[9804] - CORAGEM PARA SE SER FELIZ...

“Ser feliz é a maior coragem. Todo o mundo é capaz de ser infeliz; para ser feliz é preciso coragem  é um risco tremendo”. Osho, filósofo indiano.

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A legitimidade soberana
Na democracia o povo é soberano e as eleições livres são um dos pilares fundamentais na consolidação de qualquer democracia. Representam as opções livres das pessoas. Nesta matéria Cabo Verde está a construir uma das estradas mais emblemática dos PALOP, que brevemente pode servir de modelo. No dia 20 de Março, o povo atribui a UCS & ao MPD uma maioria absoluta nas eleições legislativas. A 4 de Setembro, as gentes das ilhas voltaram a apostar no partido com a maioria parlamentar. A vitória voltou a ser expressiva: o MPD conquistou 18 das 22 câmaras municipais, os independentes arrebataram duas câmaras em jogo, e o PAI saiu com uma pesada derrota e assumiu duas câmaras, Santa Cruz e Mosteiros.
No dia 2 de Outubro, com a realização das eleições presidenciais, o grande vencedor foi  JCF (Jorge Carlos Fonseca). Ora, JCF ganhou legitimidade para um segundo mandato constituindo assim um trio da mesma cor política: um Presidente da República, com apoio do MPD, um Primeiro-ministro e um Presidente da Assembleia Nacional com uma esmagadora maioria parlamentar (40/72 dos deputados), gestão das autarquias (81% das câmaras). Assim sendo, tudo indica que daqui para o futuro o tratamento às câmaras será igualitário, previsto na Constituição da República, num Estado de Direito Democrático como é o nosso caso.
No dia em que a oposição abandou o parlamento, considerado um dia negro na democracia cabo-verdiana, ainda que fosse temporário, num acto pouco racional e com um impacto mediático muito forte, o povo assistiu silenciosamente, não gostou, reprovou, e a partir desse momento foi a vez do povo abandonar o partido da estrela negra nas urnas, em três eleições consecutivas, 20 de Março, 4 de Setembro, 2 de Outubro, facto impensável há dois anos.

The day After – a arte de governar
A herança recebida do Governo de JMN é pesada e cabe agora, aos pontas de lança governativo: o Ministro da Economia e do Emprego, o Ministro das Finanças e da Função Pública e os Embaixadores espalhadas pelo mundo e toda a equipa governativa, a grande missão de marcar os golos necessários para a consolidação da vitória, a criação de riqueza, a promoção do emprego  para o bem-estar e a felicidade das gentes das ilhas. Com soluções inovadoras, dinâmicas, onde o Turismo, a Pesca e o Investimento Direto Estrangeiro jogam um papel fulcral na estratégia governativa. Para que o país possa produzir, possa exportar, fazer crescer a economia, reduzir a dívida pública, a burocracia pesada do Estado e enfrentar os sinais de corrupção que começam a fazer escola nos grandes centros urbanos. Cabe ainda aos homens golo, com valências técnicas, robustez psicológica e poder/capacidade de decisão, apostar fortemente em soluções criativas, via Economia da Diplomacia, de forma a colmatar três quinquénios de uma herança pesada, com um Governo centralista, assistencialista, averso a iniciativa privada e hostil às autarquias locais. Mas o take off vai depender muito da mente dos cabo-verdianos. O desenvolvimento começa na mente das pessoas. Os cabo-verdianos devem abrir a mente e começar a exigir/procurar novas soluções e alternativas para os seus problemas e um nível de serviço de alto gabarito, com educação, vontade e sorriso estampado na cara das pessoas. O nosso sucesso no mundo dos serviços, no Turismo e na pesca vai depender muito da nossa qualificação, da nossa visão e da nossa capacidade de inserção na aldeia global. A nossa competitividade vai exigir o resgate urgente da nossa morabeza, a cultura do trabalho e do saber receber e servir. Saber receber e servir é ser nobre.

O futuro a nós pertence
Chegou o verdadeiro momento do take off, de Santo Antão à Brava, as duas pérolas do extremo do arquipélago. Os autárquicos na ilha das montanhas terão que perceber que a riqueza e a beleza da ilha reside nas suas imponentes montanhas comparadas às torres de New York, nos vales verdejantes e encantadores, na pureza e na vontade natural de acolher e receber o mundo, com coração aberto. Mexer na ilha exige arte e engenho. O desastre urbanístico que se assiste nas ilhas,  em particular na Ilha das Montanhas, é derivado de uma má intervenção do homem, sem sensibilidade, e desafiando a natureza, considerado um pecado ambiental e desastroso a médio e longo prazo. Esta indisciplina urbanística exige políticas públicas rigorosas. Em contrapartida, a Ilha das Flores foi abençoada pelo isolamento. O isolamento proporcionou-lhe um futuro brilhante, conservou a sua história, a sua arquitectura colonial e a forma de ser das suas gentes.
A equipa camarária da capital que por brilhantismo e visão futurista passou a gerir a urbe como um governo, sai uma equipa e entra outra que dará a continuidade à grande obra. Na Cidade Velha, o Património Mundial está em risco e exige mãos duras na gestão e cumprimento das normas do estatuto tão arduamente conquistado. Ultrapassamos a era do laxismo. A Ribeira Grande de Santiago deve ser gerida cuidadosamente em sintonia com o Ministério da Cultura. Mindelo é sem dúvida a grande incógnita! A ilha do Monte Cara atingiu o seu limite de asfixia económica e degradação social. S. Vicente merece a prioridade das prioridades e requer soluções económicas urgentes. De imediato, num espaço de dois anos, precisa de um hotel de trezentos quartos, o que implica três voos por semana, por forma a criar emprego e acelerar a dinâmica económica das duas ilhas irmãs. “Se S. Vicente está bem, estamos bem também, escoamos os nossos produtos, criamos emprego para o sustento das famílias, pagamos as propinas dos nossos filhos, fazemos funcionar as universidades, o comércio e oxigenamos a economia Mindelense”. O comércio esta de rastos e a indústria foi engolida pelos ventos da burocracia e de uma política fiscal desajustada   - uma falta de visão estratégica gritante. Trata-se de uma equação complexa, mas exequível. E como a solução do Mindelo chega sempre de fora, via mar e agora, também via ar, só uma ofensiva económica, com a Cabo Verde Trade & Invest na frente o país pode procurar e encontrar a solução acertada. Possibilidades existem, as correntes financeiras continuam a existir no mundo, mas apenas o tempo joga contra a ilha do Porto Grande. As transformações económicas levam o seu tempo! A economia não funciona como uma varinha mágica. Até o Monte Cara acordar, o tempo vai passando. As capitais do Turismo, a ilha do Sal e da Boa Vista, não têm tempo a perder, devem apostar fortemente em soluções modernas, e focalizarem-se na economia azul, verde, digital e no Turismo, em crescimento exponencial.
Em suma, a sustentabilidade do nosso país passa pela maximização da riqueza das ilhas, o mar, o  sol,  na valorização do homem, e na capacidade de visão e decisão. Sendo certo que o turismo é uma indústria transversal que faz florescer a agricultura, as TIC, o comércio e o sistema financeiro. E em cada um dos municípios, a aposta acertada no turismo criará algo muito desejado, a tal diversificação do turismo, onde todos podem ir buscar uma fatia do bolo nesta indústria global, desde que haja uma boa planificação, um Marketing adequado e criativo e apostando num serviço genuíno, de qualidade e em sintonia com o governo central. Já perdemos tempo de mais, agora, nem mais um segundo! It´s time…(in Expresso das Ilhas)

1 comentário:

  1. É um exercício de optimismo mas que peca por basear-se na crença de que uma maioria partidária institucionalmente generalizada (todos os ovos no mesmo cesto) pode catalisar as virtudes nacionais. E também por tecer loas ao comportamento democrático-eleitoral dos cabo-verdianos, apontando-o como algo exemplar e exportável para a África. Em certo sentido aceita-se que sim, mas mais do ponto de vista da normalidade processual. Contudo, é iniludível o ponto fraco do sistema, denunciando uma debilidade que não se pode ignorar: o nível exagerado da abstenção. O mais recente caso (as presidenciais) é uma evidência gritante. Além disso, o nível de abstenção é apenas a ponta do iceberg do sintoma. Em camadas subjacentes, existe todo um desinteresse cívico que é tanto mais preocupante quanto engloba intelectuais e jovens escolarizados e licenciados. Ora, a democracia só é verdadeiramente virtuosa se trespassar transversalmente toda a sociedade. E em certa profundidade. É um facto que hoje em dia a abstenção mora em todo o lado. Mas num país ilhéu e em que o factor proximidade intra comunitária é uma vantagem, só não vota quem não quer ou ignora ou desvaloriza os seus deveres cívicos. Para que os desígnios expostos pelo autor fossem minimamente concretizados precisaríamos de um grau muito mais elevado de engajamento da sociedade civil.
    E não penso que se deva atirar foguetes pela estrondosa queda eleitoral do PAICV. Mal de Cabo Verde se julgar que o seu destino será mais feliz e mais realizável se ficar exclusivamente atado a uma mesma ideia sobre o futuro. Cego é quem pensa que uma terra como a nossa pode dispensar ou menosprezar aquilo que o autor designa como política "assistencialista". Cada povo é como é e não como o desejamos ver com pinceladas de fantasia. Quanto ao resto, embarco na idealização, mas com os pés no chão.

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