sábado, 3 de dezembro de 2016

[9974] - DUVIDA LEGITIMA?!


“Se em 1975 tivesse adiado por um pouco a independência, possivelmente Cabo Verde tê-la-ia adiado até hoje”, afirmam os professores universitários José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin, num artigo hoje publicado no jornal português ‘Observador’.



Seria hoje Cabo Verde um país independente se, em 1975, tivesse optado pela autonomia? A entrada de Portugal naquela que, na altura, se designava de CEE teria provavelmente adiado esse sonho, apontam os professores universitários José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin.

Fazendo inicialmente um retrato sobre o que eram as Canárias antes da entrada de Espanha na CEE e aquilo em que se tornaram, os dois autores recordam que aquela região espanhola era, em 1986, “uma das regiões mais pobres da Europa”. 30 anos passados e o arquipélago transformou-se “beneficiando das ajudas europeias e do acesso ao mercado único, o crescimento do rendimento dos seus habitantes tem sido acelerado, o seu desenvolvimento económico tem sido rápido e o bem-estar das suas populações tem aumentado significativamente”.

E é aqui que entra a possibilidade de Cabo Verde ter, em 1975, optado por outro caminho qe não o da independência. Em 1975, “Cabo Verde, um arquipélago ao largo da costa africana a sul das Canárias, tinha-se tornado independente, não só devido a vontade própria, mas também empurrado por vontade alheia”, escrevem José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin no texto publicado pelo ‘Observador’.

Reconhecendo o mérito de Cabo Verde “Verde ter agarrado a oportunidade quando ela lhe surgiu” e que desde então “não obstante a pobreza dos seus recursos naturais e de vários entraves estruturais ao crescimento, Cabo Verde tem feito um notável percurso de desenvolvimento económico e humano, e também de melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes, através da liberalização e abertura da sua economia”. Um caminho que fez com que Cabo Verde se tornasse num “país democrático, livre e em paz, e já deixou de ser um dos países mais pobres do mundo, como o era há quarenta anos”.

Mas, e se, questionam, Cabo Verde tivesse decidido adiar a sua independência? “Certamente que em 1976 se teria tornado numa Região Autónoma tal como os Açores e a Madeira. Depois, quando Portugal iniciou o seu processo de ascensão à CEE em 1977, decerto que teria sido também incluído, juntamente com os Açores e Madeira, no dossier de adesão. À medida que as diversas ajudas comunitárias de apoio ao desenvolvimento regional e humano tivessem sido disponibilizadas, e com a consciencialização de que ainda mais viriam no futuro próximo, o desejo de adiar o início do processo de independência, pelo menos entre aqueles que as recebiam e administravam, ter-se-ia intensificado”, apontam Pinto dos Santos e Ramon Pin.

Com a entrada de Portugal na CEE em 1986 e com a entrada dos apoios comunitários, “a vontade de adiar o projecto de independência nacional ter-se-ia alargado a uma faixa populacional mais ampla. É razoável assumir que dentro da União Europeia (UE) o crescimento económico cabo-verdiano teria ainda sido mais espectacular do que foi, mesmo que não resultasse no nível de rendimento que as Canárias têm hoje”.

Outra vantagem, apontam os dois autores: “E depois viriam ainda o Euro e Schengen. E uma vez dentro do Euro e de Schengen quem seria o cabo-verdiano que quereria a independência, deixar a UE e aderir à OUA?”

Hoje, Cabo Verde, estaria, enquanto membro da EU, a lidar “com uma crise de refugiados e a sofrer das decorrentes tensões sociais e falta de segurança”. “Não há UE sem senão”, ironizam.

“Se em 1975 tivesse adiado por um pouco a independência, possivelmente Cabo Verde tê-la-ia adiado até hoje. Provavelmente seria bastante mais rico. Mas de certeza que seria menos autónomo e independente. Mas, ter aproveitado a janela de oportunidade em 1975, terá sido visão estratégica ou acaso?”, concluem. (Expresso das Ilhas)

1 comentário:

  1. Eu o que reclamo nesta questão, não é princípio da Independência , mas da maneira abandalhada, atabalhoada como foi concedida, que nos trouxe muito sofrimento.
    Deveria ter havido um período transitório não inferior a 10 anos, para infraestruturar Cabo Verde, criar uma classe política minimamente aceitável e encontrar uma vocação como nação independente no concerto das Nações. Estes desafios por si já eram grandiosos.
    Mas havia muita gente com pressa de sentar na poltrona do governador e se talvez se esperasse demais nunca tal teria acontecido, o tal golpe de estado no paraíso!!
    Resultado criou-se um país à pressa (feito à martelo e marteladas), instalando no poder os menos aptos para governar. ainda com o despudor de montar um regime de ditadura marxista leninista.
    Cabo Verde transformou-se num eterno mendigo e gerou uma economia insustentável, a braços com problemas de sustentabilidade e insegurança interna e externa.
    Nestes dias comemora-se o assalto criminoso à Rádio Barlavanto da ilha de S. Vicente( uma data eleita como dia da Rádio em Cabo Verde. Imaginem o Despudor ) , silenciando para sempre uma voz culutural e política na ilha. Paradoxalmente não houve assalto nenhum à Rádio da Praia.
    Recorde-se que foram precisas duas décadas para a ilha voltar a ter médias locais e mesmo assim nunca atingiram o nível dos que havia antes da Independência.
    Aquilo que festejamos, como o início de uma 'Revolução Social e Económica' correspondeu à lenta e inexorável queda da ilha, que em 1975 enformava o paradigma de Cabo Verde e da caboverdianidade. Para mim isto tudo resultou num rotundo fracasso, num gachis!!

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