quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[9987] - QUANTO VALE A DEMOCRACIA?!

Alcindo Amado
O CUSTO / BENEFÍCIO DA NOSSA “DEMOCRACIA”
07 Dezembro 2016 - A Semana
TUDO INDICA QUE CABO VERDE PRECISA, URGENTEMENTE, DE UM NOVO MODELO DE GOVERNAÇÃO MAIS EFICAZ E MENOS CUSTOSO

O CUSTO / BENEFÍCIO DA NOSSA “DEMOCRACIA” 




Como é possível, num país que não tem onde cair morto, com 60% da sua população a sobreviver, com crianças na rua à busca do pão de cada dia, ter-se a coragem de esbanjar UM MILHÃO E QUINHENTOS MIL CONTOS de quatro em quatro anos, em eleições viciadas que não trazem nada de novo ao país, a não ser mais miséria? Isto vai ter que acabar de um jeito ou de outro.

É mais que evidente que não dispomos de um SISTEMA POLÍTICO credível, mas sim de um “ESQUEMA” inteligentemente montado para satisfazer os interesses instalados de uma cambada de alegados gatunos e oportunistas que o integram e/ou gravitam à volta do poder em Cabo Verde.

Vamos ter que optar por um sistema de governação mais funcional, menos dispendioso e socialmente inclusivo, e sobretudo capaz de trazer de volta a segurança e tranquilidade à população. Estaremos na disposição de erradicar a criminalidade da nossa sociedade, e resgatar a paz e tranquilidade, para que serenamente possamos construir um Cabo Verde de futuro, para que todos aqueles que hoje querem partir, venham a ter a vontade de ficar. Tudo faremos para resgatar Cabo Verde, mesmo que as forças da circunstância vierem a ditar a construção de uma prisão tipo “Guantánamo” para isolar os socialmente indesejáveis por tempo indeterminado.

Esta hipótese está sendo cozinhada a lume brando. Tudo vai depender do desempenho do Governo saído das últimas eleições. Caso este cenário não mudar durante a 9ª Legislatura, não vai haver mais eleições em Cabo Verde.

Estamos plenamente convencidos de que os problemas de Cabo Verde não se resolvem com eleições. Temos duas hipóteses – continuar a sustentar este califado que hoje temos, ou construir uma NAÇÃO capaz de nos orgulhar a todos.

A actual situação exige uma mão dura para combater a criminalidade e outros males sociais em Cabo Verde. Por outro lado, serão colmatadas as deficiências de governação que poderão estar na origem da calamidade social que se vive neste país. Temos neste momento um barril de pólvora prestes a explodir, e ninguém faz nada para o desativar. Trata-se da nossa Juventude, que constitui aproximadamente 63% da população. Os jovens não tiveram uma infância digna e o seu futuro, a cada dia que passa, vai ficando cada vez mais nebuloso.

A origem de tudo isto está numa política abstrata de governação que pura e simplesmente ignorou o investimento na infância. Neste momento também, não se vislumbra qualquer mudança de paradigma no sentido de colmatar este mal social.

Não é por acaso que as nossas prisões estão superlotadas de jovens que nasceram depois da nossa independência. É evidente que falhamos, ou melhor, não soubemos lidar com este fenómeno social. Durante estes quarenta anos, abandonámos a nossa juventude e hoje estamos colhendo os frutos. Crianças desamparadas que não tiveram outra alternativa senão enveredarem para a criminalidade infantil de subsistência. Os desvios de comportamento infantil não acontecem per si. No caso de Cabo Verde a culpa tem dono – Um governo desleixado e sem visão de futuro.

Todavia, não é somente a camada jovem da população que constitui as vítimas do déficit de desempenho dos nossos governantes inexperientes e arrogantes. Uma grande percentagem da população adulta têm vindo a comer o pão que o diabo amassou.

Um olhar atento e comparativo ao “modus vivendi” do povo, de Santo Antão a Brava, nomeadamente no mundo rural e nas periferias dos maiores centros urbanos, e à riqueza abusivamente ostentada pelo “clã” que constitui o Poder Central e os “donos” das câmaras municipais geralmente endividadas e tecnicamente falidas, depara com um desequilíbrio social abismal, originado por políticas desajustadas, falta de uma visão clara de desenvolvimento equilibrado, por parte do Poder Local eleito, agravado pelo desleixo ou mesmo abandono de importantes regiões do país, por parte do Governo Central, comodamente instalado na cidade da Praia.

Não sou defensor da síndrome de regionalização defendido por algumas pessoas que provavelmente estão focalizados nos seus interesses. Considero o poder razoavelmente partilhado, mas deficientemente exercido em Cabo Verde. Dada a pequenez do território nacional, defendo um governo integrado por nada mais nada menos que meia dúzia de pessoas competentes e moralmente intocáveis, chefias intermédias com alto nível de desempenho e não arrogância como é o nosso caso, política nacional centralizada e política económica descentralizada em que cada Ilha assume a sua vocação de desenvolvimento. Somos um pequeno país geograficamente descontinuado e extremamente pobre. Não temos espaço para alojar mais políticos-parasitas. Precisamos de homens e mulheres dispostos a trabalhar, de forma a produzir mais e consumir menos. Só assim poderemos criar alguma riqueza, e inverter o destino macabro destas Ilhas.

Vejamos, por exemplo, o cenário desolador que se vive em Cabo Verde: A Ilha de São Vicente alberga o segundo maior centro urbano, e é a região mais densamente povoada do país. Estes dois fenómenos, que infelizmente não apresentam uma paridade sócio-económica, nunca despertoaram a atenção dos governantes, sejam eles locais ou centrais. A economia da Ilha desapareceu por completo, Mindelo é hoje uma cidade fantasma, e do Porto Grande só restam memórias de um passado glorioso.

Santo Antão, a Ilha das montanhas e vales exuberantes, possuidora de um potencial de recursos naturais, nunca foi explorado convenientemente. Quando não chove o gado morre de sede, quando chove tudo é arrastado pelas cheias. O turismo de montanha (eco-turismo) o maior potencial económico da Ilha nunca foi explorada devidamente. Sabe-se que o turismo de montanha é o mais rentável dessa indústria em qualquer parte do mundo, e em Cabo Verde, se devidamente explorada, ultrapassa o turismo de cruzeiro e o turismo de sol e praia. O turismo de montanha que pode ser “economicamente” explorado nas Ilhas de Santo Antão, Fogo, São Nicolau, Brava e Santiago, é o modelo de turismo que pode impulsionar uma verdadeira economia rural em Cabo Verde, envolvendo directamente a população na venda daquilo que os turistas procuram e para o qual pagam bem, que é o serviço, e também a venda da nossa cultura como produto de marca.

A Ilha de São Nicolau, interior da Ilha de Santiago, Ilha do Maio, Brava e Fogo, carecem de políticas sociais e económicas sólidas, capazes de melhorar a qualidade de vida e fixar os residentes.

A Ilha do Sal está em decadência, dada a negligência dos sucessivos governos em proteger e negociar melhor os interesses económicos da Ilha, nomeadamente a viabilidade do Aeroporto Amílcar Cabral que, como é do domínio público, é deficitário, assim como os restantes aeroportos do país, exceptuando o da Boavista, que por acaso é a Ilha que apresenta o melhor crescimento económico do Pais, independentemente de uma política de habitação inexistente, e deficiente investimento na segurança pública, o que poderá vir a prejudicar ou mesmo afugentar o potencial turístico da Ilha. Governar Cabo Verde não é tarefa para qualquer um, e os problemas do dia a dia não se resolvem à martelada.

Nesta base, devemos investir em personalidades competentes, honestas e sobretudo patriotas para governar o país, de forma a encontrarmos uma saída para um desenvolvimento sustentado e distribuído por todas as Ilhas, e promover o equilíbrio no índice de felicidade de todos os cabo-verdianos. O habitual abraço de fraternidade a todos, de Santo Antão a Brava.

Mindelo, 28 de Novembro de 2016.

1 comentário:

  1. Não conheço nenhum país no Mundo, onde a democracia plena (como a conhecemos) não custe dinheiro em eleições livres. Democracia de braço no ar, jamais!!!

    ResponderEliminar