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domingo, 6 de novembro de 2016

[9882] - REFRESCANDO A MEMÓRIA...

OS FACTOS ABORDADOS  NO TEXTO QUE SE SEGUE, VIERAM A PÚBLICO EM 2014...
CREIO QUE TUDO O QUE, ENTÃO, O SENHOR PHILIPPE LEGRAIN DENUNCIOU CONTINUA VÁLIDO HOJE, TRANSCORRIDOS TRÊS ANOS...VALERÁ, POIS, A PENA,
REFRESCAR AS MEMÓRIAS MAIS DESATENTAS...

...oooOooo...

Foto Financial Times
Resgate de Portugal foi para salvar banca alemã, diz conselheiro de Durão Barroso

O economista britânico Philippe Legrain diz, numa entrevista ao Público, que o sector bancário dominou os governos dos países e as instituições da zona euro e, por isso, quando eclodiu a crise, só se preocuparam em salvar os bancos. O conselheiro económico de Durão Barroso entre 2011 e fevereiro deste ano defende a reestruturação dos bancos e o perdão da dívida portuguesa. E considera “uma anedota” a atuação dos representantes da Comissão Europeia na crise.
(11 de Maio, 2014)


Philippe Legrain, acaba de publicar o livro “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess” (Primavera europeia: Por que as nossas economias e políticas estão um caos). Na entrevista(link is external), afirma que os governos europeus “puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos”, e que “há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos”.

O principal problema era a dívida privada
No caso de Portugal, afirma, “o principal problema era a dívida privada. Antes da crise, a dívida pública era sensivelmente a mesma que na Alemanha – 67/68% do PIB – mas o grande problema que não foi de todo resolvido era a dívida privada que estava acima de 200% do PIB”.

Para o economista, este é que era o problema real, “mas que os portugueses não enfrentaram, a UE e o FMI não ligaram, só se concentraram na redução da dívida pública. Por isso, como não resolveram os problemas reais do sector bancário, não resolveram o problema da dívida privada, só se concentraram na consequência, que foi o aumento da dívida pública”.

Há quem pense que o que eu digo é uma loucura, alegando que os mercados estão a emprestar a Portugal a taxas muito baixas e que por isso a crise acabou, blá blá, blá, mas isso simplesmente não é verdade
O resultado desta decisão, na sua opinião, foi uma “profunda, longa e desnecessária recessão económica”. E a crise está longe de estar resolvida.

“Há quem pense que o que eu digo é uma loucura, alegando que os mercados estão a emprestar a Portugal a taxas muito baixas e que por isso a crise acabou, blá blá, blá, mas isso simplesmente não é verdade. Isso também aconteceu nos anos da bolha [financeira], antes de 2007, em que os mercados também emprestavam de forma incrivelmente fácil, o que não significava que não havia problemas. Neste momento tem havido entrada de liquidez, que está a tapar os problemas subjacentes, mas essa liquidez pode inverter-se se o BCE, como penso que vai acontecer, nos desiludir da ideia de que poderá haver um Quantitative Easing (injecção de liquidez)”.

Troika desempenhou um papel colonial em Portugal
Para Philippe Legrain, “o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores”. Nessa crise, aponta, as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores.

“Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas”.

Esta instituição (a Comissão Europeia) é uma redoma completamente desligada da realidade.
O economista considera que o essencial da responsabilidade da parte orçamental dos programas foi da Comissão Europeia, que fez projeções completamente falsas. “Dá vontade de rir quando se comparam as projeções de 2011 com os resultados de 2013, é uma anedota. Isto resultou em parte da incompetência das pessoas responsáveis, mas há outro problema que é o da responsabilidade democrática. Olli Rehn e os seus altos funcionários decretam que o desemprego vai ser 12% mas se afinal é 20%, dizem 'ah, ok, temos de mudar aqui este número na folha de cálculo'. Ou seja, não estão a lidar com a realidade. Esta instituição é uma redoma completamente desligada da realidade”.

Portugal está em pior estado do que estava no início do programa
O ex-conselheiro de Durão Barroso é particularmente crítico dos resultados do programa português: “Basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa”.

O economista defende para Portugal “uma reestruturação dos bancos, um perdão de dívida tanto pública como privada, é preciso investimento do Banco Europeu de Investimentos"

É destrutivo uma Alemanha quase-hegemónica
A orientação política seguida, afirma, veio da Alemanha. “E a Alemanha aconselhou mal, em parte por causa da forma particular como os alemães olham para a economia, por causa da ideologia conservadora, e porque agiu no seu próprio interesse egoísta de credor em vez de no interesse europeu alargado. A UE sempre funcionou com a Alemanha integrada nas instituições europeias, mas aqui, a Alemanha tentou redesenhar a Europa no seu próprio interesse. É por isso que temos uma Alemanha quase-hegemónica, o que é muito destrutivo”.

O economista defende para Portugal “uma reestruturação dos bancos, um perdão de dívida tanto pública como privada, é preciso investimento do Banco Europeu de Investimentos (BEI), dos fundos estruturais da UE e através dos ganhos de um perdão de dívida que reduza os pagamentos dos juros”.

Não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos
Para Philippe Legrain, “não é verdade que os aumentos salariais no sul da Europa foram excessivos nos anos pré-crise. Em termos de peso no PIB, os salários até caíram. Por isso não é verdade que esta foi a causa da crise, não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos. Só que esmagar salários provoca o colapso do consumo, agrava a recessão e agrava o peso da dívida, porque se os salários baixam, é mais difícil pagá-la. Tudo isto é baseado no erro de concepção alemão de que os custos salariais são uma coisa má e têm de ser reduzidos, quando, de facto, deveriam ser tão altos quanto possível, desde que justificados pela produtividade”.

(Sugestão de Jorge Morbey)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

[9874] - AS FRONTEIRAS DO CONHECIMENTO...

KANT E OS LABIRINTOS DA LINGUAGEM

     Muitas vezes nos queixamos de ler um tratado de filosofia e chegar ao fim com a sensação de que a experiência foi uma viagem por um mundo complexo e mirabolante de palavras, porventura seduzidos pela densidade da dialéctica, mas com pouco ou nenhum proveito gnosiológico. Deparamo-nos com uma linguagem abstracta, confusa, com aparentes lapsos de congruência e conexão interna, como se ela, a linguagem, deixasse de ser um rigoroso instrumento de mediação com o real. 
     Em grande parte dos casos, fica a impressão de que a matéria lida pode ser consideravelmente reduzida e simplificada sem prejuízo da integridade do conceito que nela se inscreve. É então que me pergunto se a matemática, de mãos dadas com a sintaxe, não pode ajudar a clarificar uma ideia atinente a uma questão filosófica contida num extenso e denso texto. Não é a matemática a ciência do raciocínio lógico, que utiliza padrões de linguagem e conjecturas para, através de deduções rigorosas, formular uma verdade? No entanto, aceito que se conteste este tímido postulado com o argumento de que a filosofia, ciência de pensar sobre o pensamento, é, pela sua própria natureza livre e fluída, insubmissa a padrões de mensuração e quantificação de linguagem.
     Acontece que um amigo meu tem, como eu, dificuldade em penetrar na linguagem de Kant e acha que, com um trabalho de corte e lapidação do estendal de palavras das suas teorizações, se pode facilitar a apreensão dos seus conceitos filosóficos. Em boa verdade, ele reconhece que com a simplificação se pode perder a beleza dos raciocínios eruditos sobre conceitos que só estão ao alcance de uma mente divina, mas que em compensação haveríamos de perceber a filosofia mais escorreitamente, mercê da escrita enxuta e da transparência dos raciocínios. 
     Salvo melhor entendimento, creio que a moda dos raciocínios longos e labirínticos foi introduzida pelos antigos filósofos gregos, de quem herdamos as dúvidas e as respostas possíveis. E por que é que assim procediam? Se calhar porque se sentiam mais próximos do Olimpo, talvez ambicionando a condição de semideuses. Daí presumirem-se, mediante o fraseado erudito e algo codificado, detentores de um privilégio inacessível ao frequentador comum das ágoras. 
     Como a exemplificação prática é sempre meio caminho andado para a compreensão de um raciocínio, o meu amigo pôs de lado a tibieza e deu-se ao trabalho de uma breve demonstração. Admitindo ele que Kant escrevia virado especialmente para interlocutores do seu estatuto intelectual, entendeu não ser descabido tentar desmontar as peças da sua linguagem para as reposicionar segundo uma ordem e mecânica que facilitem a intelecção dos seus raciocínios. Deste modo, pegou aleatoriamente numa página da “Crítica da Razão Pura” de Kant e fez aquilo que eu considero uma “tradução”. Ou seja, meteu parênteses em expressões redundantes e fraseologia divagante, logo inúteis; referenciou os apartes e excrescências verbais, logo dispensáveis. De seguida, fazendo como os matemáticos, desembaraçou dos parênteses, e como os lacónicos, eliminou os excessos referenciados. Em linguagem mais corrente, dir-se-á que eliminou a palha para tentar chegar ao fruto. O resultado foi, efectivamente, um texto mais reduzido e… mais compreensível. Sim, mais compreensível, mas não completamente joeirada de sinuosidades. Porque eu até penso que ele poderia ter ido mais longe no corte e na lapidação. O resultado poderia ser um texto de conteúdo um pouco mais entendível. Ou talvez não…
     Pode passar a ideia de que eu e esse amigo embirramos com o grande sábio, mas não é verdade. Pelo contrário, sentimos por ele uma irresistível e enigmática atracção, talvez a ânsia de partilhar os domínios divinos por ele frequentados, o que explica precisamente a razão por que volta e meia revisitamos os seus escritos, embora a perder-nos sempre nos mesmos tortuosos corredores. 

Tomar, 31 de Outubro de 2016
Adriano Miranda Lima

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

[9814] - NO REINO DE DELFOS...



PITONISAS DA NOSSA ECONOMIA

  Quem assiste, todas as semanas, no canal TVI 24, às dissertações de um conhecido analista do estado da economia e das finanças de Portugal, tende a dar-lhe razão dentro do princípio de que 2+2=4. A matemática elementar, sustentando gráficos e valores numéricos repetidos ad nauseam, ano após ano, parece a única matriz do seu conceito. Mas se o segredo do sucesso se resumisse a esse instrumento de análise, qualquer economista licenciado com 10 valores teria capacidade para governar o sector. O axioma só não surte efeito porque, no dizer do analista, temos sido governados por “criminosos loucos”. Estes seguramente que não desconhecem a matemática, mas a ilustre figura deve supor que, ungidos pelo diabo, têm o sortilégio de subverter a soma de 2 + 2 para valores estranhos e distorsivos.
     Não é preciso muito esforço para perceber a insinuação mal disfarçada: as nossas dificuldades financeiras se devem às liberdades cívicas do regime democrático. É particularmente sobre esta II República que ele descarrega a sua verrina quando fala de “criminosos loucos”. E é implícito que absolve das malfeitorias nacionais o ditador Salazar, que soube destronar os “criminosos loucos” do seu tempo para que as contas públicas se reconciliassem com a normalidade tranquila da matemática. Mas para protegê-la com grades de ferro Salazar teve de suprimir a oposição, de domesticar o parlamento, de extinguir a liberdade de opinião, de acabar com os sindicatos, de criar uma polícia política, de construir uma colónia penal em Cabo Verde. Nada mais simples, e só os “criminosos loucos” é que não se lembraram nem se lembram do Ovo de Colombo descoberto por Salazar. Com aquele governante, as contas foram postas no seu devido lugar e o país entrou numa era de paz… de cemitério: sem progresso material, sem infra-estruturas, sem indústrias evoluídas, sem promoção da instrução, sem segurança social, sem protecção à infância e à velhice. 
     Bastou o retorno da democracia em 1974 para que as nossas contas se descontrolassem, tudo por culpa dos “excessos revolucionários” cometidos, como sentencia o analista e, obviamente, merecendo aqui a nossa concordância. Só que aqueles “excessos” tiveram a virtude de instituir o direito de todos os portugueses à segurança social, à saúde, ao ensino e à cultura, eliminando ou atenuando a gravidade de situações de abjecta e confrangedora pobreza.
    Posto isto, começa a desenhar-se no espírito do leitor a sugestão de que a economia será algo muito complexo nos seus meandros para se poder consertar com duas marteladas de matemática. Sim, a economia não é uma ciência exacta. Ramo das ciências sociais, depende, como tal, de variáveis que não é fácil quantificar e por vezes até identificar com linear clareza. São do domínio do comportamento humano e social, onde a imprevisibilidade e a incerteza são de tal grau que muitas vezes conseguem deitar por terra as estimativas e previsões mais sofisticadamente calculadas. Mais ainda porque aquelas variáveis são normalmente interdependentes, obnubilando a percepção da sua complexidade, não só por interferência de fenómenos sociais internos como de dinâmicas exteriores não controláveis pelos governos.
     Contudo, a pessoa em causa não é o nosso único oráculo nesta delicada e difícil matéria. O canal SIC tem outro senhor de certezas inabaláveis e irrevogáveis. Estes dois são os de maior visibilidade porque desde há anos vêm usufruindo de um exclusivo privilégio nos respectivos espaços mediáticos, sem terem contraditório que se veja. Um foi ministro durante ano e meio e o que consta de mais saliente na sua governação foi ter negociado um empréstimo aos EUA, por culpa de anteriores “criminosos loucos”, cuja concessão exigiria a primeira intervenção do FMI no país. No entanto, enquanto ministro ele não fez escola nem deixou, que se conheça, qualquer receita infalível para o sector. O outro é apenas jornalista, com licenciatura em economia, nunca tendo exercido qualquer cargo público ou privado que assinale os seus méritos e constitua background da ciência virtual que amiúde despeja no canal televisivo que lhe dá guarida.
     Direi que são ambos as principais pitonisas da nossa economia, de entre outras menos notadas e de mais esparsa intervenção. Por que não são chamadas a salvar a pátria estas pessoas que se mostram tão compenetradas dos seus argumentos, tão cientes da infalibilidade dos seus cálculos, dos seus juízos e dos seus prognósticos? Bem, admito que não desejarão qualquer prova real das suas capacidades, a não ser com uma hipotética supressão da democracia, pois caso contrário teriam de se confrontar com as mesmas adversidades e condicionalismos por que passaram ministros de alto gabarito académico e grande traquejo como Sousa Franco, Silva Lopes, Vítor Constâncio, Miguel Cadilhe, Hernâni Lopes, Jacinto Nunes e outros. Ou será que estes merecem ser mimoseados com o tratamento de “criminosos loucos”?
     Chegado aqui, o leitor terá já intuído ou deduzido que o problema das nossas contas públicas poderá ter, na verdade, alguma relação com a nossa idiossincrasia. Isto é, com a falta de apuro da nossa consciência colectiva para fortalecer a unidade em torno dos grandes objectivos nacionais. Esta é, aliás, a face visível da nossa dificuldade em maximizar as virtudes da democracia, de modo a que ela se torne facilitadora de consensos e maiorias políticas e extirpe à nascença fenómenos (corrupção e evasão fiscal, por exemplo) que corroem a saúde do organismo nacional. As pitonisas em causa certamente que não ignoram o fundo sociológico do problema, mas preferem fazer vista grossa e entreter o pagode com a superficialidade das suas análises.
     Claro que despedir a democracia para viabilizar a resolução dos nossos problemas não deve passar seriamente pela cabeça de ninguém, nem mesmo das pitonisas. Por isso é que lhes fica mal passar a imagem de que são virgens impolutas ou mentes luminosas, enquanto subliminarmente crucificam e execram quem ousa assumir a governação. Tanto mais que as suas análises e conjecturas podem ajudar a dona de casa ou o merceeiro da nossa rua, mas de pouco servem para o esclarecimento da complexidade da ciência económica. Bem se diz que a economia é algo sério demais para ser deixado só aos economistas. 

Tomar, 17 de Outubro de 2016

Adriano Miranda Lima

quinta-feira, 17 de março de 2016

[9023] - A MANIA DAS GRANDEZAS...

Só uma perguntinha: Se a selecção da Guiné-Bissau vai jogar (para já nem sabe se vai...) com o Quénia, em Bissau, por que motivo a selecção tem de ir 'estagiar' a Lisboa? Mania das grandezas na terra de pedintes, é o que é! Vão mas é estagiar em Calequisse!!


Publicada por António Aly Silva à(s) 18:15
in BLOGUE "DITADURA DO CONSENSO"...  

quinta-feira, 9 de julho de 2015

[8291] - É FARTAR, VILANAGEM...


Cada pôvo tem o país e os representantes que merece......!!!

Tão amigos do contribuinte…
É mesmo revoltante!!!           
Caros Amigos,  
                   Passou despercebido à maioria da população que andava ocupada (em termos de comunicação social), com a greve da TAP, a peregrinação a Fátima e o campeoanato nacional de futebol (para a trilogia só faltou o fado), o aumento que os deputados concederam aos seus partidos para ter mais dinheiro para gastar no próximo ato eleitoral de outubro. Com efeito, consultando o documento da Assembleia da República (A.R.), ficamos a saber que dos 7.432.062,00€ inicialmente previstos em outubro de 2014, os partidos políticos concorrentes às eleições legislativas de outubro de 2015 irão afinal dispôr de 14.484.303,58€, mais 7.052.241,58€ !!! Coisa pouca…
                   Será que é necessário dispender tanto dinheiro numa campanha eleitoral? O diferencial acima mencionado não poderia ser mais bem gasto noutro sector? Numa altura em que todos os dias se assiste a falhas gritantes na saúde e na educação, por falta de verbas para o dito normal funcionamento, estes sete milhões e picos de euros não mereciam uma melhor aplicação?!?
            Vamos lá colaborar e denunciar esta situação, que dos média mereceu a classificação de “IRRELEVANTE, NÃO DIVULGAR”.                
                     Mas não se trata só disto, os sete milhões a mais, (o dobro), para a  A.R., são trocos. Vejam, os 98 milhões iniciais do orçamento da A.R. para 2015, que já era uma enormidade, acrescentaram mais 27 milhões … uns trocos.  Enfim para aqueles lados não há crise… nem vergonha…
                   E não se esqueçam que tudo isto foi aprovado por unanimidade de TODOS, TODOS OS PARTIDOS. Ninguém, nenhum deputado, levantou a mais pequena objecção. Ninguém se lembrou do aumento de impostos, da redução de salários, do desemprego etc..

São verbas para os  seus partidos, portanto já estão todos de acordo  !!!!!!!
E por este andar, estamos aqui, estamos como a GRÉCIA, a esbanjar tanto para coisas fúteis.

(Autor desconhecido - Colabor. Tuta Azevedo)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

[8268] - A LEI QUASE SECRETA...


Um doente, na semana passada, foi internada no Hospital CUF, mas não levava cheques.... A filha viu-se aflita para resolver o problema e garantir assistência ao pai...

Por sua vez, o Hospital da Luz exigiu 2000€ a outro utente, para ser internado de urgência!

Mas, o que dirá a lei sobre o assunto?

Eis a Lei Sobre o Depósito de Valores nos Estabelecimentos Privadas de Cuidados de Saúde, antes do internamento:

DIÁRIO DA REPÚBLICA em 09/01/2002, Lei nº 3359, de 07/01/2002 -

Art.1° - Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada..

Art 2° - Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado, ao utente internado.

Art 3° - Ficam os hospitais da rede privada obrigados a dar possibilidade de acesso aos utentes e a afixarem em local visível a presente lei.

Art 4° - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Uma lei como esta, ainda do governo de António Guterres e que deveria ser amplamente divulgada, está praticamente escondida da população!

E isto vem desde 2002!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

(6572) - REGIONALIZAR - RESPOSTA A JMN...[2]



QUANDO O DEBATE REGIONALISMO E REGIONALIZAÇÃO MARCA A AGENDA POLÍTICA
B-DESMISTIFICANDO A PROBLEMÁTICA DA REGIONALIZAÇÃO
Como demonstrei no artigo precedente publicado neste jornal (O Modelo de Governador Provincial ou do Municipalismo versus o Modelo de Regiões Autónomas), o reforço do Municipalismo pode ser, a meu ver, inclusivamente muito perigoso em Cabo Verde, podendo engendrar uma miríade de poderes paralelos, com caciques locais dispersos numa mesma ilha, ou seja, o caos político, ao gosto dos centralistas que continuariam a tirar dividendos políticos das querelas intestinas e das guerras fratricidas. O reforço do Municipalismo seria no fim nefasto e alienante para a democracia. É precisamente o oposto que se pretende com a Regionalização, propõe-se caminhar rumo a políticas de maior integração e sinergia nas ilhas e entre as diferentes autarquias, o todo integrado numa perspectiva de desenvolvimento insular ou regional.
 JMN desenvolveu uma argumentação falaciosa alegando que na medida em que ela exigiria revisão da Constituição, a Regionalização é inviável. Ou seja, na sua concepção estática, nenhuma reforma em Cabo Verde é possível por causa da Constituição, que no seu entender deve ser inflexível, imutável e eterna. Outro estafado argumento é o de Cabo Verde ser um pequeno estado insular, com cerca de 500 mil habitantes com  grandes vulnerabilidades e que se encontra num processo revolucionário de desenvolvimento, a tal Agenda de Transformação, pelo que não há condições para a instalação da Regionalização. Recorde-se que estes mesmos argumentos e outros espantalhos eram usados em finais da década de 80 do século passado pela ala conservadora do PAICV contra o pluripartidarismo. A falácia desta argumentação é total, pois nesta óptica o nível de democracia está condicionado pela dimensão e a população (neste caso a Suíça seria o país menos democrático do mundo) ou a riqueza de um país (neste caso os países do Golfo Arábico seriam os mais democráticos do Mundo e a democracia podia-se comprar com uma injecção de dólares).
Esquecendo que foi o autêntico campeão do centralismo e da burocracia, apresenta outro argumento paradoxal, a saber: ‘ Os custos para o funcionamento desta rede de burocracias serão, também, enormes’… ‘E o déficit de recursos tanto a nível nacional como a nível municipal é grande. Ou será que com a criação de regiões multiplicaríamos milagrosa e imediatamente os recursos para construir estradas, portos, aeroportos, cais de pescas e outros equipamentos sociais e económicos e resolver-se-iam os problemas de desemprego em todas as ilhas e municípios’. Todavia, como dois proveitos não podem caber num mesmo saco, a Regionalização terá forçosamente implicações no coração do próprio sistema e do regime, que terá que ser repensado, no sentido do seu redimensionamento e reequilíbrio (talvez esteja aí a razão das resistências à Regionalização), para evitar redundâncias. A criação de parlamentos regionais e de governos regionais implicará uma redefinição, ou mesmo reforma do parlamento nacional, por um lado, e do papel dos municípios, por outro lado, exigindo forçosamente no fim uma reforma constitucional. Para que se possa criar um poder regional dotado de órgãos e parlamentos regionais com custo quase zero para o país, afigura-se, pois, necessário o emagrecimento da Assembleia Nacional e das Assembleias Municipais, com redução do número de deputados nacionais e municipais. A Regionalização vai implicar, pois, a necessidade de um Reorganização Administrativa e Política do país, incluindo Reforma do Municipalismo e do funcionamento do Parlamento Nacional, afigurando-se necessário o emagrecimento da Assembleia Nacional e das Assembleias Municipais, com a redução do número de deputados nacionais e municipais.
Por fim JMN afirma que ‘Ou será que com a criação de regiões multiplicaríamos milagrosa e imediatamente os recursos para construir estradas, portos, aeroportos, cais de pescas e outros equipamentos sociais e económicos e resolver-se-iam os problemas de desemprego em todas as ilhas e municípios’. Esta Agenda de Transformação voluntarista que consiste em pensar que se desenvolve o país somente construindo estradas, portos, aeroportos, cais de pescas, etc, num único ponto do país e sem retornos plausíveis, e sobretudo recorrendo a um endividamento irresponsável, é muito duvidosa, na medida em que nunca se viu os efeitos efectivos desta política numa ilha de S. Vicente (tampouco no resto de Cabo Verde), que atravessa uma das piores situações socio-económicas. Politicamente esta agenda não é sustentável e por variadas razões expostas noutros artigos ela vem sendo posta em causa pelos regionalistas que acusam de ser um vector de Centralismo: a Regionalização, a Descentralização Desconcentração exigem um novo paradigma de desenvolvimento baseado na criação da riqueza nas Regiões. 
A Regionalização pretende precisamente melhorar o funcionamento da democracia e do Estado, aproximando o poder das ilhas e das pessoas, ao contrário daquilo que faz o centralismo, que monopoliza tudo, e que tem empobrecido Cabo Verde de todos os pontos de vista. O povo cabo-verdiano pela sua maturidade e valores civilizacionais merece e tem todas as condições para assimilar uma reforma tão importante como a Regionalização, ancorando assim o país de maneira definitiva no concerto das nações democráticas e evoluídas. 
Concluindo, JMN, o PAICV e o MPD têm que estudar mais a Regionalização e reflectir melhor sobre ela para as próximas declarações. Que não se enganem, a Regionalização implica a criação de Governos Regionais Autónomos, pelo que deve-se atribuir soberania suficiente para que se desenvolvam políticas indispensáveis para a alavancagem do desenvolvimento das Regiões sem peias nem tutelas do poder central.

                                               José Fortes Lopes

  Referências:
1- JOSÉ MARIA NEVES Regionalismo Regionalização e Taticismo Políticos, Facebook
2-JOSÉ FORTES LOPES: O Modelo de Governador Provincial ou do Municipalismo versus o Modelo de Regiões Autónomas. Jornal de São Nicolau, http://www.jsn.com.cv/index.php/opiniao/666-jose-fortes-lopes-o-modelo-de-governador-provincial-ou-do-municipalismo-versus-o-modelo-de-regioes-autonomas
3-ULISSES CORREIA E SILVA: Modelo centralista é um empecilho ao desenvolvimento de São Nicolau (III),
http://www.jsn.com.cv/index.php/entrevista/723-ulisses-correia-e-silva-modelo-centralista-e-um-empecilho-ao-desenvolvimento-de-sao-nicolau-(iii)
4-ULISSES CORREIA E SILVA: “A sociedade civil tem que mostrar poder” (IV) http://www.jsn.com.cv/index.php/entrevista/729-ulisses-correia-e-silva-a-sociedade-civil-tem-que-mostrar-poder-iv