Sucedem-se os "tsunamis" políticos por esse mundo fora... Depois do Brexit inglês, veio o americaníssimo Trump e, agora, desponta Marine Le Pen, favorita à primeira volta das eleições presidenciais de Maio de 2017, em França...E, quando se indaga se os franceses, já agora, não preferiríam Sarkozy, tudo parece indicar que os gauleses, se fôr essa a escolha, preferirão sempre o original, a uma cópia de má qualidade... Marine parece estar na calha!
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
[9487] - O DIABO QUE ESCOLHA...
São poucos os escritores progressistas norte-americanos cujos livros denunciam a estratégia de dominação planetária dos EUA como ameaça à Humanidade.
Diana Johnstone é quase uma exceção. Não é marxista nem revolucionária e acredita nos valores da democracia ocidental. O que critica é o funcionamento da engrenagem do poder, a ambição, a perversidade, a irresponsabilidade, o belicismo da elite oligárquica que no seu país controla o sistema e define a sua relação com o mundo.
Ligada aos Verdes, colaboradora de Counterpunch, especializada em temas políticos europeus, Diana (81anos) reside em Paris e a maioria das suas obras foi escrita em França.
O seu último livro, Hillary Clinton Rainha do Caos [1] tem entre outros o mérito de chamar a atenção para a ameaça potencial que representa para a Humanidade a candidata à Casa Branca que será provavelmente a próxima presidente dos Estados Unidos.
Diana, apoiando-se numa documentação exaustiva, apresenta de Hillary um perfil tão assustador que muitos eleitores norte-americanos podem concluir que ela é mais perigosa do que Donald Trump. O multimilionário texano é um beócio ignorante, xenófobo, racista, ultra reacionário. Conta com o apoio da extrema-direita por defender projetos tão monstruosos como a construção de um alto muro eletrificado na fronteira com o México e a expulsão massiva dos imigrantes ilegais. É uma personalidade megalómana, um irresponsável.
Mas, inesperadamente, Trump critica a corrida às armas, pretende reduzir o Orçamento de Defesa, e melhorar as relações com a Rússia e a China. Discorda do envolvimento dos EUA em novas guerras. Para ele a saída da crise passa pela economia, pela expansão do comércio.
O escritor australiano John Pilger afirma que Hillary é favorável ao emprego de armas nucleares táticas em algumas "guerras preventivas". Seria abrir a porta à destruição da Humanidade.
FAVORITA DO COMPLEXO MILITAR INDUSTRIAL
O livro de Diana Johnstone transcende pelo seu conteúdo e significado os problemas ligados à eleição presidencial.
Grande parte dos seus sete capítulos é dedicada a iluminar o funcionamento de um sistema criminoso, montado por uma oligarquia que aspira a modelar o mundo sob a égide dos EUA. No vértice dessa engrenagem situa-se o Complexo Militar Industrial. O seu poder nocivo já era tamanho que Eisenhower, há mais de meio século, no seu discurso de despedida alertou o povo americano para a sua perigosidade.
O desaparecimento do "inimigo comunista" estremeceu os alicerces da poderosa indústria que produz armas, considerada pelo sistema base da prosperidade nacional.
O governo Truman recusou todas as propostas de desarmamento da União Soviética, que aspirava a uma paz duradoura para reconstruir o país, devastado pela guerra.
A elite do poder estado-unidense decidiu que era imprescindível inventar novos inimigos e desencadear em cadeia guerras para os destruir.
A estratégia agressiva de dominação universal foi o complemento da política imposta pela sobrevivência e agigantamento do Complexo Militar Industrial.
Iniciou-se então um ciclo de agressões bélicas que perdura desde meados do século XX: Coreia, Vietnam, Camboja, Laos, Iraque, Afeganistão, Somália, Iémen, Líbia. O estado neofascista de Israel foi no Médio Oriente o aliado permanente do imperialismo estado-unidense.
Diana Johnstone analisa em pormenor os mecanismos utilizados para anestesiar a consciência dos povos de modo a viabilizar essa estratégia.
As agressões militares são apresentadas como iniciativas humanitárias em defesa da liberdade e da democracia. A fórmula tem sido repetida com êxito, tendo como instrumento um sistema mediático manipulado pelo imperialismo.
Campanhas massacrantes de deformação da história precedem as agressões militares. As "guerras preventivas" são justificadas pela necessidade de destruir ditaduras e tiranos que oprimem os seus povos e ameaçariam "a segurança dos EUA". A demonização dos comunistas do Vietnam, de Sadam Hussein, de Khadafi foi prólogo de intervenções militares que devastaram os países "libertados", matando centenas de milhares de pessoas.
HILLARY FAVORITA DO PENTÁGONO
Hillary aprova o famoso comentário da sua íntima amiga Madeleine Albright sobre o poder das forças armadas dos EUA: "Para que ter toda essa força militar se não a usamos?"
Apoiou, com entusiasmo por vezes, todas "as guerras preventivas" do seu país.
Na juventude foi admiradora do senador Barry Golwater, o caçador de bruxas, ideólogo da campanha de perseguição a intelectuais e artistas acusados de filo comunistas.
Em 1999 foi ela quem convenceu o marido, o presidente Bill Clinton, a iniciar o bombardeamento da Sérvia pela NATO e a expressar solidariedade com a mafia do Kosovo. O esfacelamento da Jugoslávia foi aliás o laboratório de "guerras preventivas" posteriores.
Quando senadora, em 2009, deslocou-se às Honduras para impedir que Cuba fosse readmitida na OEA. Semanas depois, o presidente Zelaya foi metido em pijama num avião e expulso do país. Hillary, então secretária de estado, qualificou o golpe militar de "crise", convidando "todas as partes" a resolver o problema "sem violência". Posteriormente aprovou a fraude eleitoral que "legitimou" o golpe. No seu livro de memórias Hard Choices (Escolhas difíceis) define o seu estilo diplomático como "O poder Inteligente". Esse poder – escreve Johnstone – significa para ela recorrer a todos os meios possíveis para promover a hegemonia mundial dos EUA".
Sionista desde a adolescência, afirmou repetidas vezes que é inquestionável o direito de Israel a assumir-se como "estado judeu".
Hillary defende a tese do "excecionalíssimo americano". Para ela os EUA são uma nação predestinada a salvar a humanidade, a "ultima esperança da humanidade". No cumprimento dessa missão instalaram mais de 600 bases militares em 148 países.
Fiel a essa mundividência qualifica de criminosos os lideres de pequenos países que não se submetem às exigências de Washington. No que toca a Julian Assange, Edward Snowden e o soldado Maning, as suas revelações são para ela "ataques aos Estados Unidos e à comunidade internacional".
Como secretária de Estado de Obama, intensificou a ingerência dos EUA nos assuntos internos de 50 países. Hillary Clinton – escreve Diana – parece estar totalmente convencida de que o progresso do mundo depende de os EUA dizerem a toda a gente como se deve comportar desde a oração até ao quarto".
É uma metodista fervorosa e gosta de rezar em público em grupos de estudo da Bíblia no Prayer Breakfast (Pequeno almoço de oração).A participação nessas iniciativas, promovidas pela Rede de direita Fraternidade, não é, porém, gratuita: custa 400 dólares.
Hillary, com frequência, invocava o genocídio de "povos oprimidos" para justificar as "intervenções humanitárias". Na realidade eram as agressões militares imperialistas que assumiam um carácter genocida, provocando autênticas hecatombes. Assim aconteceu no Afeganistão, no Iraque e na Líbia.
Washington recorreu algumas vezes ao Tribunal Penal Internacional, de cuja jurisdição os EUA aliás se excluíram, para obter a condenação de políticos do leste acusando-os de genocidas. Manipulado, esse Tribunal de farsa, criado ad hoc, julgou entre outros o ex-presidente da Sérvia, Milosevic, acusado de crimes que não tinha cometido, como sublinha Diana Johnstone.
A OBSESSÃO ANTI RÚSSIA
Hillary desenvolveu desde a juventude uma obsessão anti Rússia. O ódio que sentia pela União Soviética sobreviveu à destruição do regime socialista. Foi transferido para Putin.
Durante os mandatos do marido como presidente, empenhou-se na defesa de um projeto de reforma da saúde. Mal concebido e estruturado, fracassou. Ao ser nomeada chefe do Departamento de Estado, esqueceu rapidamente essa frente de luta.
Acarinhada pelos neocons e pelos generais e almirantes do Pentágono, desempenhou então um papel importante em todas as campanhas que precederam agressões militares desencadeadas pelos EUA em defesa dos "direitos humanos". Ao receber a notícia de que Kadhafi tinha sido torturado e mutilado, começou – segundo Johnstone – "a rir em gargalhadas felizes" e exclamou: "Viemos, vimos, ele morreu".
Apoiou com entusiasmo as provocadoras, grupelho russo das Pussy Riot que em frente do altar-mor da Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, bolçaram obscenidades e, cantando em coro, chamaram "puta" ao patriarca da Igreja Ortodoxa Russa.
Quando as moças foram condenadas pela justiça russa, Hillary assumiu a sua defesa e em Nova York publicou no Twitter uma foto sua ao lado das Pussy Riot, de visita à cidade, com uma mensagem: "É ótimo encontrar-me com as fortes e corajosas jovens das Pussy Riot que recusam que as suas vozes sejam silenciadas na Rússia".
Autêntica candidata do Pentágono, Hillary acompanhou com paixão os trágicos acontecimentos da Ucrânia.
Ao saber que Victoria Nuland – "a minha querida porta-voz no Departamento de Estado", como lhe chamava – fora nomeada para assumir o comando da agressiva política de Washington na Ucrânia, Hillary congratulou-se com a escolha da amiga. Posteriormente manifestou-lhe solidariedade ao explodir o escândalo da sua conversa telefónica com o embaixador dos EUA naquele país, Geoffrey Pyatt. Discutiam quem deveria ser colocado no poder em Kiev e Noland e desabafou: "A União Europeia que se foda".
A reação de Hillary ao referendo em que o povo da Crimeia, por maioria esmagadora, decidiu que a Península voltaria a integrar-se na Rússia foi intempestiva e grotesca: qualificou Putin de "novo Hitler".
No conflito que levou à secessão das províncias russófonas do Leste da Ucrânia, Hillary Clinton atribui a Vladimir Putin toda a responsabilidade da guerra civil que assola o país. Não surpreende tal atitude vinda de quem não esconde a sua simpatia pelo partido neofascista ucraniano Svoboda.
Na opinião de Diana Johnstone, "o desempenho de Hillary Clinton como secretária de estado somente foi um grande êxito num aspecto: tornou-a a candidata favorita do Partido da Guerra".
No seu importante livro esboça bem o perfil da mulher que segundo as sondagens pode ser o próximo presidente dos EUA.
06/Junho/2016
[1] Diana Johnstone, Hillary Clinton Rainha do Caos, Editora Página a Página,123 pág., Lisboa 2016 (Queen of caos: The Misadventures of Hillary Clinton, no original inglês).
Miguel Urbano Rodrigues
segunda-feira, 13 de abril de 2015
[8003] - ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS...
Com a entrada de Hillary Clinton na corrida à Casa Branca, subiu para três o número de candidatos à 45ª Presidência dos Estados Unidos da América, cuja eleição terá lugar a 8 de Novembro de 2016.
Para além da esposa do antigo Presidente William J. Clinton, que entra na liça pelo Partido Democrata, do actual Presidente, perfilam-se as candidaturas de dois representantes do Partido Republicado, a saber:
- Ted Cruz, Senador pelo Texas
- Rand Paul, Senador pelo Kentucky
O primeiro é, nitidamente, de ascendência hispânica e, ambos, verberam violentamente a candidatura de Hillary, que rotulam como destinada a constituír-se num terceiro mandato de Obama... Ela, no entanto, demonstra uma serenidade notável e já conseguiu congregar uma legião de mais de um milhão de fãs femininas que, num instante, foram capazes de amealhar a bagatela de 14 milhões de dólares para os cofres da campanha da antiga Secretária de Estado.
Estão, assim, criadas condições para que o Grande Circo da Campanha venha a ser, uma vez mais, uma das mais espectaculares lutas políticas do Planeta, uma peleja em que, como no amor, tudo é permitido!
Os dados estão lançados!
domingo, 12 de abril de 2015
[7992] - O PRINCIPIO DO FIM?!...
Este aperto de mão entre Obama e Castro, sob o olhar sorridente de Ban Ki-moon pode prenunciar o começo de uma nova era para as relações internacionais no Continente Americano, pela acção multiplicadora que parece poder exercer, principalmente, sobre as posições da Venezuela e do Brasil.
Por outro lado, pode, igualmente, ser um passo decisivo para o completo desanuviar das relações USA/CUBA, mau grado a persistente e demagógica resistência dos republicanos norte-americanos...
É convicção generalizada que esta abertura dos USA pode, a prazo, influenciar no sentido de serem concedidas, por parte das autoridades cubanas, provas de verdadeira vontade de democratizar o regime, uma espécie de moeda de troca, com inegáveis benefícios para o dia-a-dia de uma parte muito importante da população da ilha ...
De qualquer forma, este aperto de mão, face ao desconcerto do mundo actual, não deixa de ser uma lufada de ar fresco, uma promessa de melhores dias!
ASSIM SEJA!!!
domingo, 1 de março de 2015
[7835] - TIROS AO LADO...
Para além de um ódio quase visceral pela Alemanha, o Senhor Tsipras vem há semanas alimentando uma campanha conta Portugal e Espanha por, supostamente, os representantes destes países terem tomado posições que dificultaram ou procuravam dificultar as negociações da Grécia com o Eurogrupo...
Da imprensa escrita retirámos os três parágrafos que passamos a reproduzir:
.....
Relatando as negociações em que o país se viu envolvido em Bruxelas, com o Europgrupo e com o Conselho Europeu, Alexis Tsipras aludiu à oposição das forças conservadoras europeias, com Portugal e Espanha à cabeça, e as suas tentativas para “minar” um acordo entre os gregos e os seus parceiros, “assumindo o risco de uma evolução descontrolada” por razões tácticas que têm a ver com a conjuntura eleitoral interna.
.....
Tsipras defendeu o compromisso alcançado pelo seu Governo em Bruxelas, e para contrariar as críticas da facção mais à esquerda do seu movimento referiu o ataque que a chanceler alemã, Angela Merkel, sofreu quando levou o acordo com a Grécia à apreciação do parlamento germânico. “Basta ouvir as críticas dos deputados alemães, que se queixaram das concessões inaceitáveis que foram feitas aos gregos”, observou.
Portanto, há um "eixo-do-mal" luso-espanhol cujos pecados, no entanto, o Senhor Tsipras não enumera nem explica, apenas refere...E, por outro lado, argumenta de forma estranha para satisfazer a asa mais à esquerda do seu próprio partido, com as dificuldades da Chanceler alemã aquando da apresentação do acordo com a Grécia ao seu Parlamento quando, afinal, dos 587 deputados alemães presentes à votação, 542 se pronunciaram favorávelmente a tal acordo...
Cremos existir no discurso do PM grego algum défice de coerência, para alem do que, quem teme as tempestades não deve semear ventos!
O Sr. Tsipras e o seu Partido ganharam as eleições e não estamos aqui a discutir o como nem o porquê... Governa em coligação com uma força politica dos antípodas do espectro político, o que também não é problema nosso...Desejamos, sinceramente, que tenha êxito e consiga retirar o seu país do lodaçal em que os seus pares o mergulharam, ao longo de décadas do mais completo laxismo politico-económico...Em troca, desejaríamos que o Sr. Tsipras não se socorresse de muletas alheias para se equilibrar na subida da escorregadia ladeira que são os compromissos que assumiu com o seu eleitorado... Creio que, até hoje, ninguém fechou a porta ao Sr. Tsipras, que deve concentrar todas as suas energias na resolução dos problemas da Grécia, em vez de se escudar atrás de fantasmas e papões em que já ninguém acredita...
[7830] - A OESTE, NADA DE NOVO...
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| Vladimir Bukovsky |
Assunto: Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky, sobre o Tratado de Lisboa
"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE).
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabe-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovamos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coação, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».. Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (…)
Eu já vivi o vosso «futuro»…"
(Colab. de Veladimir Cruz)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
[7737] - LAPSUS LINGUAE...
João Galamba é um deputado sempre disponível para atender os repórteres da comunicação social de forma fluente e seguro do seu nariz...Mas, como todos os políticos palavrosos, tanto fala que acaba por dar barraca...
Há dois dias, interpelado à saída da sede do seu Partido sobre os resultados das eleições gregas e depois de saudar, efusivamente, a estrondosa vitoria do Syniza, justificou a estrondosa derrota do P.S. da Grécia, ao facto de este se ter aliado à direita...
Claro que o jornalista se terá esquecido de lhe perguntar se não seria de temer que a aliança do Syniza à extrema-direita acabe por, a breve trecho, dar o mesmo resultado...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
[7732] - TEREMOS UM "PREC" GREGO?!...
A VITÓRIA DO SYRIZA (EXTREMA ESQUERDA) NAS ELEIÇÕES GREGAS DE DOMINGO PASSADO, A DOIS DEPUTADOS DA MAIORIA ABSOLUTA, PODE SER RECEBIDA COMO PORTADORA DE ANTICORPOS QUE ROBUSTEÇAM O IMPÉRIO DOS MERCADOS, AS POLÍTICAS NEOLIBERAIS, E O EMPOBRECIMENTO DOS CIDADÃOS.
Nos idos do PREC (Processo Revolucionário em Curso, que ocorreu em Portugal entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975), o Poder foi fortemente disputado. Era o papel de Portugal em África, nos territórios sob soberania portuguesa, mas também o papel de Portugal na Europa. À esquerda, pairava o espectro do Chile de Pinochet. Ao centro e à direita receava-se uma ditadura comunista apoiada pela União Soviética.
Os E U A tinham interesses estrategicos importantes em Portugal e deram um cheirinho do que poderia acontecer, fundeando no Tejo, em frente do Palácio de Belém, nos inícios de 1975, o porta-aviões USS Saratoga, durante a operação Locked Gate-75 da N ATO. Henry Kissinger, Secretário de Estado da Administração Nixon, que superintendeu o golpe militar que derrubou o Presidente Salvador Allende a 11 de Setembro de 1973 e frustrou, com inusitada violência, o projecto de estabelecimento de um regime socialista democrático no Chile, preparou as partituras para o (des)concerto de Portugal com uma abertura sobre a ocupação militar americana dos Açores, com vista à manutenção da Base das Lages.
No caso de os planos americanos darem para o torto, Kissinger engendrou a tese da vacina. Dizia ele que um regime comunista em Portugal acabaria por funcionar como uma excelente vacina para proteger a Europa de semelhante desassossego.
Quarenta anos volvidos, desfeita a União Soviética e com os Estados Unidos da América a aposentarem- se de polícias do mundo, a Europa padece da doideira em que a ilegitimidade democrá tica e incompetência dos líderes que a têm desgovernado a lançaram. A vitória do Syriza (extrema esquerda) nas eleições gregas de Domingo passado, a dois deputados da maioria absoluta, pode ser recebida como portadora de anticorpos que robusteçam o império dos mercados, as políticas neoliberais, e o empobrecimento dos cidadãos. Mas também pode vir a constituir um novo renascimento europeu por apontar aos eleitores o voto inovador em outros partidos que não os designados como pertencendo ao “arco da governação” que se metamorfosaram em polvos assassinos das sociedades em que se implantaram e que merecem intolerância crescente do eleitorado.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
[7566] - A POLÍTICA DO MURRO...
sexta-feira, 24 de Outubro de 2014
EXCLUSIVO DC/PAIGC: Reunião da Comissão Permanente quase acaba em pancadaria...
A última reunião da Comissão Permanente do PAIGC, deu água pela barba ao primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, e quase que ia acabando em pancadaria, envolvendo o Presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassama.
Cassama (contou ao DC quem esteve presente), acusou directamente DSP de nomear 'amigos' para governadores regionais, sem auscultar o partido. Quem evitou que chegassem a vias de facto, foi Baciro Dja, um dos vice-presidentes do partido e vice-primeiro-ministro do actual governo. Cipriano deu murros na mesa, ai se deu...AAS
In: Blogue "Ditadura do Consenso"
sábado, 20 de setembro de 2014
[7433] - O DIA SEGUINTE...
Contrariando as perspectivas mais optimistas da maioria dos observadores, as agências noticiosas dão hoje conta de confrontos, em Glasgow, entre defensores dos SIM e do NÃO, do referendo de quinta-feira...
Creio que a Europa e o mundo, em geral, dispensam uma nova Irlanda do Norte...
Recorde-se que, em Glasgow, o SIM ganhou, embora por escassa margem.
Agora, será de esperar que os escoceses consigam sobreviver às suas diferenças e façam regressar ao seu país o clima de sã convivência que reinou durante a campanha e o próprio plebiscito; protestar, agora, não faz o menor sentido!
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
[7426] - O REINO CONTINUA UNIDO...
O referendo ontem realizado na Escócia deu ao NÃO À INDEPENDÊNCIA uma vitória pela margem de cerca de 5%...
A meu ver, esta vitória pela negativa, acabou por redundar, em termos objectivos, numa vitória dos adeptos da Independência. Efectivamente, as concessões já disponibilizadas pelo Primeiro Ministro britânico para conquistar a simpatia dos adeptos do "status quo" mais as que, certamente, advirão da escassez numérica da vitória, acabarão por significar uma amplificação significativa da autonomia escocesa a níveis impensáveis algumas semanas atrás...
Efectivamente, a estreita vitória do não nas urnas, faz com que o espectro da Independência se mantenha vivo, à espreita de uma nova oportunidade...Até lá, os poderes autonómicos da Escócia não deixarão de se reforçar...
Segundo os especialistas nestas matérias, uma vitória do sim, seria uma viagem sem regresso, enquanto a do não, por tão escassa margem, não passa de um adiamento!
Entretanto, a Europa respira de alívio, em Espanha, na Bélgica, na Itália e até na Alemanha...
terça-feira, 20 de maio de 2014
[6937] - GUINÉ-BISSAU: NOVO PRESIDENTE...
JOSÉ MÁRIO VAZ, economista formado em Portugal, ex-Presidente da Câmara Municipal de Bissau, ex-Ministro das Finanças do Governo deposto em 2012, ex-detido por três dias pelo Ministério Publico quando, em Fevereiro de ano passado regressava de uma estadia de alguns meses em Portugal, eis o novo Presidente da Republica da Guiné-Bissau, candidato de PAIG...A acreditar na impaciência dos militares, que viram o seu candidato derrotado nas urnas, a pergunta que todo o mundo fará, neste momento, será: "até quando?!"...
quinta-feira, 17 de abril de 2014
[6808] - GUINÉ-BISSAU: ELEIÇÕES 2014...
Terminada a contagem dos votos, com as habituais e inevitáveis acusações de roubos e outras falcatruas mais ou menos institucionais, constata-se que o PAIG alcança uma vitória amarga nas legislativas (onde perde 12 deputados) com a conquista de 55 mandatos contra 41 do PRS...
Nas presidenciais, Jomav com 41% dos votos e Nuno Nabiam com 25%, irão defrontar-se numa segunda volta, a 18 do próximo mês.
Registe-se, entretanto, que os escrutinadores terão contabilizado a enormidade de 100.000 votos nulos...
Fonte - Ditadura do Consenso
Fonte - Ditadura do Consenso
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
(6513) - O QUARTO REICH...
A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes.
Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria directamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.
As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.
Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o directório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia.
Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redactor do projecto de Constituição europeia.
É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.
Colab. de Adriano Lima
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
(6216) - U.E. - UCRÂNIA - RUSSIA...
Neste "triângulo das Bermudas" europeu, pergunto-me se nesta "guerra de influências" não estarão a ser lançadas as sementes de uma nova PRIMAVERA DE PRAGA!
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
(6107) -NOTICIAS DE CABO VERDE...
Agora é a vez da UCID - S. Vicente continua sob os holofotes!
António Monteiro acusa governo de esquecer São Vicente!
Para o presidente da UCID os problemas que hoje se vivem na ilha, principalmente o desemprego, são da inteira responsabilidade do governo. O líder da União Cabo Verdiana Independente e Democrática, aproveitou assim a conferência de imprensa, esta sexta-feira, para responder à deputada do PAICV Filomena Martins que tinha dito, esta semana, que a falta de trabalho se devia ao aumento da população.
“São Vicente está com o desemprego nos níveis em que está por causa da não atenção que o governo direccionou à ilha nos últimos anos”, afirmou António Monteiro, “se São Vicente tivesse atenção que merece, nesta altura teríamos era mais pessoas, 120 mil ou 130 mil e todas teriam emprego. Não é uma questão de pessoas. É uma questão de não termos tido atenção nem a tentativa de rentabilizar os recursos que a ilha dispõe”.
António Monteiro culpabilizou ainda o próprio Primeiro-Ministro pelo fim dos projectos turísticos para a ilha. “Se tivéssemos construído esses hotéis, tendo aeroporto e lugar onde alojar os turistas, teríamos hoje em São Vicente muito mais pessoas”. O líder da UCID recordou ainda que muitos jovens estão a sair para a Boa Vista, para o Sal e para a Praia, considerando assim que o argumento do aumento da população não justifica a taxa de desemprego na ilha.
Ainda segundo o presidente da UCID, não se vislumbram grandes alterações para o futuro, até porque, referiu, “temos um orçamento que nada diz sobre como se vai resolver o desemprego e não há um único investimento de raiz na ilha de São Vicente”.
Enviado por José Fortes Lopes
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013
(6080) - O PRINCIPIO DO FIM ?!
A União Nacional para a Independência Total
de Angola (UNITA, maior partido da oposição) considera que o Presidente
angolano, José Eduardo dos Santos, "perdeu a legitimidade para continuar a
governar" e convida-o a renunciar ao cargo.
A avaliação preenche uma das três resoluções aprovadas no domingo na reunião
da Comissão Política do partido, órgão mais importante entre congressos.
Nesta resolução, a UNITA considera que "o regime instalado e chefiado" por
José Eduardo dos Santos "viola impunemente" os direitos fundamentais dos
cidadãos, "sequestra" os tribunais e a comunicação social e "defrauda os
processos eleitorais para subverter a democracia e a legitimidade constitucional
para o exercício do poder político".
Além daquelas considerações, a UNITA acusa ainda José Eduardo dos Santos de
ter transformado o Estado numa "oligarquia corruptora, que desvia os recursos
públicos para acumular fortunas ilícitas no país e no estrangeiro".
Por considerar não existirem "condições políticas nem legitimidade moral"
para José Eduardo dos Santos continuar a governar Angola, "no interesse da paz,
da estabilidade da nação e de uma transição pacífica e inclusiva para a
construção de uma nova república", a UNITA convida o chefe de Estado a renunciar
ao cargo, em mensagem ao parlamento e com conhecimento ao Tribunal
Constitucional (TC).
As restantes duas resoluções aprovadas dizem respeito ao recente acórdão do
TC, assinado por seis dos 11 juízes que integram aquele órgão e que não
reconhece ao parlamento poderes de fiscalização do executivo nem de dirigir
interpelações aos membros do Governo, e à atual situação dos direitos humanos em
Angola.
Fonte - DN-Globo
Fonte - DN-Globo
terça-feira, 1 de outubro de 2013
(5889) - UM PAÍS A MEIO-GÁS...
O Senado dos Estados Unidos recusou uma proposta republicana que evitava o recurso ao chamado "shutdown"...
Wal Street afunda-se, assim, nos meandros de um desacordo que obriga ao encerramento de serviços públicos julgados não essenciais...
Assim centenas de repartições do Estado foram encerradas e mandados para casa muitos milhares de funcionários sem direito a vencimento...
Causa estranheza um sistema politico em que umas dezenas de cavalheiros, cómodamente instalados nas poltronas do poder possam colocar a defesa das suas ideologias políticas à frente dos interesses sociais de milhões de pessoas tudo, em nome da Democracia!
quarta-feira, 31 de julho de 2013
(5667) - O REGRESSO DA RAZÃO...
Devem ter regressado hoje ao seu país os dois agentes da Policia de Fronteiras de Cabo Verde que, desde 12 do corrente, se encontravam em Bissau, impedidos de regressar pelas Autoridades da Guiné-Bissau...
Este imbróglio político é mais um exemplo do caos que reina no antes chamado de "país irmão" que, pela forma como trata agentes da autoridade cabo-verdianos no legítimos desempenho das suas funções, não parece minimamente interessado em tal irmandade...
O que fica deste triste episódio é, infelizmente, um acréscimo de descrédito na instituições guineenses que continuam a actuar de forma prepotente e à margem do Direito Internacional.
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