sexta-feira, 29 de agosto de 2014

[7332] - A NOVA INQUISIÇÃO...

SOB A CAPA DA CRIAÇÃO DE UM CALIFADO PRETENSAMENTE  REGENERADOR,  ESTÁ  IMPLANTADA NO MÉDIO ORIENTE a 
SANTA INQUISIÇÃO DA ERA MODERNA NUMA OFENSIVA CONTRA A PRÓPRIA CIVILIZAÇÃO, TUDO ANTE A COVARDIA INSTITUCIONAL DO CHAMADO MUNDO LIVRE…


Adriano Lima - 30 de Agosto de 2014 às 14:06, disse:

É inacreditável que o chamado mundo livre não mande tocar os sinos a rebate para pôr cobro a isto. Pôr cobro a isto significa mobilizar as nações em ordem a colocarem no terreno forças militares unidas com o objectivo de eliminar de vez esta ameaça à humanidade. Não entendo como as consciências lúcidas assistam a tudo isto e consigam dormir tranquilamente. 
Pergunta-se para que servem as Nações Unidas, qual é a agenda do seu Conselho de Segurança. Pois é… nenhum justo pode fazer de conta de que tudo isto é ficção ou não existe só por não estar no nosso quintal. Mas quem assim pensa se esquece de que os quintais estão hoje em dia cada vez mais contíguos. Na Inglaterra, David Camerom parece ter acordado. Espera-se que o seu alerta penetre nos ouvidos moucos. 
É certo que este problema tem origens e causas que a História pode explicar. Isso percebeu muito bem o Lourenço da Arábia, quando a queda do Império Otomano não foi seguida de uma solução política para o Médio Oriente senão à medida das conveniências da Europa. Mas nada justifica a actual barbárie gratuita, a afronta aos nossos mais elementares sentimentos humanos. Se a História ou a ciência podem ter algumas explicações para certos desmandos e aberrações do comportamento individual e colectivo, as mesmas podem também demonstrar que para fenómenos radicais as soluções podem também ser doseadamente radicais. 
Parece que estamos num ponto em que ou se extirpa o mal ou ele nos liquida a todos. Por vezes, mais vale amputar um membro para salvar o corpo. A decisão reveste grande complexidade do mesmo modo que a solução exige um cuidadoso acerto diplomático e meticulosa articulação de meios e procedimentos. O Ocidente tem de rever as suas cartilhas sobre geopolítica e os seus conceitos sobre democracia, porque uma e outra têm sido fonte de equívocos e mal-entendidos, simples instrumentalização de interesses nacionais egoístas e muitas vezes inconfessáveis. 
Todo este fenómeno do radicalismo Jihadista que está assolar o mundo árabe só ganhou alento com o apoio do Ocidente ao derrube dos líderes de mão de ferro que lhe seguravam as rédeas. Saddam Hussein, Kadhafi, Mubarak, e agora Bashar al-Assad, o último resistente. O Ocidente misturou os pés com as mãos e colocou-nos numa grande alhada ao derrubar, assassinar ou censurar esses líderes. Não foi feita uma atenta auscultação ao radicalismo islâmico. Por isso é que digo que a decisão é complexa porque passa pelo reconhecimento dos clamorosos erros cometidos e pela denúncia dos grandes interesses que à sombra apoiam financeiramente o radicalismo islâmico. Neste âmbito, há que denunciar a hipocrisia política de algumas monarquias árabes do Médio Oriente como a Arábia Saudita. Em suma, o mundo tem de ser de novo arrumado, mas enquanto esse desiderato não é atingido tem de se pôr cobro à violência inaudita e demencial que vem ultrapassando todos os limites da tolerância desta nossa civilização.


5 comentários:

  1. É inacreditável que o chamado mundo livre não mande tocar os sinos a rebate para pôr cobro a isto. Pôr cobro a isto significa mobilizar as nações em ordem a colocarem no terreno forças militares unidas com o objectivo de eliminar de vez esta ameaça à humanidade. Não entendo como as consciências lúcidas assistam a tudo isto e consigam dormir tranquilamente.
    Pergunta-se para que servem as Nações Unidas, qual é a agenda do seu Conselho de Segurança. Pois é… nenhum justo pode fazer de conta de que tudo isto é ficção ou não existe só por não estar no nosso quintal. Mas quem assim pensa se esquece de que os quintais estão hoje em dia cada vez mais contíguos. Na Inglaterra, David Camerom parece ter acordado. Espera-se que o seu alerta penetre nos ouvidos moucos.
    É certo que este problema tem origens e causas que a História pode explicar. Isso percebeu muito bem o Lourenço da Arábia, quando a queda do Império Otomano não foi seguida de uma solução política para o Médio Oriente senão à medida das conveniências da Europa. Mas nada justifica a actual barbárie gratuita, a afronta aos nossos mais elementares sentimentos humanos. Se a História ou a ciência podem ter algumas explicações para certos desmandos e aberrações do comportamento individual e colectivo, as mesmas podem também demonstrar que para fenómenos radicais as soluções podem também ser doseadamente radicais.
    Parece que estamos num ponto em que ou se extirpa o mal ou ele nos liquida a todos. Por vezes, mais vale amputar um membro para salvar o corpo. A decisão reveste grande complexidade do mesmo modo que a solução exige um cuidadoso acerto diplomático e meticulosa articulação de meios e procedimentos. O Ocidente tem de rever as suas cartilhas sobre geopolítica e os seus conceitos sobre democracia, porque uma e outra têm sido fonte de equívocos e mal-entendidos, simples instrumentalização de interesses nacionais egoístas e muitas vezes inconfessáveis.
    Todo este fenómeno do radicalismo Jihadista que está assolar o mundo árabe só ganhou alento com o apoio do Ocidente aos líderes de mão de ferro que lhe seguravam as rédeas. Saddam Hussein, Kadhafi, Mubarak, e agora Bashar al-Assad, o último resistente. O Ocidente misturou os pés com as mãos e colocou-nos numa grande alhada ao derrubar, assassinar ou censurar esses líderes. Não foi feita uma atenta auscultação ao radicalismo islâmico. Por isso é que digo que a decisão é complexa porque passa pelo reconhecimento dos clamorosos erros cometidos e pela denúncia dos grandes interesses que à sombra apoiam financeiramente o radicalismo islâmico. Neste âmbito, há que denunciar a hipocrisia política de algumas monarquias árabes do Médio Oriente como a Arábia Saudita. Em suma, o mundo tem de ser de novo arrumado, mas enquanto esse desiderato não é atingido tem de se pôr cobro à violência inaudita e demencial que vem ultrapassando todos os limites da tolerância desta nossa civilização.

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  2. Depois do caldo entornado o Ocidente já não tem mais soluções. A luta contra o terrorismo levada em tom de Cruzada do Bem contra o Mal foi a solução de Pirro. O caos já está instalado no Médio Oriente, aquilo está podre. Deus nos acuda

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  3. Emendo um erro cometido na redação da seguinte frase:
    "Todo este fenómeno do radicalismo Jihadista que está assolar o mundo árabe só ganhou alento com o apoio do Ocidente aos líderes de mão de ferro… "
    Queria dizer: "Todo este fenómeno do radicalismo Jihadista que está assolar o mundo árabe só ganhou alento com o apoio do Ocidente ao derrube dos líderes de mão de ferro…."
    Faltou, pois, a palavra derrube.

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  4. Notícia que acabei de ler no Jornal i e que se prende com o meu comentário aqui introduzido:
    O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, apelou sexta-feira à formação de uma aliança internacional para travar os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria e evitar a sua expansão para outros países.
    “Nenhum país respeitável pode apoiar os horrores perpetrados pelo Estado islâmico e nenhum país civilizado deve iludir a sua responsabilidade em ajudar a acabar com esta enfermidade”, considerou John Kerry num editorial publicado no diário “The New York Times”.
    John Kerry irá procurar nas próximas semanas apoio junto dos aliados europeus a uma aliança na região mais ameaçada pelos jihadistas, o Médio Oriente, e sublinhou que na batalha “há um papel para quase todos os países” dado que nem todos terão de contribuir com ajuda militar porque é necessária ajuda humanitária ou de informações.
    “Precisamos de uma coligação internacional que use as ferramentas políticas, humanitárias, económicas, de segurança e de informações para apoiar a força militar”, disse.
    “Com uma resposta unitária liderada pelos Estados Unidos e a mais ampla possível aliança de nações, o cancro do Estado Islâmico não poderá expandir-se para outros países”, acrescentou.
    A morte do jornalista norte-americano James Foley às mãos do Estado Islâmico, conhecida este mês quando os jihadistas publicaram um vídeo da sua decapitação, sacudiu a opinião pública e aumentou a pressão sobre Obama para uma intervenção na Síria idêntica à desencadeada no Iraque onde os norte-americanos realizaram bombardeamentos seletivos sobre posições do Estado Islâmico.

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