segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[7336] - O IMPÉRIO DOS IDIOTAS...


Quando ontem cheguei ao Face dei de caras com um largo conjunto de posts, indignados uns, apoiantes outros, relativos à decisão da Câmara Municipal de Lisboa de não restaurar, no Jardim da Praça do Império, em Lisboa, os símbolos criados durante o Estado Novo e respeitantes às colónias.
Na linha da frente da oposição à recuperação desses símbolos encontra-se – de resto outra coisa não seria de esperar – o Vereador José Sá Fernandes.
Segundo comunicado da CML publicado no seu site, o município não irá gastar dinheiro a recuperar símbolos do Estado Novo. O comunicado só pode ter sido escrito por alguém com um qualquer atrofio mental.
Antes de mais, o património não tem ideologia. Se os idiotas por trás desta decisão estão tão preocupados com o facto de serem símbolos do Estado Novo então, por uma questão de coerência, devem demolir toda a zona histórica de Lisboa porque, se formos a ver, foi toda construída quando existia, por exemplo e entre outras coisas, escravatura, religião de Estado e intolerância religiosa, gente a morrer de fome, execuções sumárias e pena de morte e, como durante o Estado Novo, Colónias.
Aliás, se Sá Fernandes e os idiotas que estão com ele tivessem uma réstia de cérebro a funcionar, teriam percebido que a zona se chama “Praça do Império” e foi criada – imagine-se – pelo Estado Novo. Mais. Se querem ser coerentes com o chorrilho de estupidez que largaram sobre isto, então tinham a obrigação de destruir o Padrão dos Descobrimentos (construído durante o Estado Novo, por alturas da Grande Exposição do Mundo Português), destruír a zona ribeirinha de Belém (construída durante o Estado Novo, para o mesmo evento), a zona de pequenas marinas da zona ribeirinha de Belém (construída durante o Estado Novo) e por aí fora.
A História não se recusa. Nem pode. A nossa história, doa a quem doer, é a história de um Império. Fomos um Império desde o Século XV até ao Século XX. Dominámos outros povos, escravizámo-los, explorámo-los. Enriquecemos e empobrecemos. Ajudámos e matámos. É assim a história dos Impérios. É assim a nossa história. Quem tem vergonha da sua história tem, em última análise, vergonha de si. E nós podemos – e devemos – ter vergonha da cambada que nos governa e de darmos demasiada atenção ao futebol, mas não devemos ter vergonha da nossa história.
Quando idiotas não querem recuperar símbolos históricos porque acham que isso os faz ficar bem na fotografia de uma minoria de outros idiotas está mais ou menos tudo dito.
António Costa faria melhor se viesse pôr na ordem a Câmara de que ainda é presidente.
Crónicas do Maldizente – António Ribeiro.

6 comentários:

  1. Há imbecis em todo o lado, sobretudo de dois tipos: os inofensivos e os perigosos. Os inofensivos, como a própria designação indica, não aquecem nem arrefecem; os perigosos, são-no porque para além de imbecis são complexados em extremo, sofrem da doença do "politicamente correcto" (para os partidos ou grupos que os suportam) e, em última análise, são uns enormes saloios... Parece que este é da segunda tiragem. Coitado do rapaz, pensa que pode mudar a história. Julga ele que os que querem lá os brasões das antigas colónias não respeitam as ditas nem as suas independências nem os seus povos. O ignorante acha que aqueles que desejam preservar o modelo de 1940 são uns reaccionários, uns mentecaptos, uns atrasados, coisa que afinal só ele é. Esperemos que o António saiba colocar o infeliz no seu lugar e não o deixe atingir o crime que pretende levar avante. Aliás, o antigo presidente João Soares foi de imediato buscar o notável exemplo de Cabo Verde, país que voltou a colocar nos seus sítios as estátuas que na loucura dos momentos iniciais da independência haviam sido deslocadas. Sem complexos de qualquer espécie. E para terminar, aviso talvez o sujeiteco queira também arrancar da parede o baixo-relevo existente na fachada do antigo BNU na Rua Augusta, onde estão todos os brasões das antigas colónias. Ó António, prega um par de estalos no miúdo, a ver se ele toma juízo... Tens corpo para isso, pá!!! Ou então, para ele não continuar ter ideias "brilhantes" deste tipo, manda-o fazer um estágio para São Vicente, para ele descobrir o que é (neste e noutros aspectos) um povo muitos pontos acima dele...

    Braça com tristeza por ver que ainda há gente assim,
    Djack

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  2. "não continuar a ter"

    Djack

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  3. "Num estagio em S.Vicente" ... ele aprenderia como preservar um Fortim de 1800 e carqueja! Um Liceu dito Gil Eanes a cair de podre... ... Isto não obsta que se considere o edil um palerma! Agora, daí a aprender com Sancente...vai uma distância de milhas...

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  4. Sim, Djack, se calhar ele iria ficar embasbacado ao deparar em S. Vicente com a estátua do Diogo Afonso e os bustos do Camões e Sá da Bandeira, além de outros símbolos não só nessa como em outras ilhas.
    Concordo com tudo o que dizes no teu comentário. O problema de tipos com esta mentalidade, que supõem progressista, é que a sua cabecinha é povoada de equívocos e traumas irresolvidos.

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  5. Exactamente! O João Soares, que nem é dos maiores santos no meu altar autárquico, deu logo o grande exemplo de Cabo Verde. E deu outro, o da estátua de Carmona que foi retirada do topo do Campo Grande mas foi parar ao Museu da Cidade por sua iniciativa, salvando-a da destruição. Eu apresento outro exemplo, ainda estatuário: conta o prpfessor José-Augusto França numa crónica de jornal (depois publicada em livro) que um autarca desejou derreter a estátua de Salazar que estava no pátio do Palácio Foz para fazer um chafariz ou coisa que o valha. Nesse artigo, o ilustre professor insurgiu-se contra o ignorante, dizendo-lhe que ao contrário do que o seu modesto cérebro pensava a estátua não era de Salazar mas sim do escultor Francisco Franco...

    De facto, Cabo Verde (nomeadamente São Vicente) deu rara e salutar lição ao mundo, de como as estátuas coloniais podem conviver com as que recordam heróis autóctenes. Camões vive bem com Baltazar Lopes da Silva, B. Léza não desdenha de Sá da Bandeira e a Cesária do aeroporto sabe que Jorge Afonso lhe deu a possiblidade indirecta de ser cabo-verdiana.

    Abaixo os complexados, abaixo sobretudo os ignorantes como este palerma da Praça do Império.
    Djack

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  6. Corajoso artigo. Saúdo os comentários dos companheiros

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