quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

[7712] - ERA UMA VEZ, ANGOLA - (47)...


Claro que o aparecimento daquela malta, em cuecas, acabou por atrasar a nossa partida: há sempre mais uma palavra, mais um abraço, mais uma recomendação...Tudo isto torna a separação mais dolorosa, antecipa as saudades e coloca-nos um nó na garganta enquanto intimamente nos interrogamos porque razão, afinal, vamos partir, se tanto nos agradaria ficar!
Infelizmente, a vida é feita de pequenas e grandes renuncias e creio que faz parte da construção do nosso "eu" integral essa faculdade de nos darmos à vida com o equilíbrio, nem sempre fácil, entre o sonho e a realidade, entre o desejo e a obrigação entre o lazer e a profissão...Os muitos quilómetros que percorremos na primeira etapa da minha viagem para um novo desconhecido, no mais completo silêncio, denunciavam isso mesmo: o turbilhão de dúvidas que, qual rio caudaloso, me inundava a mente e me corroía as entranhas numa espécie de remorso por ter deixado para trás um punhado de pessoas com quem tinha partilhado as minhas emoções durante tempos inolvidáveis, mas que eu sabia que jamais haveria de rever...
Estava, porem, enganado pois, escassos anos mais tarde, já de regresso ao Mindelo, quis o destino que eu voltasse a estar com com o meu Administrador e amigo, José Eduardo Marques Estaca, infelizmente já falecido...Foi uma feliz coincidência que oportunamente relatarei...

4 comentários:

  1. Eis o atum aqui de novo, embora em cuecas, mas o que interessa é que voltou. E esperemos que retome as visitas à Praia de Bote, de onde, por motivos conhecidos, tem andado arredado.

    Braça com muamba,
    Djack

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  2. Em boa hora, temos a África de volta. O Zito, calma e paulatinamente, vai prosseguindo a sua narrativa. Não avançou muito desde a despedida em cuecas, é verdade, mas isso não importa, porque assim podemos saborear melhor cada momento. Porque naquela África é preciso suspender o tempo para melhor sentir o palpitar do seu coração. Mas é claro que não é só o envolvimento telúrico daquela mamãe-terra que atrai e seduz, pois sem as criaturas que a habitam o quadro ficaria incompleto. As populações nativas melhor do que ninguém, sentem a alma ancorada em cada franja da natureza ali inscrita. Mas aqueles, de fora, que ali chegam e se rendem ao seu encanto, partilhando o seu coração, como o Zito, passam a ser parte integrante do mesmo espírito. Creio que os amigos que foram despedir-se em cuecas e de lanterna na mão a furar a noite, estavam definitivamente imbuídos da alma africana.

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  3. Feliz com esta volta das bons casos e causos, o que demonstra que o amigo está de humor renovado.

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  4. Olá, amigos, sinto-me bem melhor, neste regresso do pesadelo...Os passos serão, ainda, incertos,e curtos, mas a breve trecho o ritmo será retomado muito embora, como judiciosamente o Adriano nota, em África há um maior pendor para a contemplação, como se o tempo se estendesse á dimensão do espaço...Devagar...que tenho pressa!
    Admiro-vos, a todos e gozo, em toda a sua plenitude, cada segundo destes "diálogos" vagabundos, de corações desnudos!

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