quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

[7800] - DARWIN EM SANTIAGO...

HISTÓRIAS SOLTAS
16.Janeiro.1832


Beagle

Tínhamos lançado ferro no Porto da Praia, uma cidadezinha da ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde. O Sr. Darwin disse que a ilha tinha sido expelida do mar por um vulcão. Talvez esperássemos ver grandes florestas cobrindo as montanhas até ao cume. Não era este o caso, todavia. Havia áreas enormes de lava vulcânica negra que, muitos anos atrás, fora expelida do topo da montanha. Agora, a ilha era fria e sem vida e pouca coisa crescia nela. O Sr. Darwin e dois dos oficiais alugaram cavalos e embrenharam se um pouco no interior.
À chegada, já a hora tardia, relatou tudo o que lhe tinha acontecido.
— Sabes, Jorge, que a população nativa nos contou que já não chove há mais de um ano? No entanto existem vales escavados na lava, o que certamente acontece após os aguaceiros ocasionais, quando a água se precipita do cume das montanhas para o mar. Presentemente, os arbustos secos destes vales não têm folhas. É espantoso como a natureza consegue sobreviver nestas condições tão secas e quentes.
No outro lado da ilha, na aldeia de S. Domingos, o cenário muda notoriamente e é belo de verdade.
Chegámos num dia festivo em que a população negra nativa cantava e dançava. Um pequeno ribeiro cristalino atravessa a aldeia e as plantas crescem nas imediações. Tudo é viçoso e verde. Aproveitei a oportunidade para examinar a lava vulcânica. Que maravilha poder observá-la aqui, no sítio a que pertence! Tomei várias notas para o meu livro. Mais tarde vou escrever sobre o assunto aos meus amigos de Inglaterra. E agora, Jorge, aqui está a minha maior descoberta.
― Sr. Darwin, o que é que o senhor meteu aqui dentro?
O Sr. Darwin soltou uma gargalhada sonora...
― É um animal delicioso. Chama-se polvo!

Charles Darwin

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