terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[7815] - O ALUPEK CONTRA-ATACA...

Manuel Veiga
O linguista e coordenador do mestrado em Língua Cabo-verdiana na Uni-CV, Manuel Veiga, disse hoje acreditar que 2015 seja o ano da oficialização da língua materna por ser o ano em que se revisa a Constituição.

 Manuel Veiga, que falava à Inforpress no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna que se assinala hoje , 21 de Fevereiro, adiantou ainda que “pouco a pouco” muita coisa está sendo feita, destacando o aumento de mestrados na língua materna nos últimos anos.
“Em 2014 tivemos oito dissertações de mestrado sobre língua cabo-verdiano, sobre variantes da ilha do Fogo, Maio e Santo Antão. No exterior, saíram também alguns trabalhos sobre o crioulo, o que mostra que se está a trabalhar para a oficialização da língua materna”, sublinhou.
Segundo o antigo ministro da Cultura, para avançar nesse domínio, a nível do governo foi criada uma comissão para as línguas que tem estado a trabalhar numa perspectiva da oficialização da língua cabo-verdiana.
Para seguir o trabalho, salientou o linguista, estão a decorrer aulas na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), tanto sobre a língua cabo-verdiana, como em tradução e técnicas de escrita em crioulo, bem como tradução da Bíblia para a língua cabo-verdiana.
Manuel Veiga referiu-se ainda à política voltada para a educação bilingue que está sendo introduzida pelo Ministério da Educação, mas lembrou que o bilinguismo não é apenas crioulo/português, mas crioulo/inglês ou crioulo/francês.
Questionado sobre a língua que ainda predomina na comunicação na família, língua das tradições orais, principal suporte musical, língua da oralidade e das situações informais de comunicação, mas ainda não língua oficial do ensino, da literatura, dos media, Manuel Veiga adiantou que “pouco a pouco se vai lá chegar e conseguir a oficialização da língua materna”.
No que respeita à educação, o linguista apontou a necessidade de criação de um gabinete que sirva para fazer avaliação da situação sobre o que foi feito e o que deve ser feito.
“Para massificação do ensino do crioulo, vamos precisar de muitos professores, pelo que penso que é necessário promover a formação numa escala maior”, frisou.
Tudo isso, sustentou, para que os efeitos a longo prazo sejam acompanhados por uma “vasta implementação” de condições estruturais direccionadas para a valorização do estudo e do uso do crioulo em todos os campos sociais.
O Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo Cabo-Verdiano (ALUPEC), aprovado com o objectivo de estabelecer um padrão oficial para a língua falada no arquipélago, não obstante as variantes de cada ilha, segundo Manuel Veiga, já mostrou que serve para o avanço da língua materna.
Como recomendações no que respeita ao estudo bilingue, o linguista chama a atenção para o alargamento desse projecto a outras ilhas, e solicita a dinamização da formação dos professores a curto prazo.
Aos políticos, Manuel Veiga alerta pelo facto de que o crioulo é a língua que “nos une” por ser a língua “da Nação global”.

Fonte - Inforpress/Expressodasilhas


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