segunda-feira, 13 de julho de 2015

[8297] - BAÍA-DAS-GATAS...AO DEUS DARÁ!...

Não me é usual tratar questões localizadas, sejam elas geográficas, funcionais, pessoais ou outras, preferindo, isto sim, fazer abordagens abrangentes e de interesse global, no convencimento de que, modesta e despretenciosamente, estarei a contribuir para que assuntos relevantes e de interesse social cheguem aos leitores deste semanário.

Fausto D. Mendes
Baía das Gatas, Ex-Líbris Turístico  e Cultural de São Vicente 

Desta feita, porém, os caros leitores hão-de relevar-me nesta particularização, porquanto é tão gritante quanto injustificado o descaso das autoridades em relação à Baía das Gatas, que ficar mudo e quedo pode querer dizer cumplicidade, pois, como sói dizer-se, quem cala consente.

Parece que a Baía das Gatas só serve para financiar os cofres da Câmara Municipal e... oxalá que seja para isso mesmo, pois os milhões angariados com a venda de terrenos, cujo destino, entretanto, muitas vezes é questionado pelos Munícipes, conjugado com os elevados impostos municipais, parece não são suficientes para, no mínimo, custear a limpeza da zona, fazer arruamentos, repor as areias levadas pelo vento, não obstante tratar-se da única zona, em São Vicente, onde ainda se vai notando construções particulares a nascerem quase todos os dias, mas, também, onde são os proprietários - cada um à sua maneira - a desenvencilharem-se dos pedregulhos e abrirem acessos à sua propriedade.

Baía das Gatas é mãe do filho primogénito dos inúmeros festivais que hoje em dia vão nascendo um pouco por todo o País, conhecido e reconhecido nacional e internacionalmente, e que anualmente atrai àquela praia mindelense conterrâneos e visitantes das mais diversas origens; os milhares de turistas que, quase semanalmente, desembarcam no Porto Grande do Mindelo, são conduzidos, logo após o seu desembarque, pelos Guias àquela praia; particularmente no tempo quente, os Sanvicentinos têm como favorita aquela praia para se refrescarem, encontrando-se muitas vezes fila de carros e, até, gente a pé para agradável convívio.

Mas, chegados a essa linda praia, depara-se com um ar de puro abandono: local público, mesmo para um simples utilização fisiológica, inexistente; os areais de outrora, além de praticamente degradados em terra fina, estão sujos de lama e pedregulhos e nem sequer regatos feitos por ocasião das chuvas do ano transacto são eliminados e as ervas rastejantes são arrancadas; observa-se, com tristeza, o local - onde já estiveram implantados um Restaurante, de qualidade, e vários bangalós - transformado num curral (ainda se fosse de burros entendia-se) de ferros velhos e pedras que, segundo informações, foram deixados por um cidadão estrangeiro que teria adquirido ali milhares de metros quadrados, por tuta e meia, da Câmara Municipal e, sabe-se lá das razões, esta não cumpre o seu dever de tomar medidas que a lei lhe impõe nestas circunstâncias; se se quiser visitar um amigo, particularmente à noite, levará muitas topadas, pois, além de não haver ruas, a iluminação pública atinge apenas uma pequena faixa da localidade; rede de água não existe e os residentes são obrigados a pagar 6000$00 por 5 toneladas de água Auto transportados, isto para quem tem a capacidade para o fazer, pois, quanto aos que não têm essa possibilidade vão mendigando esse bem precioso pelas portas das pessoas; igualmente inexiste uma rede de saneamento.

Entretanto, dos terrenos municipais, duvida-se que exista ainda sequer um metro quadrado que não esteja vendido, com os nossos patrícios vivendo no exterior a construírem as suas bonitas casas para, no regresso, terem um aconchego de descanso; muitos cidadãos estrangeiros estão a levantar bonitas casas, com muita qualidade, quer como investimento, quer para respectiva residência; varias pessoas, trabalhando noutras zonas de São Vicente, particularmente na época quente, preferem deslocar-se àquela praia e ali passar os seus momentos de descanso mais repousantes.

Mas, desculpem que já me ia esquecendo de fazer justiça, porquanto, neste momento, aproximando-se o grande Festival de Agosto, eis que a Câmara Municipal já se mostrou e vai haver a recolha de dinheiro fácil - concessão de metros de terrenos para instalação de barracas, em troco de dezenas de contos, portagens para os milhares de viaturas particulares que por essa altura se deslocam para esta zona, enfim... - justiça seja feita, os nossos Dirigentes Municipais e Nacionais vão estar na Tribuna VIP com bonitos discursos e certamente receberão palmas.

Finalmente, apenas umas perguntinhas: Durante os restantes onze meses seguintes, onde estarão os Responsáveis da Câmara, da Agência Marítima Portuária, da Cultura, do Ambiente, entre outras? Onde estarão os dinheiros assim arrecadados? Será que a linda praia da Baía das Gatas terá a sua parte, para o seu arranjo urbanístico e alegria dos muitos que a procuram no pós-festival? A ver, vamos.

Mindelo, Julho de 2015

2 comentários:

  1. É o actual retrato da ilha de S. Vicente, cuja gestão está entregue a gente incompetente e sem nada que a recomende para cargo público.

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  2. As vezes faço a mim mesmo a seguinte pergunta do porque tanta insistência em querer urbanizar Baía das Gatas duma forma tão intensa, quando são muito remotas alem de caríssima, as possibilidades de construção de qualquer rede de água e de esgota, pelo simples facto de toda ela na sua extensão ser uma pedreira subterrânea . Qualquer 20 ou 30 cm que se escavar encontra-se grande pedregulhos de Basalto. Cada um é que sabe como gasta o seu "Dinheiro"

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