segunda-feira, 11 de abril de 2016

[9113] - MUDAM-SE OS TEMPOS...

Implicitamente, a líder do PAICV demarcou-se do modelo centralista de exercício do poder que o seu partido pôs em prática durante quinze anos de uma governação de que ela própria fez parte. O seu discurso confunde-se com o do MpD antes de 20 de março. Isto é, o que antes era considerado críticas “rabentolas” é agora a política oficial do partido. Mudam-se os tempos…


Surpreendentemente, à margem do Conselho Nacional do PAICV – que reuniu durante dois dias na cidade da Praia -, Janira Hopffer Almada demarcou-se implicitamente do governo de José Maria Neves, de que ela própria foi ministra durante sete anos.

Demarcando-se do modelo centralista praticado durante quinze anos de governação tambarina, Janira veio agora dizer que o seu PAICV defende “mais autonomia, mais descentralização e desconcentração, uma governação em diálogo e um novo modelo do poder local”.

Considerando que o poder local é uma das “maiores conquistas” de Cabo Verde, Janira disse que para o seu partido é “importante” ter “referenciais para o poder local”, nomeadamente em matéria de “boa governação, estribada na eficiência dos serviços, eficácia dos resultados e também na prestação de serviços de qualidade à população, mas também a solução do desafio ambiental e do ordenamento do território”, acrescentando que que “os caboverdianos podem contar com o PAICV” para defender “com ética, princípios e valores Cabo Verde”, sublinhou a líder tambarina. (Cabo Verde Direto)...

Redação | com Inforpress

2 comentários:

  1. Eu sempre pensei que a nova presidente do partido teria uma estratégia eleitoral que mostrasse uma aposta na reforma do Estado e no reordenamento do território. Foi surpresa verificar que ela fez tábua rasa das intenções, ainda que contidas, manifestadas depois da posse das suas funções. É natural que, ao verem o novo governo assumir o processo, não queiram ficar atrás e tencionem ao menos ser parte positiva no consenso que naturalmente será exigível para a aprovação de um modelo de regionalização e da amplitude que poderá ter a descentralização político-administrativa.
    É natural que, finalmente, tenham tido a consciência de que o partido que for o motor de uma grande reforma do Estado ficará na história do país. Está mais que sobejamente demonstrado que sem um novo paradigma da organização do Estado, a economia não sairá do seu estado anémico. E está aí a preocupante dívida pública como a prova mais evidente.

    Abraço

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  2. Para se salvar e com ela o seu Partido, tem de virar as costas aos elefantes, nomeadamente o antigo lider, pessoa que devia ter destituido logo assim que foi eleita lider. Não fez e ficou sem crédito pois consideravam-na "menina de recados". Mas, é jovem e pode salvar-se com o tempo e experiência.

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