sexta-feira, 30 de setembro de 2016

[9734] - JOAQUIM MONTEIRO, PRESIDENCIÁVEL...

Se depender de mim, Joaquim Monteiro será o próximo Presidente de Cabo-Verde...

Joaquim Monteiro tem-me surpreendido...  Ganhou maturidade política, fruto do seu engajamento  nas últimas eleições presidenciais. Com efeito, muitos achavam que Joaquim tinha muita lata em concorrer às eleições de 2012 em pé de igualdade com dois super-candidatos suportados pelos partidos.
Joaquim Monteiro, era visto como um bombo de festa pelo dito irrealismo e utopismo do seu pensamento e das suas propostas.
Mas Joaquim mudou e tornou-se mais realita mais pragmático, ou seja um presidenciável.
A candidatura de Joaquim foi no passado (e tem sido) alvo de chacota por sectores ligadas à elite no poder. 
Todavia lendo as diferentes entrevistas e tomadas de posição sobre temas nacionais, propondo rupturas de um sistema democrático que chegou à exaustão mesmo à nascença, por não ter sido configurado de acordo com a realidade cabo-verdiana, mudei radicalmente a minha oponião sobre o candidato. 
Joaquim é única pessoa que põe o dedo na ferida de um sistema democrático que ninguém percebe.
Não é por conheçer pessoalmente Joaquim. que frequentou a minha casa, tendo eu convivido com ele na emigração durante quase uma década em França, ou por ser da terra dos meus avós, de Coculi, da Ribeira Grande.
Sabia que Joaquim salvara milhares de Cabo-verdianos cercados em Huambo pelas forças da UNITA e em vias de serem liquidados se não fosse a ponte aérea realizada in-extremis com o apoio da Organização das Nações Unidas. Em França, Joaquim Monteiro condenou expressamente o infeliz processo de Reforma Agrária que mergulhou Santo Antão no terror, em 1981.
Joaquim, como candidato, tem levantado inúmeras questões relevantes, votadas ao silêncio pelo candidato actualmente incumbente, ou tratadas com alguma ligeireza pelo outro. Defende, por exemplo o Presidencialismo que é um modelo de governação mais adaptado a uma realidade como Cabo Verde, que deveria migrar para uma Regionalização de tipo federal. Defende o aumento do salário mínimo em Cabo Verde, apesar de utópico, é um idela de justiça social. Defende a revisão da Constituição: “A fórmula é levar o povo a assumir as rédeas governativas do país, sob a forma de referendo. A nossa Constituição terá que ser balizada, terão que ser definidos parâmetros próprios que convirão ao país....Primeiro, a Constituição terá que ser revista, porque não temos um referendo do povo de Cabo Verde. A Constituição cabo-verdiana foi elaborada, ou talvez copiada, de outras Constituições. Não foi referendada pelo povo e a nossa Constituição de futuro e para o futuro terá que ser referendada... Porque, se esta não é a minha Constituição, também não é a Constituição do povo de Cabo Verde.”
Outros defendem com unhas e dentes a constituição como se não fosse um conjunto de ideias escritas por um grupo social no poder.
Portanto se depender de mim Joaquim Monteiro poderá vir ser o próximo Presidente de Cabo-Verde! José Fortes Lopes.

2 comentários:

  1. Estou contigo, José, na tua escolha. Seria uma pedrada no charco, não é? Principalmente se, ganhando o nosso candidato preferido, a primeira medida que ele tomar for a extinção do seu próprio cargo, a efectivar-se, claro, no fim do seu mandato. Este cargo é perfeitamente desnecessário numa terra pobre como a nossa. Devemos adoptar o regime presidencialista, com a representação do Estado ser assumida pelo chefe do governo. A par disso, se o novo presidente da república pressionar os partidos no sentido das profundas reformas de que o país precisa, indispensáveis para a sua sustentabilidade económica, e quiçá sua sobrevivência como país independente, ficará na História das nossas ilhas.

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  2. Pois é, caro Zé, o Djack Monteiro é isso mesmo. Pena é não estarmos preparados para votar em personalidades como o amigo Joaquim Monteiro, pessoa que estimo imenso e conheço desde Lisboa, Paris e Cabo Verde, em luta pelos ideais do PAIGC, tendo-o apoiado quando criou a frente de trabalho em Santo Antão - eu desempenhava as funções de delegado de saúde em S. Vicente e guarda-mor de saúde - para salvar os patrícios no desemprego em ano de seca que, sem isso, estariam em maus lençóis,para não dizer no cemitério.

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