sexta-feira, 4 de novembro de 2016

[9877] - REFRESCAR AS MEMÓRIAS DA REGIONALIZAÇÃO...

RELEMBRANDO A PROMETIDA PROPOSTA DE LEI SOBRE A REGIONALIZAÇÃO DAS ILHAS DE CABO VERDE

Regionalizar as ilhas de Cabo Verde corresponderá à auto classificação das nossas queridas ilhas.
Regionalizar Cabo Verde será o mesmo que criar condições para o desenvolvimento regional de cada ilha numa área do espaço geográfico do país e ou do meio natural, conforme um critério previamente estabelecido com as populações das respectivas ilhas. Essa forma de conceber o espaço em que vivemos será útil para melhor compreendermos algumas das nossas particularidades e a reprodução de fenómenos em ilhas e localidades diferentes.
Um dos critérios a ser utilizado terá que ser o sócio-político e financeiro, empregado na regionalização sócio-económica em qualquer parte do mundo moderno.
Essa classificação terá que ser baseada nos padrões actuais de qualidade de vida e consistência económica entre as ilhas e as suas populações.
Essa nossa regionalização terá ainda que obedecer as fronteiras regionais, ou seja, não poderá ser qualificada apenas baseada nas diferenças sócio-espaciais e no âmbito económico das áreas pertencentes a outra região que pelos vistos foi regionalizada e desenvolvida na base do centralismo/regionalismo doentio.
O nosso processo de regionalização terá também que ser adaptado às transformações políticas e sociais nacionais.
Não podemos continuar com esta mentalidade centrista e arrogante de considerar as ilhas de simples peças do "puzzle", sem significado politico, económico e/ou financeiro.
Há que abolir a bipolaridade existente e deixar de considerar uma, de ilha principal e as restantes de ilhas com economias planificadas, ou seja, sob o total controlo da elite centralista.
As outras ilhas periféricas que continuam subdesenvolvidas, embora todas sejam inseridas anualmente, no sistema nacional dos Orçamentos Geral do Estado de Cabo Verde, não podem continuar abandonadas e para evitar essa desgraça já existente, teremos que regionalizar as ilhas e, atribuir a cada região a sua respectiva responsabilidade politico-económico e social de desenvolver-se de acordo com os padrões nacionais emitidos pelo Governo Central.
Pois, o consequente declínio das restantes regiões do país que continuam fora da jurisdição directa da Capital está à vista desarmada de todos e temos que actuar enquanto é tempo de salvaguardarmos a soberania nacional que já se encontra numa fase de instabilidade.
Além disso tudo, alguns critérios da regionalização do nosso arquipélago precisam ser adicionados, levando a questão para o âmbito puramente económico e social, abandonando por completo o extrato político da questão, de forma a sermos capazes de alcançar um consenso nacional.
Nesta base, a regionalização das ilhas de Cabo Verde terá que ser operada da seguinte forma: as ilhas do país terão que ser agrupadas, de acordo com as potencialidades económicas de cada um de forma a alcançarmos patamares de desenvolvimento que aproximem do desenvolvimento já em destaque na Capital do país, com um intercâmbio constante e amigo entre todas as ilhas e populações de forma a que qualquer habitante de qualquer ilha se sinta cabo-verdeano, seja ele originário ou residente na ilha que acolhe a capital do nosso país.
Teremos que regionalizar as ilhas a norte e sul do arquipélago de acordo com os respectivos factores das suas existentes e potenciais economias.
A regionalização norte a sul do arquipélago não poderá ignorar as realidades de cada região e terá que ser bem analisada e bem concebida, observando os prós e os contras da realidade actual.
É importante considerar que, entre as ilhas ou grupos de ilhas existem certas pluralidades envolvendo ilhas emergentes de economias com potencialidades de industrialização da agro-pecuária e do turismo de montanha "trekking" e outras com potencialidades exclusivas do turismo de praia e sol, sem esquecermos das potencialidades do turismo aquático com ênfase no submarino e o de pesca de laser. Essas potencialidades turísticas bem coordenadas e implementadas poderão muito bem complementar um ao outro, fazendo com que o nosso arquipélago passe a ser um país unido e robusto económica e socialmente.

A Voz do Povo Sofredor
Carlos Fortes Lopes, M.A.

2 comentários:

  1. Sim, é preciso refrescar a memória sobre a urgência deste processo de reforma. Segundo me disseram, o governo está a trabalhar para apresentar um modelo ao Parlamento. Mas também sei que esse modelo será o de região-ilha. Por várias vezes opinei que o modelo mais adequado e mais capaz de garantir a consecução dos reais benefícios desta reforma, é o modelo região-ilhas. Mas vamos esperar para ver o que irá sair.

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  2. Também estou ansisoso para ver a proposta do governo que parace vem a caminho.
    A luta não pára, continuará!!

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