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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

[10035] - CAIS

CAIS
Nunca parto deste cais
e tenho o mundo na mão!
Para mim nunca é demais responder sim
cinquenta vezes a cada não.
Por cada barco que me negou
Cinquenta partem por mim
e o mar é plano e o céu azul sempre que vou!
Mundo pequeno para quem ficou.


Manuel Lopes

COLABORAÇÃO: DJEU

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[10013] - PESSOA



Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que quero…

Fernando Pessoa


(Colaboração Artur Mendes)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

[9910] - SAUDADES DA MINHA CIDADE...


Senti saudades da minha cidade.
MINDELO.
Esta é a cidade que cheira a mar,
Suas iluminadas casas 
Firmes no tempo, 
Lojas antigas de odor baunilha,
Olfacto é memória na 
Minha origem,
Miríade de peixes,
Argentinas escamas,
Seu mercado de peixe, das alvacoras
Contos e coitos,
Lua de prata dos trovadores,
Quaternário compasso 
Morno das Mornas,
Barbearias e espelhos
Tesouras doiradas,
Chovem cabelos de outros mundos,
Flores que brotam a mestiçagem
Violinos em transe falam
Com Deus, cidade de pássaros,
Asas abertas, luz de mulher,
Curvas e montanhas, melaço de cana, 
Sorriso de crianças as seis da tarde,
Minha cidade de dor e beijos,
Casas de lata, palácios e mortos,
Velha cidade, a beira-mar.

Tchalé Figueira
.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

[9500] - MORTE, A MINHA COMPANHEIRA!

QUINTANA


(Para Moysés Vellinho)

Minha morte nasceu quando eu nasci...
Despertou, balbuciou, cresceu comigo...
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequenina rua em que vivi

Já não tem mais aquele jeito amigo
De rir que, aí de mim, também perdi
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce prometida,
Nem sei quando serão nossas bodas,
Se hoje mesmo... ou no fim de longa vida...

E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti...saber que tu existes!

In: A Rua dos Cataventos

segunda-feira, 20 de julho de 2015

[8316] - POESIA DA 3ª IDADE...


"Me olhei no espelho e notei que…
quando a gente envelhece,
o cabelo embranquece,
o osso adoece,
o joelho endurece,
a vista escurece,
a memória esquece,
a gengiva aparece,
a hemorroida engrandece,
a barriga cresce,
 a pelanca desce,
o bilau amolece,
o ovo padece,
 a mulher se oferece …
…e a gente agradece."

Colabor. Djibla


segunda-feira, 29 de junho de 2015

[8258] - POEMA DE LONGE...


Todos os dias, idoso que sou, por onde passo
tenho meus hábitos e também o meu espaço.
Cruzo a velhinha com seu cesto e sua bengala
digna, respeitadora, com o encanto que regala

Adivinha-se pelo que resta, foi duma rara beleza.
e que não perdeu da plàstica natural, de certeza,
pois obra que Nosso Senhor com canivete talhou
nem vagabundo ou médico estético escangalhou

Foi componente da dignissima classe proletária
sempre em frente na defesa da classe operária
sem qualquer tempo para namoro ou de família
pois esses eram necessidades que nunca sentia.

Nunca me deu para aprofundar a sua felicidade
porque idosos merecem respeito pela sua idade
E, se a velhinha chegou a carregar qualquer cruz,
hoje irradia serenidade, humildade e raios de luz.

(Valdemar Pereira)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

[7510] - CRIADA DE DIA, CRIADA DE SERVENTIA...


 
Ess'ali na esquina é Maria dos Dores, a Bia.
Há anos, quando não havia água canalizada
Ela era jovem criada de servir, criada de dia
Carregava a água de Madeiral para morada.
Ela era tão garbosa, agradável, contentinha
Andou pela escola e outros predicados tinha.
Depois, a jovem pretinha cheirando a sabão
Com frescura no corpo, que nunca dizia não
Perdeu sua juventude, a honra e a inocência,
E para com ela, já ninguém tinha paciência.
Chegou a traiçoeira velhice, lançou as raízes
A miséria e a doença nas pernas com varizes.
A vitalidade da sua juventude desaparecia
Já não tinha forças para ser criada de dia.
Sem água canalizada a merda era enlatada
E na calada da noite por ela era despejada.
Como a Bia tinha de ganhar a subsistência
Para não pedir esmola e viver de assistência
Então, na esquina, contava as horas do dia:
às nove horas ia buscar a lata de serventia.

- Valdemar Pereira, Tours, França

domingo, 27 de julho de 2014

quarta-feira, 2 de julho de 2014

[7111] - SOPHIA DE MELLO BREYNER...

 


Ninguém fala melhor de um poeta do que a sua própria poesia!
 
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[7069] - JOSÉ RÉGIO - 1969

 
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
 
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
 
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
 
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
 
Sugerido por Tuta Azevedo


sábado, 7 de junho de 2014

[7004] - POESIA JUVENIL...


O Girassol

O Girassol é mágico!

É como uma flor de alma própria

De pétalas doiradas como o sol

E uma corola castanha como terra

Junta os dois elementos que acho

Mais importantes…

O céu e a terra

Por isso acho que o girassol

Foi abençoado pela Mãe Natureza

Qual é o seu dom?

É o dom de poder seguir o sol

E murchar sem tristeza quando chega a noite…

Maio de 2010


 
Beatriz Barreiro
 
 
...oooOooo...
 
Nota da Gerencia,
Esta bela menina, agora com 14 aninhos, tinha 11 quando, na escola, escreveu este poema, na aula de português, respondendo à solicitação da professora para fazer uma redacção sobre o girassol...A mãe e professora parece terem ficado de boca aberta mas o avô, esse, não estranhou nem um pouco: ele próprio é um poeta de mão cheia pelo que é natural que a neta lhe tenha herdado o dom...Parabéns, Beatriz, parabéns, amigo Adriano Lima!

segunda-feira, 3 de março de 2014

[5712] - A VOZ DO MESTRE...

 

AMIGO
Um dia a maioria irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
Das descobertas que fizemos, do sonho que tivemos,
Dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudade até dos momentos de lágrimas, de angústia,
Das vésperas dos fins- de- semana, dos finais de ano, enfim…
Do companheirismo vivido.
Sempre pensei que a amizade continuasse para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso
Em breve cada um vai para seu lado, seja
Pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe…
Nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices …
Aí os dias vão passar, meses … anos … até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Por isso fica aqui um pedido deste humilde amigo,
Não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouquecia se morressem todos os meus amigos.
Sugerido por A.Mendes

sábado, 21 de dezembro de 2013

(6324) - "BEDJE DE NATAL"..



FILOMENA VIEIRA MANDOU UM PRESENTE DE NATAL - UM BEDJE DE NATAL - PARA ALGUNS DE NÓS...PESSOALMENTGE, ACHEI QUE, SENDO NATAL, NÃO DEVIA SER SOVINA E, ANTES,  PARTILHAR O MEU "BEDJE" COM TODOS VÓS...FELIUZ NATAL!

PRESENTE DE NATAL
No olhar perdido
Do menino
Espelha a tristeza
Vida de luta
Que o destino lhe deu
Menino de criação
Menino de recado
Menino de lavoura
Menino pastor
Partiu para longe
Em busca da vida
De sol a sol
E pela noite fora
Quando o breu é mais breu
E o gargalhar das hienas
Ecoa ao longe
Menino triste
De tenra idade
Não sabe ao certo
Há quantas chuvas
Entristeceu!
Apenas sabe
O que a vida ensinou
O temor do chicote
O frio da noite
E a fome constante...
É Natal
E o menino está triste
Não vê as luzes
Nem as guirlandas
Prefere a magia
Do esplendor das estrelas
Fieis companheiras
Das noites sem breu
Amedrontam-lhe os risos
Dos outros passantes
Lembram-lhe hienas
Em noites de breu!
Dá-me um sorriso
Menino tristonho!
É festa
É Natal
Dá cá tua mão
Em troca recebo
Um olhar lacrimoso
Menino tristonho
Deixou de sorrir...
Ofereço-lhe uma bola
E ele diz-me que não!
Dou-lhe um carrinho
E ele diz-me
Não quero!
E um pedaço de pão?
Também me diz não!
Menino triste
Não sabe brincar?
Não joga à bola?
Não quer comer pão?
E ele diz-me que não!
Não quer um presente?
Ai! Ué! Quero sim!
Mas que presente
Menino tristonho?
Quero um presente
Que ninguém pode dar
Quero um afago
De mil abraços
Quero a ternura
De mil venturas
Quero perder-me
No doce regaço
Da minha mãe!
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

(6056) . O PALÁCIO DA VENTURA...

 
 
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental, in "Sonetos"

quinta-feira, 4 de julho de 2013

(5566) - A CULPA...



A culpa é do pólen dos pinheiros,
Dos juízes, padres e mineiros,
Dos turistas que vagueiam nas ruas,
Das strippers que nunca se põem nuas,
Da encefalopatia esponjiforme bovina,
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina,
A culpa é dos frangos que têm HN1,
E dos pobres que já não têm nenhum,
A culpa é das putas que não pagam impostos,
Que deviam  ser pagos tambem pelos mortos,
A culpa é dos desempregados,
Cambada de  malandros feios, excomungados,
A culpa é dos que têm uma vida sã,
E da ansiosa Eva que comeu a maçã,
A culpa é do Eusébio que já não joga à bola,
E daqueles que não batem bem da tola,
A culpa é dos putos da Casa Pia,
Que mentem de noite e de dia,
A culpa é dos traidores que emigram,
E dos patriotas que ficam e mendigam,
A culpa é do Partido Social Democrata,
E de todos os que usam gravata,
A culpa é do BE, do CDS e do PCP,
E dos que querem o TGV,
A culpa até pode ser do urso que hiberna,
~MAS NÃO SERÁ NUNCA DE QUEM GOVERNA!
(Autor desconhecido)
(Tuta Azevedo)
 


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O PALÁCIO DA VENTURA...


Sonho que sou um cavaleiro andante
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante,
O palácio encantado da ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante,
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas  dentro encontro só, cheio de dor,
Silencio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

POEMA DO...MENTE !

Há um ministro que mente...
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de forma tão pungente
Que a gente julga que ele mente, sinceramente.
Mas mente, sobretudo, impunemente,
Indecentemente,
E mente tão habitualmente, tão hábilmente,
Que acha que, história afora, enquanto mente,
Nos vai enganar, eternamente!

Nota: Não sei quem é o autor...com tal mente!