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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[9991] - NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO...


UMA VISÃO SOBRE A SITUAÇÃO TERRORISTA MUÇULMANA..

Esta é, de longe, a melhor explicação para a situação terrorista muçulmana que já li. As suas referências ao passado histórico são precisas e claras. Não é longa e fácil de entender, em suma vale a pena ler. O autor deste e-mail é o Dr. Emanuel Tanya, um psiquiatra conhecido e muito respeitado.
Um homem, cuja família era da aristocracia alemã antes da II Guerra Mundial, era dono de um grande número de indústrias e propriedades. Quando questionado sobre quantos alemães eram nazis verdadeiros, a resposta que ele deu pode orientar a nossa atitude em relação ao fanatismo:

"Muito poucas pessoas eram nazis verdadeiros ", disse ele, "mas muitos apreciavam o retorno do orgulho alemão, e muitos mais estavam ocupados demais para se importar.
Eu era um daqueles que só pensava que os nazis eram um bando de tolos. Assim, a maioria apenas se sentou e deixou tudo acontecer. Então, antes que soubéssemos, pertencíamos a eles; tínhamos perdido o controle, e o fim do mundo havia chegado. Minha família perdeu tudo. Eu terminei num campo de concentração e os aliados destruíram as minhas fábricas".
Somos repetidamente informados por "especialistas" e "cabeças falantes" que o Islão é a religião de paz e que a grande maioria dos muçulmanos só quer viver em paz. Embora esta afirmação não qualificada possa ser verdadeira, ela é totalmente irrelevante. Não tem sentido, tem a intenção de nos fazer sentir melhor, e destina-se a diminuir de alguma forma, o espectro de fanáticos furiosos em todo o mundo em nome do Islão.
O facto é que os fanáticos governam o Islão neste momento da história. São os fanáticos que marcham. São os fanáticos que travam qualquer uma das 50 guerras horrendas em todo o mundo.
São os fanáticos que sistematicamente abatem grupos cristãos ou tribais por toda a África e estão tomando gradualmente todo o continente em uma onda islâmica. São os fanáticos que bombardeiam, degolam, assassinam, ou matam em nome da honra.
São os fanáticos que assumem mesquita após mesquita. São os fanáticos que zelosamente espalham o apedrejamento e enforcamento de vítimas de estupro e homossexuais. São os fanáticos que ensinam os seus filhos a matarem e a tornarem-se homens-bomba.
O facto duro e quantificável é que a maioria pacífica, a "maioria silenciosa", é e está intimidada e alheia. A Rússia comunista foi composta por russos que só queriam viver em paz, mas os comunistas russos foram responsáveis pelo assassinato de cerca de 20 milhões de pessoas. A maioria pacífica era irrelevante. A enorme população da China também foi pacífica, mas comunistas chineses conseguiram matar estonteantes 70 milhões de pessoas.
O indivíduo médio japonês antes da II Guerra Mundial não era um belicista sadista... No entanto, o Japão assassinou e chacinou no seu caminho por todo o Sudeste Asiático numa orgia de morte, que incluiu o assassinato sistemático de 12 milhões de civis chineses, mortos pela espada, pá e baioneta. E quem pode esquecer Ruanda, que desabou em carnificina. Não poderia ser dito que a maioria dos ruandeses eram "amantes da paz"?
As lições da História são muitas vezes incrivelmente simples e contundentes, ainda que para todos os nossos poderes da razão, muitas vezes falte o mais básico e simples dos pontos: os muçulmanos pacíficos tornaram-se irrelevantes pelo seu silêncio. Muçulmanos amantes da paz se tornarão nossos inimigos se não falarem, porque como o meu amigo da Alemanha, vão despertar um dia e descobrir que são propriedade dos fanáticos, e que o final de seu mundo terá começado.
Amantes da paz alemães, japoneses, chineses, russos, ruandeses, sérvios, afegãos, iraquianos, palestinianos, somalis, nigerianos, argelinos, e muitos outros morreram porque a maioria pacífica não falou até que fosse tarde demais.
Agora, orações islâmicas foram introduzidas em Toronto e outras escolas públicas em Ontário e, sim, em Ottawa também, enquanto a oração do Senhor foi removida (devido a ser tão ofensiva?). A maneira islâmica pode ser pacífica no momento no nosso país, até os fanáticos se mudarem para cá.
Na Austrália e, de facto, em muitos países ao redor do mundo, muitos dos alimentos mais comumente consumidos têm o emblemahalal (o que é permitido por Alá) sobre eles. Basta olhar para a parte de trás de algumas das barras de chocolate mais populares, e  em outros alimentos no seu supermercado local. Alimentos em aeronaves têm o emblema halal, apenas para apaziguar uma minoria privilegiada, que agora se está expandindo rapidamente dentro das margens da nação.
No Reino Unido, as comunidades muçulmanas recusam-se a integrar-se e agora há dezenas de zonas "no-go" dentro de grandes cidades de todo o país em que a força policial não ousa se intrometer. A Lei Sharia prevalece lá, porque a comunidade muçulmana naquelas áreas se recusa a reconhecer a lei britânica.
Quanto a nós que assistimos a tudo isto, devemos prestar atenção para o único grupo que conta-os fanáticos que ameaçam o nosso modo de vida.
Por fim, qualquer um que duvide que o problema é grave e apenas exclua este e-mail sem o enviar, estará contribuindo para a passividade que permite que os problemas se expandam.
Então reenvie esta mensagem! Vamos esperar que milhares de pessoas, em todo o mundo, leiam e pensem sobre isto e também divulguem esta mensagem – antes que seja tarde demais.

Sugerido por Adriano M. Lima


domingo, 13 de novembro de 2016

[9906] - AS CRÓNICAS DE ADRIANO LIMA...

AS “TRUMPALHADAS” DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL AMERICANA

     Penso que na história social dos EUA não há memória do que se viu no “day after” à eleição do novo presidente do país. Com efeito, manifestações ruidosas e atrabiliárias ocorreram em algumas cidades, contestando a eleição de Donald Trump, como que a confirmar o velho adágio: quem semeia ventos colhe tempestades.
     Posto isto, muitos perguntarão o que irá agora na cabeça do próximo inquilino da Casa Branca, quando, uma vez eleito, parece forçar sinais de um comportamento diferente do estilo belicoso, boçal, reles e ordinário que caracterizou a sua campanha eleitoral. De facto, e na aparência, é como se o leão se tenha de repente convertido em cordeiro. Será então caso para indagar o que há de verdade e autêntico no comportamento de Donald Trump. Ele é o rufião da campanha eleitoral ou é o homem que, num ápice, muda a sua pose por finalmente tomar consciência da realidade e da tremenda responsabilidade do cargo para que foi eleito? 
     Ora, não é crível que alguém, ainda mais aos setenta anos, mude de personalidade e de carácter, a não ser por conveniência táctica. Por isso, quando, em súbita pirueta, Trump exterioriza um ar mais apaziguado e compõe um estilo mais contemporizador, reluzindo de urbanidade, pergunta-se se não estamos perante alguém com dotes de actor. Sendo assim, forçoso é reconhecer que o homem não será destituído de astúcia política, como se poderia supor, o que, paradoxalmente, deita por terra a ideia de um estilo populista puro e duro. Vendo a coisa pelo viés da sociologia política, direi, especulando obviamente, que na campanha eleitoral o Trump pode ter usado o tom e o modo que julgava adequados para conquistar o eleitorado que lhe interessava. Ou seja, o eleitorado WASP (branco, anglo-saxónico e protestante) das classes média e média-baixa, visando nomeadamente as cidades industriais decadentes e o mundo rural. Sem este estratagema, moldado pela astúcia e pelo cálculo, fica a dúvida se ele teria conseguido atrair aquele sector da sociedade que foi seguramente decisivo na sua vitória. Caber-lhe-á agora arranjar expedientes para não defraudar aquele segmento social, sem que o que será muito curto o seu estado de graça.
     Isto porque, colocado agora frente à realidade fria dos factos e das circunstâncias, deve estar a passar em revista as promessas eleitorais proclamadas alto e bom som. Sentirá um frio percorrer-lhe a espinha quando pensa na promessa de dar uma machadada na globalização com a taxação substancial dos produtos importados da China e da Europa, sabendo como sabe que aquele país detém a dívida federal dos EUA, de mais de 1 trilião de dólares? Estará a meditar na promessa de retrair a intervenção do seu país como polícia do mundo (NATO), quando sabe que esse papel é indissociável da prosperidade da indústria de guerra americana? Estará a medir o alcance efectivo da sua promessa de maciço investimento público no país, sabendo de antemão que uma medida de natureza keynesiana não se quadra a uma economia aberta e autónoma a nível da política monetária? Isto só para referir três medidas emblemáticas porque outras que foram anunciadas não deixarão de implicar fortemente com a realidade social americana.
      É óbvio que um empresário da estirpe do Trump só pode ter triunfado no mundo de negócios graças ao comportamento racional e não à atitude impulsiva, epidérmica e errática. Assim, quando acusou a candidata opositora de pertencer ao “sistema”, surpreende que a denúncia seja feita por um grande tubarão como ele, já que uma economia genuinamente liberal como a americana não deixa de se entrelaçar na rede dos interesses políticos. De duas uma, ou ele leva até ao fim o seu papel de “outsider” ou não demorará a ser engolido pela dinâmica natural do “establishment” social e política que ele verbera e considera responsável pelo esmaecimento da grandeza do seu país. Seja como for, a grande novidade é este caso de populismo ser personificado por um homem da origem e estatuto social de Trump, ao contrário de outros casos que a História regista. Mas a verdade é que, mesmo que venha a verificar-se uma cambalhota espalhafatosa no seu trajecto, o “fenómeno” Trump não vai deixar de ter repercussões no mundo, a começar pela Europa, em que despontam candidatos do mesmo estilo à espera de subir ao proscénio do populismo. É o Beppe Grillo na Itália, é a Marine Le Pen na França, e são outras mais tendências preocupantes no xadrez político de outros países da Europa, incluindo a Alemanha.
     No entanto, e apesar de tudo, é possível que o Donald Trump não venha a comportar-se como um elefante numa loja de porcelanas. Admite-se que as oligarquias tradicionais do partido Republicano possam, preventivamente, domesticar o animal, segurando-lhe a tromba para evitar que faça estragos irreparáveis. Mas será sempre um “case study” saber como este tipo de populismo vai evoluir numa democracia experimentada e sólida como a americana. Não é fácil adiantar vaticínios, mas, para já, nem tudo será negativo se o Trump representar uma pedrada nesse charco que é globalização desregulada, obrigando a um reacerto das suas regras. 

Tomar, 12 de Novembro de 2016
Adriano Miranda Lima




[9905] - NÃO SEI DO QUE É QUE SE TRATA, MAS NÃO CONCORDO!...


Com o seu som inconfundível, Vitorino vai lançar - ou já lançou - um novo CD com este título genérico... Não deixa de ser um título estranho, transpirando uma espécie de irredutibilidade primária de um qualquer sociopata visceralmente concebido contra tudo e contra todos!
Entrevistado na TV sobre o novo disco, Vitorino explica que, a frase, reteve-a de uma situação ocorrida com um seu antepassado, carpinteiro de profissão que, chegado a uma reunião do Clube da terra já depois de iniciada a sessão, pediu a palavra e disse: "Eu não sei do que é que se trata, mas não concordo!".
Ora, isto dito por um alentejano, sem mais nem menos, só pode significar que o nosso homem já estava farto de ouvir sempre os mesmos, dizendo sempre o mesmo e sempre com os mesmos resultados: nadinha, nem sequer!
Por isso, Vitorino diz que a frase-título, assenta como uma luva nos tempos que correm e nós concordamos com  ele pois, não raro, quando os bla-blá-blá de políticos e para-políticos da nossa e outras praças nos inundam os neurónios, invade-nos uma sensação de "reprise" cinematográfica, uma espécie de nojo ou náusea que, sem duvida se pode corporizar assim... Não sei do que é que se trata mas, definitivamente, não concordo!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

[9888] - O QUE MORREU EM AUSCHWITZ?!


Percorrendo as ruas de Barcelona, de repente descobri a terrível verdade - a europa morreu em Auschwitz... 
Matámos seis milhões de judeus e substituímo-los por 20 milhões de muçulmanos. 
Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade, talento. 
Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido porque produziram grandes e maravilhosas pessoas que mudaram o mundo. 
A contribuição dessas pessoas é sentida em todas as áreas da vida: ciência, arte, comércio internacional e, acima de tudo, como consciência do mundo.
Estas foram as pessoas que queimámos. 
E sob a presunção de tolerância e porque quisemos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devidos à relutância em trabalhar e orgulhosamente sustentar as suas famílias.
Eles explodiram os nossos comboios e mudaram as nossas belas cidades espanholas para o 3º mundo afogando-as em imundice e crime. 
Fecham-se em apartamentos que recebem grátis do governo, planeando a matança e destruição dos seus ingénuos hóspedes. 
E isto, para nossa desgraça, trocámos cultura por inimizade fanática, habilidade criativa para habilidade destrutiva, inteligência para a regressão e superstição. 
Trocámos a procura da paz dos judeus da europa com seu talento para um futuro melhor para seus filhos, o seu determinado apego à vida porque a vida é sagrada, pelos que procuram a morte para pessoas consumidas pelo desejo da morte para si mesmos e para os outros, para as nossas crianças e para as deles. 
Que erro terrível foi feito pela pobre europa. 
Recentemente, a Grã-Bretanha debateu a remoção do holocausto do currículo escolar porque ofende a população muçulmana que pretende que nunca tenha existido. 
Por agora ainda não foi removido. 
No entanto é um presságio assustador do medo que está a dominar o mundo e de quão fácil se está a tornar cada país ceder a esse medo. 
Passaram cerca de setenta anos depois da segunda grande guerra. 
Este mail está a ser enviado como uma corrente em memória dos seis milhões de judeus, vinte milhões de russos, dez milhões de cristãos e mil e novecentos padres católicos que foram assassinados, violados, queimados, mortos à fome, espancados, feitos cobaias para experiências e humilhados. 
Agora, mais do que nunca, com o irão entre outros negando o holocausto, que dizem ser um mito, é imperativo fazer "que o mundo nunca esqueça". 
Este mail pretende atingir 400 milhões de pessoas. 
Seja mais um elo na corrente de memória e ajude a distribui-lo pelo mundo. 
Quantos anos passarão depois do ataque ao “World Trade Center” até dizerem que nunca aconteceu porque ofende muçulmanos nos Estados Unidos?
Se a nossa herança judaico-cristã ofende os muçulmanos, está na hora de fazerem as malas e mudarem-se para o Irão, Iraque ou qualquer outro país muçulmano. 

Sebastian Vilar Rodriguez                                                                                                                  Sugestão de Valdemar Pereira 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

[9784] - MELHORAR O MUNDO...

QUE CAMINHOS SEGUIR PARA TORNAR O MUNDO MELHOR?

     No passado domingo à tarde, assisti num canal televisivo a uma entrevista do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Questionado, afirmou que o mundo em que vivemos é hoje bem melhor do que o foi no passado, apesar das nossas queixas e lamentações. Pode ser verdade, mas o padrão de avaliação envolve parâmetros de vária natureza e depende do quadrante geográfico de quem o faça. A opinião de um europeu ou americano não será seguramente a mesma de um africano ou asiático.
     Ponto assente, isso obriga-nos a revisitar Alvin Toffler, escritor e jornalista americano (Outubro de 1928 - Junho de 2016), autor do best seller “A Terceira Vaga”, quando afirma que a História da humanidade é feita de sucessivas vagas de mudança operadas pelo processo civilizacional. A primeira vaga foi a Revolução Agrícola, a segunda a Revolução Industrial e a terceira a presente era da informação, da cibernética e da robótica, de que somos hoje beneficiários. Em Abril deste ano, Toffler proferiria uma conferência na Reitoria da Universidade de Lisboa, onde desenvolveu a sua teoria sobre aquilo que designou por Quarta Vaga – Bioeconomia, defendendo que a economia não pode mais desligar-se de práticas que ignorem a sua sustentabilidade numa equilibrada relação com o meio ambiente. Terá sido das últimas intervenções públicas do escritor, que faleceria dois meses depois, em 27 de Junho, aos 87 anos.
     O bem-estar que o homem almeja depende, inapelavelmente, da forma como vive e explora os recursos do planeta, como se organiza e como resolve os seus conflitos. As mudanças civilizacionais foram moldando a percepção do homem sobre os modelos de organização política e social e as formas de exercício do poder político. Na Primeira Vaga, o poder era personificado e exercido autocraticamente ou quanto muito assistido por um conselho. A noção de território e o sentimento de consciência nacional progressivamente foram tomando forma e consolidando-se. Na Segunda Vaga, com a Revolução Industrial e o Iluminismo, surge o Estado-Nação e desde logo o poder ganha formas de maior sofisticação, mediante estruturas jurídicas que orientam e regulam o exercício da soberania e a defesa dos interesses nacionais em confronto com outros povos. 
     Hoje, as mudanças determinadas pela Terceira Vaga e a iminência da Quarta Vaga vieram pôr em cheque o modelo das instituições que nos governam desde há séculos tornando-as obsoletas e questionando a sua validade operativa. Embora permaneça o mito das soberanias nacionais, é cada vez mais difícil para um governo tomar decisões com a independência de outrora, sem ter de levar em conta factores exteriores que ganham relevo crescente com o processo de globalização proporcionado pela Terceira Vaga. Talvez seja a razão por que hoje há dificuldade em descortinar líderes de perfis que desejaríamos idênticos aos de um Churchill, de um De Gaulle, de um Roosevelt ou de um Adenauer. Mas estes líderes, transpostos para a nossa época, provavelmente iriam evidenciar as mesmas debilidades e insuficiências que a opinião pública aponta a par e passo aos governantes de hoje. Com efeito, a complexidade dos problemas sociais da actualidade não tem paralelo com o passado. O líder dos estados de direito democráticos não consegue exercer a sua autoridade pessoal sem ser contido pelas constituições ou expedientes jurídicos como as providências cautelares ou pressionado pela opinião pública através dos mais variados meios de comunicação.
     O que é verdade na esfera interna dos estados é particularmente reflexivo nas relações entre os estados e no plano em que se concertam com maior ou menor eficácia as políticas e as estratégias nacionais ou comunitárias. Dentro da União Europeia é cada vez mais nítida a percepção de que as soberanias nacionais se esbatem face às instituições comunitárias e aos desafios da globalização, e isso levanta interrogações, sobretudo nos sectores políticos mais à esquerda. O controlo dos orçamentos e a formatação das principais políticas nacionais obedecem às directrizes e imposições comunitárias. Mas o pensamento futurista de Alvim Toffler leva-nos ainda mais longe fazendo-nos ver que sem uma política mundial devidamente concertada o planeta compromete os seus equilíbrios e pode soçobrar.
     Então, os desafios são inumeráveis sem que as respostas se perfilem por enquanto com a urgência e a clareza desejadas. No seu livro “A Quarta Revolução − A Corrida Global para Reinventar o Estado”, Adrian Wooldridgem e John Micklethwait denunciam a crise da governação do mundo actual e a ineficácia do Estado no Mundo Ocidente, afirmando que é necessário revolucionar o sistema político e apontando caminhos para melhorar o futuro da sociedade humana. É verdade que a globalização trouxe benefícios óbvios ao mundo não obstante reger-se por um viés neoliberal, com os defeitos vários que lhe têm sido apontados, dos quais o mais preocupante é o impacto ecológico negativo em consequência do consumismo desenfreado e da devastação dos recursos naturais. Mas o processo da globalização é imparável e as sociedades humanas têm de se ajustar aos seus impulsos.
     Assim, se os problemas planetários atingem uma dimensão de tal ordem preocupante que não se compadecem mais com a inoperância de estados soberanos fechados em si, incapazes de gerar os melhores consensos no plano internacional, não haverá outra solução senão repensar o seu modelo. Ora, se a economia depende cada vez mais da dinâmica global, é natural que as soberanias tenham de encontrar pontos de convergência em espaços supranacionais onde as decisões políticas se sirvam dos mesmos instrumentos que lograram a agilização e a expansão da economia. A democracia não deixará de ser válida, importante e insubstituível como sistema de governo, mas ela terá de ser transposta eficazmente para as relações internacionais, de par com a diplomacia, aperfeiçoando os seus mecanismos de representatividade, auscultação e sondagem de opiniões, em ordem à melhor concertação de vontades para a melhor solução dos problemas globais.
     Neste processo, a Europa e os Estados Unidos não podem continuar a dar sinais de perderem o pé ante o ressurgimento da Rússia e a emergência das potências asiáticas. Caso contrário, deixará de fazer sentido a opinião de Mario Vargas Llosa quando, ao afirmar que o mundo está melhor, tomava como padrão de referência o Mundo Ocidental.

Tomar, 10 de Outubro de 2016

Adriano Miranda Lima






sexta-feira, 7 de outubro de 2016

[9761] - A TRISTE GERAÇÃO QUE VIROU ESCRAVA...

Mia Couto
E a juventude vai escoando entre os dedos.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguer, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo selectivo dos melhores estágios.
Foram efectivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes...

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam durante a vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém os podia deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que era necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava convencer-se de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer destacar-se na equipa? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram ao aniversário de um velho amigo porque ficaram até às 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a perguntar-se se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias num hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude se estava escoando entre os dedos e que os bónus do final do ano não comprariam os anos de volta.

(Sugerido por Valdemar Pereira)






quinta-feira, 6 de outubro de 2016

[9757] - AS NOVAS VAGAS...

 Uma pitada da História da Humanidade e das perspectivas futuras

Alvin Toffler, educador, escritor e jornalista americano, autor do best seller “O Choque do Futuro”, e de “A Terceira Vaga”, da Ed. Livros do Brasil, Colecção Vida e Cultura, irá ajudar-nos a entender o dia-a-dia, sem necessidade de recurso a tratados de Filosofia.
Muitas das mudanças de hoje não são independentes umas das outras, nem fortuitas. O desmoronamento, por exemplo, da família nuclear, a crise energética global, a emergência de movimentos separatistas, a proliferação de seitas religiosas, o terrorismo islâmico, etc., embora pareçam acontecimentos não relacionados, estão interligados. São, na realidade, partes de um fenómeno muito maior: a decadência do industrialismo e o nascimento de uma nova civilização, a que o autor chama Terceira Vaga, de que somos os filhos, a época que começou com os computadores, a robótica, a comunicação variada e rápida, as energias renováveis, os grandes progressos científicos e sua influência na nossa vida de relação, existência, domínio de doenças, etc.
Alvin Toffler considera a História como uma sucessão de vagas de mudança. Antes da primeira vaga de mudança, a maioria dos seres humanos vivia em pequenos grupos, frequentemente migratórios, e subsistia à base de recolecção, da caça, da pesca e limitadamente da pastorícia. A certa altura, mais ou menos há dez mil anos, a revolução agrária começou, no chamado Crescente Fértil (no Próximo Oriente, a região actualmente em guerra acesa, Iraque, Líbano Turquia, Palestina e Síria), e avançou lentamente através do mundo disseminando aldeias, povoações, terra cultivada e um novo modelo de vida, que descrevi numa série de artigos baseado nas investigações do historiador americano Jared Diamond, no seu famoso livro Armas, Germes e Aço – Os Destinos das Sociedades Humanas.
Ainda essa primeira vaga de mudança não se tinha esgotado no Século XVII quando surgiu a revolução industrial na Europa, que desencadeou a segunda grande vaga de mudança mundial.
Calcula-se que por volta da Revolução Francesa (século XVIII), a Europa ia buscar a energia a 14 milhões de cavalos e 24 milhões de bois, explorando assim fontes renováveis de energia. Até os animais e as pessoas eram “escravos da energia substituível ou renovável”. Em contraste, todas as sociedades da segunda vaga começaram a ir buscar a sua energia ao carvão, gás e petróleo – combustíveis fosseis insubstituíveis -, o que significa que, pela primeira vez, uma civilização estava a consumir o capital da Natureza, em lugar de se limitar a viver dos juros que ela produzia.
Entre 1955 e 1965 começou a terceira vaga, primeiro nos EUA, com o aparecimento dos computadores, os quais vieram revolucionar a nossa maneira de trabalhar e de viver e permitir novas invenções e abordagens da vida numa variedade sem fim de novas tecnologias e descobertas. Todas essas mudanças puseram em cheque as instituições que nos governavam durante séculos tornando-as obsoletas, necessitando de revisão ou substituição. As nossas estruturas políticas e governamentais foram concebidas numa altura em que o Estado-Nação estava ainda a firmar-se; cada governo podia tomar decisões mais ou menos independentes, o que deixou de ser possível hoje, embora mantenhamos o mito da soberania. Esta a razão por que achamos que os líderes actuais são fracos e menos capazes do que os anteriores, como Churchill, De Gaulle, Adenauer, Roosevelt, Kennedy, Margaret Thatcher, os quais, transpostos para a nossa época, pouco poderiam fazer tamanha as diferenças, variedades e inter-relações de problemas, fraqueza da política face à economia e sistema financeiro. O líder de ontem estava livre para exercer autoridade pessoal, sem ser contido pela constituição, pela legislação ou pela opinião pública se assim entendesse, o que não se passa nos nossos dias na maioria dos países.
A expansão da liberdade humana não poderá ser feita pela simples defesa das instituições existentes. Há que inventar outras, como fizeram os pais fundadores há dois séculos. Hoje, nesta nova vaga de progresso, o industrialismo vai ficando para trás nos países altamente desenvolvidos, com transferência ou deslocalização das indústrias muito poluidoras ou desactualizadas para os países do Terceiro Mundo, o que leva a uma desmassificação da sociedade, ao desemprego, instabilidade social e à debilidade dos sindicatos de trabalhadores nos países desenvolvidos, o que explica porque as classes trabalhadora, os sindicatos, os movimentos sociais, etc., estão frágeis, em queda por todo o lado. Em consequência disso, está a ser cada vez mais difícil mobilizar uma maioria ou constituir um governo de coligação, como aconteceu na Itália, Holanda, Grécia e se passa em Espanha. Os consensos são cada vez mais difíceis.
Algumas gerações nasceram para criar, outras para manter uma civilização. As gerações que lançaram a segunda vaga de mudança histórica foram compelidas, por força das circunstâncias, a serem criadoras. Os Montesquieu, Os Mill, os Madison e outros inventaram a maioria das formas políticas que ainda tomamos por certas e correctas. Hoje, enfrentamos a necessidade de criar novas formas da Terceira Vaga, e muitos países estão já a começar a fazê-las. Para que isso avance, devemos desencadear o mais amplo debate público (conferências, programas de televisão, discussões, exercícios de simulação, etc.) acerca da necessidade de subverter as actuais instituições visando a criação de uma nova civilização a que o autor em referência chama de Terceira Vaga.
Claro que a mudança não é fácil por não convir aos que dominam o poder político sujeito à economia e ao sistema financeiro: troçam da democracia directa apodando-a de populismo, resistem à democratização, à descentralização, regionalização e à diversidade, desdenham das preocupações ecológicas e daqueles que não se integram no seu rebanho monolítico. A descentralização não é contra a centralização, não tem um sentido obscuro e não pretende ser um Cavalo-de-Troia. Consiste simplesmente na redistribuição da tomada de decisões para outros sistemas por as actuais sobrecarregarem a centralização a tal ponto que fluxos de informação estão a submergir os decisores políticos centrais.
Não é possível a uma sociedade descentralizar e regionalizar a actividade económica, as comunicações e muitos outros processos cruciais sem, mais cedo ou mais tarde, ser obrigado a descentralizar também a tomada de decisões governamental. Tudo isso exige mais do que mudanças cosméticas em instituições políticas existentes. Implica batalhas maciças sobre o controlo do orçamento, transportes, energia e outros recursos, dado que há milhões de pessoas que se sentem hoje igualmente separadas das instituições dignas do seu respeito, do seu afecto e da sua lealdade. Isto faz-me recordar o desabafo do amigo e economista Manuel Varela Neves no lançamento de um livro meu na Associação dos Antigos Alunos Liceais, em Carnide, de que o mal está nas actuais instituições que necessitam de revisão.

Parede, Setembro de 2016                                                        Arsénio Fermino de Pina
                                                                                                (Pediatra e sócio honorário da Adeco)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

[9698] - AS ESQUERDAS E O DINHEIRO...



Sempre se disse que as esquerdas têm um problema com o dinheiro. A começar pelo facto de não o terem. É natural. Tivessem dinheiro e talvez não fossem esquerdas. Com algumas excepções, as pessoas de esquerda não têm muito. Por isso, quando estão no governo, têm uma atitude ligeira com o dinheiro dos outros. Querem promover a educação, a saúde, a segurança social e as obras públicas, o que é excelente, só que para isso, que custa tão caro, faz falta o dinheiro. Mas, convencida de que a direita tirou aos pobres para dar aos ricos, a esquerda também quer reverter e devolver aos pobres... No entanto, dar é uma coisa. Crescer e distribuir é outra, bem diferente e mais difícil. Mas a verdade é que uma e outra, esquerda e direita, desde 2000, não conseguem investir nem crescer.

Nos bons tempos, gasta-se o que se tem. Nos anos difíceis, gasta-se o que não se tem. Depois, é necessário encontrar dinheiro. As soluções: fazê-lo, pedi-lo emprestado ou ir buscá-lo onde ele está. Portugal está a viver um período desses, dos maus. Só que não se pode fazer dinheiro, o Banco de Portugal e a Casa da Moeda já não servem para isso. Pedir emprestado, é o que se vai fazendo, mas está cada vez mais caro. E quem tem dinheiro ficou exigente: ou não empresta ou impõe condições proibitivas. O que se deve é tanto que só os juros levam os recursos para investimento. Foi aliás por causa de se ter pedido a mais que chegámos onde estamos.

Sobra, portanto, a última hipótese. Ir buscá-lo onde ele está. Em primeiro lugar, entre os capitalistas do mundo inteiro, para investir. Seria o ideal. Só que Portugal não oferece hoje, nem sequer nos últimos anos, boas condições. Não sabe criar incentivos nem atrair investimento. Se não há capitalistas lá fora, é preciso ir ter com os de cá de dentro. E levá-los a investir. Só que... Já não há! Ou quase não há! O capitalismo português acabou. Sobravam uns banqueiros, umas empresas e umas famílias: faliram, estão depenados, levaram o seu dinheiro para outros países ou não têm confiança no regime e no governo. O dinheiro dos bancos já não existe ou está preso pelo BCE. Os bancos já não têm que chegue e precisam dos contribuintes!

Há, evidentemente, o dinheiro dos turistas, mas não é suficiente. Há o dos emigrantes: é bom, apesar de já não ser o que era, mas também não chega para as encomendas. Há finalmente os dinheiros europeus, os famosos "fundos". Esses são excelentes, essenciais há mais de trinta anos, mas o montante já não é o que era. Além disso, estão sob controlo europeu cada vez mais apertado e presos na tenaz burocrática portuguesa. E também em risco de suspensão, dado o mau comportamento financeiro do governo e do país. Os fundos já não são a solução!

Se o que havia fugiu e se não se atrai o que está lá fora, só resta mesmo ir à receita miraculosa dos comunistas, do Bloco e dos socialistas mais nervosos: ir buscá-lo onde está! É há anos a receita infalível. Os dirigentes políticos dos novos aliados do PS sempre o disseram. Ir buscá-lo onde? Aos ricos. Às contas bancárias. Às empresas. Às casas.

O problema é que não há ricos. Ou antes, não há ricos que cheguem. Os que tinham dinheiro já o puseram a recato. E o dinheiro já não chega. Por conseguinte, vamos aos que se seguem, todos os que têm alguma coisa. Passam a ser todos ricos. Por exemplo, para já, aos que têm património de mais de 500 mil euros... Faz-se uma lei sem saber quantas pessoas, quantas casas, qual o rendimento... Não se faz a mínima ideia, o governo não define o que é um rico nem um pobre. É quem convém. E se não chega, arranjar-se-á mais, com os impostos indirectos, antes de se passar aos directos. E a tudo o que vive. Tudo o que tem ou ganha qualquer coisa. Até se chegar aos remediados. Até deixar de haver ricos. Mesmo que então já só haja pobres..

(Pesquisa de Tuta Azevedo)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

[9593] - VOZES DO PASSADO PRESENTE...


É necessária uma política de austeridade. Mas impõe-se que essa política de austeridade não recaia, especialmente, sobre as classes trabalhadoras (...) É preciso que ela se integre numa política de relançamento da nossa economia. Sem isto não há austeridade que valha a pena.
Sá Carneiro em entrevista a «O País», em 3 de Março de 1976.


Portugal Necessita de um Projecto Mobilizador
É tempo de que este país encontre um rumo definido de recuperação e de desenvolvimento.
Somos um país pobre em recursos materiais, mas mesmo os poucos que temos estamos a desperdiçá-los. Somos ricos em recursos humanos que se encontram abandonados.
Só com uma política que em matéria de recursos nacionais privilegie a agricultura e as pessoas, que aproveite todas as potencialidades dos serviços e da indústria, conjugada com uma política de investigação científica e tecnológica, com uma política cultural, com uma política de educação, poderemos sair da situação dramática em que nos encontramos. 

Fartos da Demagogia e do Sectarismo
E os Portugueses? Fartos dos malabarismos que os partidos do poder fizeram para a ele se manterem agarrados, fartos da demagogia e do sectarismo, correspondem a esta crise política com uma atitude de profunda indiferença, que é altamente preocupante em democracia.
(...)
Face a esta crise nacional, face a um país angustiado, desagregado e à deriva, em que se fracionaram os sentidos de solidariedade e de interesse nacional para serem substituídos por uma política do salve-se quem puder, o Povo Português esperava que este debate lhe trouxesse finalmente uma esperança nova de ver os partidos discutirem aqui os verdadeiros problemas nacionais, de ver os partidos reconsiderarem aqui as suas posições, reconhecerem os seus erros, disporem-se a encetar vida nova.
Francisco Sá Carneiro, in 'Assembleia da República (1978)' - (mas podia ter sido hoje.) (in PG)

quarta-feira, 29 de junho de 2016

[9392] - BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA PEDRADA NO CHARCO...


      
     Começou por ser um lago de águas limpas e cristalinas onde Jean Monnet e os seus companheiros Adenauer, Schuman, Churchill e outros gostavam de ver os seus rostos reflectidos. Porém, mais tarde, aquelas águas se foram tornando fétidas, graças ao efeito pernicioso e superveniente de novos e variados afluentes, e, sobretudo, de uma poluição ambiental colectiva antes não imaginável. E é nesta espécie de pântano que acontece o BREXIT, ou seja, uma valente pedrada no charco. Que ninguém esperava e que alguns entendem que pode ser seguida de outras, como admite Wolfgang Münchau em artigo recente publicado no Financial Times.
     Metáforas à parte, passemos a tratar os bois pelos nomes.
     Várias causas podem ser apontadas para explicar o falhanço do projecto europeu, cujos sinais são cada vez menos disfarçáveis. O pano de fundo começou a ser tecido com o fim da Guerra Fria e o advento do Neoliberalismo, quando a lógica do mercado financeiro começou a substituir sem rebuço os ideais de partilha, de solidariedade e de subsidiariedade. Mas o que é intrigante é a União Europeia se ter constituído em perfeita testa de ferro dos novos valores, completamente ao arrepio daquilo que foi o sonho de Jean Monnet. E o curioso é que ele deve ter pressentido este cenário à grande distância quando, em 1972, numa conferência realizada em Lausanne a que deu o título de “L’Europe Unie, de L’Utopie à la Realité”, afirmou que teria sido porventura mais avisado começar pela cultura e não pela economia. Este facto é-nos lembrado pelo Professor Adriano Moreira em artigo publicado no Diário de Notícias no passado dia 22 do corrente mês. 
      O que é particularmente incómodo e desanimador é constatar que os actuais sucessores dos pais do sonho europeu não têm qualquer identidade genética com quem os precedeu no passado. Olha-se para o senhor Dijsselbloem (presidente do Eurogrupo), para o senhor Juncker (presidente da Comissão Europeia), para o senhor Schäuble (ministro das finanças da Alemanha), ou para o senhor Barroso (ex-presidente da Comissão Europeia), entre outros mais títeres do sistema hoje dominante, e o que é que se vê? Gente de duvidosa estirpe política, gente de visão anquilosada, gente ignorante ou insensível à História da Europa; ou se não a ignoram fazem dela autêntica tábua rasa. Com líderes deste calibre, o sonho europeu não podia almejar grandes horizontes, e provavelmente foi esta realidade redutora que Jean Monnet previu em 1972.
     Não vão faltar análises e previsões acerca do BREXIT. Há quem seja de opinião de que os efeitos da decisão dos ingleses serão mais devastadores para a zona euro do que para a sua própria economia interna. Além das suas previsíveis repercussões na coesão política do Reino Unido, e ainda com o ónus de poderem contaminar países onde os nacionalismos estão latentes, como os casos da Espanha e da Bélgica.
     Se não houver forma de regular os referendos sobre a União Europeia, estabelecendo a expressão eleitoral mínima para caucionar qualquer futuro Exit, a União irá ruir como um baralho de cartas. É inacreditável que esta situação não tenha sido anteriormente prevista nos tratados, mediante, por exemplo, a imposição de um mínimo de 70% de votos para caucionar a saída e um limite aceitável para a abstenção eleitoral, uma vez que se trata de situação deveras delicada para a estabilidade da União. Basta lembrar, como veio a público, que grande parte do eleitorado britânico se queixou de insuficiente informação sobre o que estava em causa e também de grosseira e despudorada manipulação eleitoral por parte de algumas forças partidárias concorrentes, designadamente dentro do Partido Conservador.
     No entanto, e apesar da apreensão que nos traz este BREXIT, há quem até pense que a pedrada no charco vai obrigar a União Europeia a reflectir sobre o seu estado e provavelmente a inflectir o rumo que vem seguindo. Isto é, a refundar-se. Mas independentemente deste Exit ou de outros que possam vir a perfilar-se no horizonte próximo, a União Europeia, à vista dos primeiros sinais, desde há muito que devia ter empreendido uma verdadeira autognose para tirar as devidas ilações sobre as causas do pântano contaminado em que se converteu. É quase unânime apontar como a causa mais flagrante do desvio do caminho o que ficou resolvido no Tratado de Lisboa, a partir do qual passámos a ter a Europa dos directórios, ou das chancelarias, em vez da Europa dos cidadãos. Com as vontades soberanas a ficarem na dependência de poderes que não passaram por escrutínio eleitoral, e, por isso, com duvidosa legitimidade democrática.
     Não quero ser alarmista, mas não posso deixar de ser realista e confessar a minha pouca fé no futuro desta União Europeia. (in O Templário).

Tomar, 28 de Junho de 2016
Adriano Miranda Lima







segunda-feira, 27 de junho de 2016

[9379] - IN MEMORIAM DO REGRESSO À DIGNIDADE...


Completam-se, hoje, 40 anos sobre a data da eleição democrática do primeiro Presidente da Republica do pós 25 de Abril, por sinal, o Homem que de forma muito vincada, havia lutado e ajudado a alcançar a vitória da democracia sobre a revolução, o General António Ramalho Eanes...

Hoje, o Homem, o Estadista e a própria História, foram agraciados com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, pelo actual Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.




quarta-feira, 27 de abril de 2016

[9167] - VOZES DE ABRIL...

A recordação do dia em que ousámos sonhar num tempo em que aceitámos deixar de fazê-lo. A comemoração da revolução que derrubou a ditadura num tempo em que a opressão se aperfeiçoou ao cúmulo de se enraizar numa ditadura que brota das próprias consciências adormecidas por bebedeiras de contemporaneidade fútil que catequizam para a ignorância como virtude e para um optimismo alicerçado no nada que tudo relativiza. A celebração da democracia num tempo em que os que mais mandam não foram eleitos por ninguém. Devemos aos heróis de Abril a recordação dos cravos que nos fizeram novamente donos do nosso próprio destino. Aqui estou eu a recordá-los e a agradecer-lhes com estas breves linhas que posso escrever livremente graças ao seu legado, animado pela ideia de que se vive para futuro transformando o presente, como tal, recusando deixar-me domesticar por aquela moda do "temos que ser positivos" atrás da qual se acomodam todos os que se demitem dos seus deveres de cidadania. Quarenta e dois anos depois do 25 de Abril de todos os sonhos, vivemos o pesadelo de uma democracia formal que se deixou subordinar por uma ditadura informal que se manifesta todos os dias, ora impondo tectos à Saúde do nosso presente e à Educação do nosso futuro, ora problematizando a actualização de salários de miséria e não os milhões dos salários dos gestores das rendas garantidas, ora assegurando paraísos onde os lucros feitos do nosso suor e do nosso sangue ficam a salvo de qualquer contribuição para a sociedade que os engordou, ora apresentando-nos a factura de mais um buraco escavado pela delinquência banqueira. O cravo que aqui lhes deixo nasceu há 42 anos, é bonito mas está velho e cansado, precisa de um filho. É a todos nós que nos cabe fazê-lo germinar. Pelos nossos. Também nós um dia seremos recordados. Ou pelos cravos que semeemos, ou pelas ervas daninhas que deixemos crescer na sua vez.

 Filipe Tourais (O País do Burro)


domingo, 10 de abril de 2016

[9108] - A REALIDADE VIRTUAL...

Frei Betto
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso. (Em português do Brasil, no original)

(Colab. Adriano M. Lima)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

[9100] - SER POLICIA, ORGULHOSAMENTE...


... No passado dia 11 de Fevereiro decorreu um pouco por todo o país,
uma marcha/concentração de cidadãos devidamente enquadrados por uma
frente sindical, que a plenos pulmões gritavam contra o fantasma do
endividamento, a famosa crise e suas maleitas.
   A mim, foi-me confiada a missão de zelar por estas mesmas pessoas e ao mesmo tempo fazer por que tudo corresse dentro daquilo que tantas vezes se ouve falar, a liberdade democrática.
Acompanhando a malta Tuga, lá fomos, indo desaguar na Praça do Povo, outrora conhecida por Praça do Comércio, que cantava, berrava e cuspia umas asneiradas, enquanto pelo canto do olho, alguns davam uma mirada, a uma ou outra menina, enquanto emborcavam uma imperial à pressa, porque não podiam largar o cartaz por muito tempo.
   Tudo dentro daquilo considerado normal.    Discursos, apupos, vaias e aplausos, termina a parte oficial.
   Eis senão quando, foi-me dada a ordem de recolher o pessoal, visto que o evento estaria na sua fase de rescaldo. Assim, juntei a malta e, devidamente formados, deslocámo-nos para a nossa viatura para que pudéssemos trincar uma bucha.
    Neste reagrupamento, há um gajo que, encoberto pela multidão, grita:
"Vão trabalhar seus chulos! Parasitas! Filhos da puta! Fascistas! Cabrões!"
Ignorei e dei ordem para ignorar, e fomos à bucha. Devia haver qualquer problema com a minha sande, porque caiu-me mal!
 Eu sei que agora é tarde mas, mesmo assim, a esse covarde e a outros que para aí andam, tenho duas ou três coisas para dizer:
  Vão mas é trabalhar!
  Aqueles a que chamam chulos, ganham 780€ por mês, trabalham 45
horas por semana e que, se somarmos os gratificados, passam para 60,
sendo pois 60 horas semanais.
  Os parasitas trabalham os feriados todos, sim, todos sem direito a
compensação, as noites e os fins de semana sem direito a quaisquer
subsídios, ou pagamento de horas nocturnas, faça chuva ou faça Sol, frio
ou calor...
  Os Filhos da puta, depois de saírem de serviço, vão para tribunal com
o bêbado que podia muito bem atropelar a tua família toda, quando saíste
para ir jantar e celebrar uma merda qualquer que te tenha acontecido.
   Ficam na esquadra a acabar o expediente que segue de manhã para o
Tribunal, com o bando que assaltou à mão armada, ou com o que roubou,
matou, assaltou a farmácia, a ourivesaria, o carro, o puto que vinha da
escola, a velha no autocarro, o 'camone' no eléctrico e por aí fora que, por
mim, bem podias ser tu, a tua mãe, o teu filho ou o teu irmão, que seriam
todos tratados de igual forma.
Os fascistas chamam o reboque quando não consegues sair com o carro,
quando um como tu, abusa da sua liberdade e deixa o carro mesmo na
saída da garagem. Entendes este conceito de liberdade?
   Penso que sim.
   Os chulos abrigam e protegem a mulher, as crianças que levam porrada
de um esterco qualquer, só porque lhe apetece e levam-o a tribunal,  muitas vezes, na hora de folga.
   Os parasitas entram em casas em chamas, enfrentam armas de fogo,
embrulham-se à facada, perseguem a grandes velocidades, lidam com todo
o tipo de doenças, inúmeras vezes contagiosas, e correm de frente para o
perigo, quando todos os outros fogem dali para fora.
   Os chulos saíram do seu seio familiar e social e deslocaram-se, alguns
para mais de 400km de casa, deixando tudo para trás, para fazer vida de
forma honrada sem pedir nada a ninguém. Sem pedir nada a ninguém, sabes o que isso é?
  Os parasitas vivem num estatuto aprovado há mais de dois anos e regem-se pelo estatuto antigo, não conseguem passar um fim-de-semana inteiro com a família, esperam 12 anos por uma promoção (única na carreira de 36 anos) e se quiserem algo mais, concorrem 1300 para 50 vagas.
  Aqueles que insultaste, têm família, trabalham duro, são esforçados e honrados e são só os montes de merda como tu que colocam isso em causa!
  Não! Definitivamente não! Estes mesmos Homens e Mulheres apoiam os idosos que alguém como tu abandonou ao consumo do esquecimento, levam-lhes as compras, mudam-lhes a garrafa do gás e dão-lhes a medicação, apenas em troca de um olhar grato, que justifica tudo.
  Tu apareces quando tudo acaba, para vir buscar o ouro e ficar com as chaves de casa.
  E nós é que somos os chulos!
  Aqueles que olhas com desprezo sabem um pouco de tudo, são Padres, Juízes, Médicos, Socorristas, Bombeiros, Rambos, Psicólogos, Professores, Mecânicos, e se somares isto tudo e mais qualquer coisa tens um Polícia.
  Quando é que vais perceber que só podes falar em liberdade, porque nós existimos?
  Quando é que vais entender que tipos como tu são a razão da minha existência, enquanto profissional?
  Se nós não existíssemos, ias à praia? Ao futebol? Jantar fora? Deixavas os teus filhos ir à escola?
  Quer-me parecer que não.
  Será que não entendes que, ao insultares-me, estás a insultar aquilo que és, um homem livre?
  Tudo isto funciona com o combustível que, com certeza, encontrarás em abundância num qualquer Homem ou Mulher de farda:
  Abnegação, Generosidade, Espírito de Sacrifício e Altruísmo.
  'Googla' estas palavras e saberás a definição, e bom seria que aprendesses o conceito.
  Já hasteei a minha Bandeira à chuva, já a arreei ao som do clarim, já representei a minha Mui Nobre Nação e já chorei a cantar: A Portuguesa!
  Caso não saibas, é o título do nosso hino. Conheço muitos Homens e Mulheres que cozeram a nossa Bandeira no braço, e que fazem de ti uma cabeça de alfinete num mundo de cabeçudos.
  A minha farda é rica em sangue, suor e lágrimas, a minha e a de tipos como tu que, quando precisam, ao ver-me, encontram refúgio e protecção.
  Olha, o meu Pai nunca me deu um carro, nem me pagou a Universidade, mas em contrapartida deu-me coisas sem preço, entre elas o valor de um Não, da Educação, da Humildade e do Espírito
de Luta.

  EU, SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
  E TU, O QUE É QUE TU JÁ FIZESTE PELO TEU PAÍS?

(Texto a circular na Internet, de autor desconhecido)

(Sugestão de Valdemar Pereira)



sábado, 2 de abril de 2016

[9077] - LOUCO É QUEM NÃO SONHA!...

Comemoram-se este ano os 500 anos da publicação da “Utopia”, de Thomas More. A data está a servir de pretexto para uma série de iniciativas, não apenas para lembrar More e a sua obra, mas também (ou sobretudo) para celebrar a ideia de utopia. Utopias e distopias são poderosos exercícios de imaginação que nos ajudam a compreender os erros dos actuais modelos políticos e a projectar e construir melhores modelos.

Atravessamos tempos convulsos. Tempos de incerteza. Depois de Barack Obama, um modelo de elegância e inteligência, concorde-se ou não com as suas ideias, ninguém acreditava que os EUA pudessem regredir até alguém (alguma coisa) tão ruim quanto, por exemplo, George W. Bush — e foi então que surgiu Donald Trump. No início parecia apenas um pequeno erro do sistema, um divertimento antes da acção a sério, como os palhaços, no circo, antecedendo a entrada dos trapezistas. Agora começa a parecer-se com o que sempre foi — um pesadelo.

No Brasil, cujo processo de democratização acompanhei com entusiasmo, que vi crescer, prosperar, vencer a inflação e o desemprego — antes da crise actual —, há quem saia para as ruas clamando pelo regresso dos militares. Olhando a partir de fora custa a compreender. Olhando a partir de dentro custa ainda mais.

Desistir da democracia porque alguns políticos são corruptos é como cortar a cabeça para acalmar uma enxaqueca. As ditaduras tendem a ser muitíssimo mais corruptas do que as democracias. A diferença entre uma ditadura e uma democracia, no que diz respeito à corrupção, é que numa democracia os corruptos nem sempre conseguem dormir, com receio de que polícia lhes entre em casa a meio da noite, enquanto numa ditadura são as pessoas honestas que não conseguem dormir — com receio de que a polícia lhes entre em casa a meio da noite. Uma democracia é tanto mais avançada quando mais capaz for de combater a corrupção e, em particular, a corrupção no mundo da política. Creio mesmo que uma democracia é tanto mais avançada quanto menos ricos forem os seus políticos. Gosto da Holanda porque o primeiro-ministro vai para o emprego de bicicleta. Amo Cabo Verde, entre tantos outros bons motivos, porque o governo fica na Praia, e porque, entrando num boteco qualquer, nunca saberemos se o sujeito sentado ao nosso lado, tocando cavaquinho, é um humilde pedreiro ou o presidente da República.

Não há ditaduras boas, da mesma forma que não há doenças boas. Há democracias avançadas e vigorosas e há democracias em crise, democracias frágeis, democracias necessitadas de um novo começo. O que não há com toda a certeza é democracias que possam ser substituídas com proveito por uma qualquer ditadura. Nenhuma democracia é tão má que consiga ser pior do que a melhor ditadura.

Quando se analisam, à distância de séculos, tempos de incerteza e convulsão verifica-se, tantas vezes, que estes assinalam importantes avanços na História. As pessoas que acordaram em Paris, naquela manhã de 14 de Julho de 1789, não podiam imaginar que os confrontos desse dia, que culminaram na tomada da Bastilha, iriam dar origem não só a mudanças políticas fundamentais, mas, mais importante, a alterações positivas de mentalidade, em particular ao enraizamento da noção de que todos os homens nascem livres e são iguais em direitos e deveres. Para muitos franceses aqueles foram dias de puro terror. Dias em que um mundo acabou. Mas hoje, olhando para trás, o que vemos é um mundo novo a começar.

Tempos como aqueles que vivemos são susceptíveis de engendrar monstros. Contudo, também são capazes de gerar sonhos enormes e poderosos. Mais do que nunca é urgente revisitar utopias antigas e projectar novas. A obra de Thomas More inspirou, entre outros, Pierre-Joseph Proudhon, um dos pais do anarquismo. Mesmo quem nunca ouviu falar em Proudhon conhece certamente a mais famosa das suas proclamações, “a propriedade é um roubo”, e muitos a repetem, ainda que a não compreendam. Algumas das ideias anti autoritárias de Proudhon são hoje mais actuais — e menos “utópicas” — do que quando este as produziu.
O comunismo morreu e o capitalismo ameaça matar-nos a todos. A corrupção da classe política, as crises de refugiados, o aquecimento global, tudo isto são problemas decorrentes da própria natureza do sistema capitalista. É urgente procurar outros caminhos. Sonhar não é loucura. Loucura, hoje, é não sonhar. Na certeza, porém, de que esses caminhos, esses sonhos, só podem ser encontrados por meios pacíficos e democráticos. A democracia, essa utopia primordial, não pode ser posta em causa. Todos somos poucos para a defender. (in Revista Pazes).

Texto de José Eduardo Agualusa publicado originalmente no jornal O Globo...Sugestão de John Leão...

quinta-feira, 24 de março de 2016

[9048] - MORREU UM GÉNIO...


VITIMA DE CANCRO, MORREU HOJE, AOS 69 ANOS,
JOHAN CRUYFF
UM DOS MAIORES FUTEBOLISTAS EUROPEUS
DE TODOS OS TEMPOS!