Certo dia, já ciente do seu estado de saúde, ou seja, num tempo não
muito longínquo, o meu pai deixou no ar, que gostaria muito que eu prosseguisse um dia com este projeto do “ARROZCATUM”.
Embora seja um curioso da cozinha, sinto-me a léguas do
Grand Chef, que dirigiu este espaço, com toda a mestria de um verdadeiro
gourmet da palavra.
Com o seu imenso sentido democrático, foi expondo pontos de
vista, factos, efemérides e pequenas e grandes histórias. A sua indisfarçável costela de comunicador estava plasmada na curiosidade que tinha sobre as diversas formas e tonalidades do maravilhoso mundo que nos rodeia.
Contou com a inestimável ajuda de uma mão cheia de leais e profícuos colaboradores. E assim, feitos espectadores atentos, fomos enriquecendo em conhecimento e cultura, embalados pelo tom, por vezes conciliador e outras vezes reprovador, mas sempre desempoeirado.
Estou a falar do meu pai, por isso devem perdoar a minha
imparcialidade, mas todos devem concordar, que as crónicas sobre a sua
palpitante passagem por Angola, estavam coloridas por pinceladas verdadeiramente geniais.
A forma como nos fez sorrir, chorar ou admirar o belo, são a
marca do seu inconfundível estilo e verdadeiro exemplo de um comunicador antigo no BI, mas
contemporâneo no formato.
Houve um condimento transversal a toda a história do
“ARROZCATUM”, a sua grande e incondicional paixão pela terra que o
acolheu, adoptou, mas que malogradamente e a destempo, dele se descartou…
Não posso prometer a mesma cadência e qualidade de informação, mas
deixarei via aberta para todos os habituais colaboradores e também a todos que se
queiram juntar a este espaço de reflexão.
Estaremos, antes de mais, a honrar a
memória de Zito Azevedo, não deixando morrer um dos seus legados…
Veremos o que dá!
Braça
Paulo Azevedo