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quinta-feira, 29 de março de 2018

[10053] - A DESCOLONIZAÇÃO - CABO VERDE IV


Os conturbados acontecimentos no terreno – Abril-Dezembro de 1974 

Até à presente data não foi realizado nenhum estudo académico sobre os acontecimentos que se foram sucedendo entre o dia 25 de Abril de 1974 e a proclamação da independência de Cabo Verde, a 5 de Julho de 1975. Assim, a principal fonte de informações é a obra de autoria do jornalista cabo-verdiano José Vicente Lopes, Cabo Verde os bastidores da independência. O mesmo autor publicou uma outra obra em 2004 onde reuniu uma série de entrevistas com protagonistas deste período histórico23. De forma a tentar reconstituir os principais acontecimentos que ocorreram entre Abril e Dezembro de 1974, dispomos de outras fontes, a saber, o livro de memórias do primeiro Presidente de Cabo Verde, Aristides Pereira O meu testemunho – uma luta, um partido, dois países, onde estão também incluídas diversas entrevistas a militantes do P.A.I.G.C. conduzidas pelo historiador Leopoldo Amado e a obra de António Almeida Santos, Quase Memórias – Da Descolonização de cada Território em Particular, na altura Ministro da Coordenação Interna em Portugal, e principal interlocutor do Governo Português no processo de descolonização. São também de utilidade as entrevistas integradas no Arquivo de História Social publicadas no sítio internet do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e relativamente ao período do Governo de transição, a documentação depositada pelo Almirante Almeida d’Eça no Arquivo Nacional/Torre do Tombo, em Lisboa. 

Assim, como primeira reação ao 25 de Abril de 1974 em Portugal, sabe-se que foi criada de imediato no arquipélago uma Frente Ampla Nacional e Anticolonial, que como o próprio nome sugere, tinha por objetivo unir os nacionalistas caboverdianos numa mesma organização.24
Foi no dia 1º de Maio que a população do arquipélago se manifestou abertamente, para exigir a libertação dos presos políticos que ainda se encontravam no campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago.25
A 6 de Maio, o P.A.I.G.C. emitiu o primeiro comunicado acerca da situação que então se vivia em Portugal, e, de acordo com o seu Secretário-geral, Aristides Pereira, foram enviados os primeiros quadros da guerrilha para o terreno caboverdiano.26
Ainda no mês de Maio foi criado um novo partido político no arquipélago, a União Democrática Cabo-verdiana - U.D.C., dirigido pelo advogado João Baptista Monteiro, e que não tem sido objeto de interesse por parte dos investigadores. Para além de João Baptista Monteiro, conhecem-se a identidade de apenas dois outros militantes, Ângelo Lima e Jorge Almeida Fonseca, referidos na obra de José Vicente Lopes.27

Estando ainda por resolver a questão do reconhecimento da independência da Guiné-Bissau por parte do Governo português, o novo estado fez-se representar na Cimeira de Mogadíscio, em Junho de 1974, pelo Presidente Luís Cabral. Nessa ocasião, os estados africanos manifestaram o seu apoio aos movimentos de libertação, exercendo assim pressão diplomática sobre as novas autoridades portuguesas.

Foi somente no mês de Agosto que José André Leitão da Graça, dirigente máximo da U.P.I.C.V., conseguiu regressar ao arquipélago, após impedimentos vários em Dakar, onde então residia. Juntou-se à sua esposa, Maria Mercês, que também militava no mesmo partido.28 Criada em 1959 em Rhode Island, nos Estados Unidos da América, pelo irmão Aires Leitão da Graça, a União dos Povos das Ilhas de Cabo Verde ressurgiu em Dakar, em Junho de 1963, através de um comunicado no qual também se enunciava a sua orientação marxista-leninista. Esta organização partidária opôs-se sempre ao projeto de unidade política com a Guiné-Bissau, defendido pelo P.A.I.G.C..29
Foi no dia 26 de Agosto de 1974, na capital argelina, que foi assinado o Protocolo de Argel entre o Governo português e o P.A.I.G.C., tendo o Governo português reconhecido as posições da Organização da Unidade Africana e da Organização das Nações Unidas relativamente à independência da Guiné-Bissau, e tendo-se comprometido a negociar a independência do arquipélago de Cabo Verde. Mais precisamente, foi estipulado o seguinte:
“Artigo 6 – O Governo Português reafirma o direito do povo de Cabo Verde à autodeterminação e independência e garante a efectivação desse direito de acordo com as resoluções pertinentes das Nações Unidas, tendo também em conta a vontade expressa da Organização da Unidade Africana;
Artigo 7 – O Governo Português e o P.A.I.G.C. consideram que o acesso de Cabo Verde à independência, no quadro geral da descolonização dos territórios africanos sob dominação portuguesa, constitui factor necessário para uma paz duradoura e uma cooperação sincera entre a República Portuguesa e a República da Guiné-Bissau.”30
   
Assim, o mês de Setembro foi particularmente turbulento, e ocorreram diversos acontecimentos que seriam mais tarde considerados marcantes no âmbito deste processo. Tendo já sido iniciadas pelo P.A.I.G.C. uma série de ações no terreno, como comícios, saraus e ações de rua, foi o falecimento de um jovem alvejado pela polícia que despoletou confrontos entre moradores do bairro popular na cidade do Mindelo, Ribeira Bote e militares portugueses. Alguns moradores chegaram a recorrer ao fabrico de bombas artesanais e o bairro foi considerado uma “zona libertada” pelos seus moradores revoltosos.31

A 14 de Setembro de 1974, o General Spínola efetuou uma visita ao arquipélago, sendo que tinha também marcado um encontro secreto na ilha do Sal com Mobutu Sesse Seko, Presidente da República Democrática do Congo. À chegada a esta ilha, foi surpreendido por uma manifestação de populares, como relata Almeida Santos:
“Aconteceu que, quando chegámos à aerogare da ilha do Sal, fomos surpreendidos pela presença de jovens – não tão pouco numerosos quanto isso – que, já dentro do edifício, receberam o Presidente, com gritos de “fascista, fascista”, e o slogan “independência ou morte”.
O Presidente, tão surpreendido quanto indignado, teve uma reação colérica. De Cabo Verde, sobretudo de Cabo Verde, não era esperável um tal despautério. Conduzido a uma modesta sala de espera, mais indignado ficou quando soube que muitos daqueles jovens tinham viajado à boleia no avião que transportava até ao Sal o próprio governador. É claro que este, nesse mesmo acto, deixou de sê-lo para todos os efeitos. Ficou a faltar apenas o despacho de exoneração.”32
De acordo com Almeida Santos, esta situação acabou por inviabilizar a visita do General, então Presidente Spínola à capital do arquipélago, cidade da Praia, onde também houve tumultos:
“Quando o carro em que seguíamos subiu a rampa que, da ponte sobre o rio, habitualmente seco, conduzia à parte alta da cidade, estava à nossa espera – de facto à espera do Presidente Spínola uma multidão de milhares de pessoas, encharcadas até aos ossos e enraivecidas até ao delírio. Num ápice, a multidão rompeu o cordão de segurança que os soldados e a polícia em vão tentavam manter e começou a sacolejar violentamente o carro, com a intenção óbvia de o virar de cangalhas.
(…)

Continua

O processo de descolonização de Cabo Verde   Ângela Sofia Benoliel Coutinho  (IPRI/UNL)


  22 José Vicente Lopes, Cabo Verde os bastidores da independência, (Praia-Mindelo: Instituto Camões, 1996), 347. 23 José Vicente Lopes, A explicação do mundo, (Praia: Spleen, 2004) 
  24 Lopes, Cabo Verde, 280. 25 Lopes, Cabo Verde, 279. 26 Pereira, O meu testemunho, 274. 27 Lopes, Cabo Verde, 332-33. 28 Lopes, Cabo Verde, 278. 29 Lopes, Cabo Verde, 63, 128. 30 Fundação Mário Soares, Arquivo Amílcar Cabral/ DAC (Documentos Amílcar Cabral – Aristides Pereira) Pasta 04999.045 31 Letícia Neves, “Ribeira Bote – zona libertada, os heróis de ontem”, A Nação, 25 de Setembro a 1 de Outubro, 2014, E8, E9. 
32 António de Almeida Santos, Quase Memórias – Da Descolonização de cada Território em Particular, (Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2006), 233. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

[10052] ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

CABO VERDE - SETEMBRO DE 2017

Esta é a minha praia de referência do arquipélago. Não me perguntem porquê, talvez porque ela guarde memórias minhas, e eu também as guarde dela. Certo é, que me sinto sempre em paz e completa harmonia, quando me banho nestas águas.

Alguém sabe onde estamos?

terça-feira, 27 de março de 2018

[10051] - BRINCAR COM A HISTÓRIA


Hoje vi um post muito interessante no Blogue Praia D´bote do amigo do AC, Saial (aliás os conteúdos são sempre muito interessantes), e achei que este cartoon lhe assentava bem!

Convido-vos a visitarem o PdB e o post (3654), e que levem a coisa na desportiva!

Cartoon Yronikamente: Colab. Tuta Azevedo

sexta-feira, 23 de março de 2018

[10050] - A DESCOLONIZAÇÃO - CABO-VERDE III


As realizações do PAIGC e os conflitos entre “guineenses” e “cabo-verdianos” 


O ano de 1973 foi decisivo para a luta de libertação nacional conduzida pelo P.A.I.G.C.. Após o assassinato do seu líder histórico, Amílcar Cabral, em Conakry, a 20 de Janeiro, as ações foram intensificadas no teatro de guerra, e a direção deste partido decidiu avançar com a tomada dos aquartelamentos de Guilege e Guidage.

Não será exagero afirmar que, ao longo dos anos, a temática da rivalidade e dos conflitos étnicos entre militantes e dirigentes do P.A.I.G.C., envolvendo em particular os “guineenses” e “cabo-verdianos” tem sido privilegiada quando se pretende discutir os diversos problemas que este partido enfrentou, até à sua cisão em 1980.  Este conflito, apontado pelo próprio dirigente máximo do partido10 ter-se-á manifestado mais abertamente aquando dos acontecimentos ocorridos na noite de 20 de Janeiro de 1973. Em entrevistas publicadas em 1998, diversos dirigentes e militantes cabo-verdianos do P.A.I.G.C. que se encontravam nessa noite em Conakry, afirmaram que se tratou de uma tentativa de golpe, de cariz étnico, visando a eliminação física dos militantes cabo-verdianos e dos guineenses “mestiços”.11 Estes acontecimentos desenrolaram-se em Conakry e no barco 28 de Setembro, onde também foram presos diversos militantes e dirigentes. Contudo, nas chamadas “regiões libertadas”, sob domínio e administração do P.A.I.G.C., nas frentes sul, leste e norte e na representação do partido em Dakar nenhum dirigente ou militante caboverdiano ou “mestiço” guineense sofreu quaisquer ataques ou moléstias.12 Na sua obra Amílcar Cabral – vida e obra de um revolucionário africano, Julião Soares Sousa apresenta uma lista dos militantes que foram na altura acusados de envolvimento nas ações empreendidas contra a direção do P.A.I.G.C.13. De entre eles, surge, envolvido em suspeitas, o nome de um alto dirigente político e militar nascido na Guiné, Osvaldo Vieira, sem que até hoje tivessem sido reunidas provas contundentes que comprovassem o seu real envolvimento.

Assim, Luís Cabral acusa os militantes envolvidos de serem maioritariamente indivíduos que tinham sido acusados, julgados e condenados pelas estruturas partidárias por traição ou corrupção, e que se sentiam “politicamente queimados” junto às populações, e por conseguinte, encurralados na sua situação.14 Julião Soares Sousa afirma: “O que é certo é que a grande maioria dos assassinos eram elementos que, de uma maneira ou de outra, estavam descontentes com a sua situação no partido, (…).”15 Aquando da realização do IIº Congresso do P.A.I.G.C., em Julho de 1973, a questão do critério étnico para a eleição dos órgãos de direção do partido foi colocada. Julião Soares Sousa faz referência a “uma alegada reunião” realizada entre dirigentes guineenses16 e Luís Cabral fala de um movimento de responsáveis que “tentou criar uma categoria de ‘filhos autênticos da Guiné’”17. Não dispondo de dados que nos permitam compreender a forma como esta questão foi apresentada e por quem, não podemos deixar de constatar o seguinte: de entre os que têm sido considerados como fundadores do P.A.I.G.C. e que assumiram a direção do movimento independentista ao longo de quase duas décadas, o único nascido em Cabo Verde, onde também cresceu, tendo origem familiar cabo-verdiana, a saber, Aristides Pereira, foi o eleito para o cargo de Secretário-geral do partido, tendo ficado incumbido da condução da etapa final da realização do objetivo primeiro deste, a independência política da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Por essa ocasião, foi também criado o lugar de Secretário-geral adjunto, para o qual foi eleito o também fundador Luís Cabral, nascido na Guiné, de mãe portuguesa e pai caboverdiano, tendo crescido no arquipélago e vivido na Guiné já adulto. Foram eleitos para o Secretariado Permanente, para além dos dois dirigentes referidos, os Comandantes João Bernardo (Nino) Vieira e Francisco Mendes (Chico Té), ambos nascidos na Guiné. Por fim, foram eleitos 25 membros do Comité Executivo da Luta, antigo Bureau Político, constituído por 5 indivíduos nascidos em Cabo Verde e 20 nascidos na Guiné. Foram ainda constituídos dois novos órgãos de direção partidária, a saber, a Comissão Nacional do P.A.I.G.C. para a Guiné, presidida pelo Comandante Nino Vieira e a Comissão Nacional para Cabo Verde, dirigida pelo Comandante Pedro Pires.

Assim, pode afirmar-se que, aquando do início do processo negocial que conduziu à independência de Cabo Verde não existiam ou desconhecem-se até à data quaisquer questões relativas a conflitos étnicos entre dirigentes e militantes “guineenses” e “cabo-verdianos” do P.A.I.G.C.. Esta questão surgiu novamente de forma explícita aquando do golpe de Estado militar perpetrado a 14 de Novembro de 1980 em Bissau. Nessa ocasião, os golpistas fizeram sobretudo duras críticas à atuação do governo deposto, mas também proferiram as mais graves acusações contra os dirigentes cabo-verdianos, sugerindo que estes tinham sido os autores de fuzilamentos sumários no país. Tal acusação não impediu o Presidente do Conselho da Revolução, Comandante Nino Vieira, Primeiro-Ministro do governo deposto e Presidente da Comissão Nacional da Guiné do P.A.I.G.C., de afirmar ao Presidente do partido, Aristides Pereira, que os golpistas pretendiam prosseguir o relacionamento com Cabo Verde18. Outrossim, até à data não foram apontadas a morte e/ou prisão de dirigentes políticos e militares cabo-verdianos que então residiam na Guiné-Bissau, em número reduzidíssimo, segundo os cálculos de Aristides Pereira19. Pelo contrário, verificouse a morte de alguns dirigentes guineenses e foi apontada a prisão de mais de uma dezena de dirigentes políticos e militares naturais deste país20. A rutura com Cabo Verde foi formalizada em 1981, aquando da criação do P.A.I.C.V. pela ala caboverdiana do P.A.I.G.C.. Durante algum tempo, porém, foi manifestado um certo descontentamento pelo facto de ter permanecido a sigla “C” no P.A.I.G.C. da Guiné, que os dirigentes guineenses sempre se recusaram a retirar. Na posse de mais elementos de análise, poderemos compreender se pela recusa da retirada do “C” os dirigentes guineenses de então não quiseram assumir a rutura com a ala caboverdiana do partido ou se acharam que esta alteração não seria bem acolhida pela população.  Pode afirmar-se que a estratégia proposta e adotada pelo P.A.I.G.C. de associar guineenses e cabo-verdianos na luta anticolonial e pela emancipação política dos povos em questão, mais do que causadora de problemas insanáveis, foi eficaz e bemsucedida, tendo sido atingido por esta via o principal objetivo enunciado por este partido, a saber, a independência política destes territórios através da criação de dois Estados.         
Pelo acima exposto, tudo indica que as rivalidades e/ou conflitos entre os naturais destes dois territórios ou ainda entre os nascidos na Guiné-Bissau, sendo uns considerados estrangeiros e outros nacionais, de acordo com critérios de categorização ainda não inteiramente explicitados por nenhum autor, não terão constituído, por si só, motivos de força maior para provocar mudanças de relevo na estrutura partidária e/ou na estratégia global de condução do movimento independentista. Como tem sido notado por autores que se têm debruçado sobre esta matéria21, não é possível proceder a uma análise aprofundada dos acontecimentos mais estreitamente ligados à manifestação destas rivalidades étnico-nacionais sem ter em conta diversos outros fatores que a elas estiveram constantemente associados, tanto os de ordem interna, como regional, imperial e internacional.  Outrossim, tendo em conta a grande multiplicidade étnica e religiosa que é característica da sociedade bissau-guineense, que por volta de 1970 integrava animistas, muçulmanos, católicos e protestantes e mais de 20 grupos étnicos, parecenos largamente insuficiente uma análise de conflitos étnico-identitários que se cinjam ao caso dos nascidos na Guiné que tinham ou não origem familiar cabo-verdiana. Para uma análise que não seja superficial desta realidade social, é necessário indagarse acerca da forma como eram vistos e categorizados, e por quem, os nascidos na Guiné de origem sírio-libanesa, europeia, a saber, portuguesa, francesa, alemã, até goesa, e sobretudo, os muitos filhos de refugiados guineenses das diversas guerras ocorridas ao longo do século XX, que nasceram nos territórios africanos vizinhos. Assim, para o caso em apreço, importa questionar o conceito de “guineense” assumido pelos militantes que recusavam como nacionais os nascidos na Guiné com origens estrangeiras: até que ponto, para eles, faria sentido lutar por um território que englobasse todos os povos que então viviam na chamada Guiné Portuguesa, ou seja, terão realmente aderido ao projeto proposto pelo P.A.I.G.C. de criação de um Estado que englobasse e integrasse todos estes povos? Ou ao pretender eliminar a direção “cabo-verdiana” do P.A.I.G.C. pretendiam, na verdade, desistir do objetivo que era também deste partido de libertar politicamente Cabo Verde e avançar desde logo com a proposta das autoridades portuguesas de negociar a independência da GuinéBissau?

Preparada desde 1972 e anunciada por Amílcar Cabral, ainda em vida, a proclamação unilateral da independência da República da Guiné-Bissau concretizouse no dia 24 de Setembro de 1973, em Madina do Boé. A 3 de Novembro seguinte, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução condenando o Governo Português pela ocupação ilegal de uma parte do território da Guiné-Bissau e exigindo que iniciasse negociações com o P.A.I.G.C.. A não concretização do projeto de invasão armada do arquipélago por guerrilheiros do P.A.I.G.C. não impediu que a Assembleia Geral das Nações Unidas reconhecesse este partido como único legítimo representante dos cabo-verdianos, o que também foi feito a 5 de Abril de 1974 pelo Comité de Descolonização das Nações Unidas.22 Por sua vez, a Organização da Unidade Africana admitiu a Guiné-Bissau por unanimidade, a 19 de Novembro de 1973.  No respeitante ao cenário internacional era esta a situação em vésperas do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 em Portugal, que teve como uma das consequências imediatas a alteração da política colonial que vinha sendo seguida até então pelo Governo Português.

 10 Amílcar Cabral, Pensar para melhor agir – intervenções no seminário de quadros, 1969 (Praia: Fundação Amílcar Cabral, 2014), 134. 11 Pereira, O meu testemunho, 445, 536, 553, 620. 12 José Vicente Lopes, Aristides Pereira, Minha Vida, Nossa História (Praia: Spleen, 2012), 181. 13 Julião Soares Sousa, Amílcar Cabral – vida e morte de um revolucionário africano (Lisboa: Nova Veja, 2011), 512, 513. 
14 Cabral, Memórias, 75, 76. 15 Sousa, Amílcar, 514. 16 Sousa, Amílcar, 522. 17 Cabral, Memórias, 110. 
18 Ângela Sofia Benoliel Coutinho, “Os dirigentes do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde), da fundação à divisão : estudo de percursos individuais, de estratégias familiares e de ideologias” (Doutoramento em História de África, Universidade de Paris I – Panthéon Sorbonne, 2005). 19 Coutinho, “Os dirigentes do PAIGC.” Aristides Pereira faz referência a 5 indivíduos.   20 Coutinho, “Os dirigentes do PAIGC.” 
21 Ver Sousa, Amílcar e Tcherno Djaló, O mestiço e o poder – identidades, dominações e resistências na Guiné (Lisboa: Nova Vega, 2012) 266-67. 
22 José Vicente Lopes, Cabo Verde os bastidores da independência, (Praia-Mindelo: Instituto Camões, 1996), 347. 

O processo de descolonização de Cabo Verde   Ângela Sofia Benoliel Coutinho  (IPRI/UNL) 

quarta-feira, 21 de março de 2018

[10049] - MUNDO ANIMAL

SUDAN - O ÚLTIMO MACHO DE UMA ESPÉCIE
A forma como tratamos o nosso planeta e as espécies que connosco coabitam, dizem muito sobre nós, e não é nada de bom!
Por crendices e ganância, esta espécie, foi perseguida até à exaustão. Só restavam Sudan e duas fêmeas descendentes. 
Sudan encontrava-se bastante doente e debilitado, tendo o seu estado piorado nas ultimas semanas, já em grande sofrimento, a equipa de tratadores decidiu-se pela solução da eutanásia.
E assim desapareceu o último rinoceronte-branco-do-norte macho, tinha 45 anos e desde 2009, vivia na reserva Ol Pejeta Conservancy, no Quénia.
Restam agora as duas fêmeas, Najin, de 27 anos e Fatu, de 17, mas sem machos disponíveis, é fácil ver o destino próximo desta espécie.



quarta-feira, 14 de março de 2018

[10048] - CABO VERDE VISTO DE ÁFRICA



CABO VERDE VISTO PELOS OLHOS DE UM PROFESSOR GANÊS

Um texto muito interessante de um Ganês, Issah Hassan Tikumah, sobre Cabo Verde, publicado na Newsletter do Turismo Sustentável em Cabo Verde, partilhado no Facebook.

Cabo Verde - a terra da ausência absoluta de monotonia. Rica em montanhas e vales, colinas e encostas, cores e tons, gostos e impressões, a terra constantemente mantém o apetite do candidato vivo.

O caminhante, por exemplo, é prontamente resenteado com a descida antes de se entediar com a subida; e a subida antes se cansar com a descida. Cada dia do ano, as ondas generosas do mar iluminado da terra, provêm mais de cinquenta espécies diferentes de peixes saborosos e saudáveis - dos quais Cavala, Catchorreta e Barbeirosão os meus favoritos.

E assim são as lindas pessoas da terra: completamente preto - quase preto - quase branco - completamente branco.Os Cabo-verdianos podem não ter milhões em dinheiro, mas têm triliões em paciência e tolerância. Por exemplo, em toda a minha experiência em todo o mundo, e não apenas na África, Cabo Verde é o único lugar onde um/a motorista iria parar de repente o seu carro no meio de uma estrada movimentada, por um minuto de conversa com um amigo que passa, enquanto uma dúzia de outros motoristas esperam atrás, calmamente. Em outro lugar, isso não seria tentado, pois o infractor seria logo espontaneamente bombardeado com pragas impiedosas e insultos grosseiros de vulcões em erupção nos peitos dos camaradas.

Num Estudo de 2006, Bruce Baker de Oxford referiu Cabo Verde como "o país mais democrático em África". Eu gostaria de retorquir dizendo que Cabo Verde não é apenas o país mais democrático em África, mas também a única de verdadeira democracia em África, pois Cabo Verde é o único país da África onde a democracia não é um jogo de fanatismo étnico. Cabo Verde deve a sua invejável paz e estabilidade à ausência do fardo de tribalismo que tem mantido o resto da África em ebulição desde a independência política da Europa há mais de meio século atrás. Como eu costumo dizer aos meus alunos e colegas cabo-verdianos, na medida em que Cabo Verde está livre do sentimento venenoso do tribalismo, Cabo Verde é um modelo perfeito da África que aspiramos. Eu discordo totalmente daqueles que normalmente comparam Cabo Verde com os seus vizinhos e a pronunciam como uma nação pobre, carente de recursos naturais - a menos que tais analistas me possam explicar como a riqueza natural sem paz natural, tem qualquer sentido significativo. Se por acaso tiver de concordar com eles, então eu vou ter que referir-me a Cabo Verde como um pobre anão brilhante cercado por ricos gigantes sem luz. Aqui, a luz da humanidade e integridade contrasta com a melancolia da ganância e corrupção. É melhor ser pobre em petróleo e gás, mas rico em integridade, do que ser o contrário.

Cabo Verde pode não ser rico em ouro e diamantes, mas é rico em liderança. Cabo Verde é o único país da África onde se entra numa padaria comum e se encontra um ministro de Estado na fila, juntamente com os cidadãos comuns, para comprar pão comum. Cabo Verde é o único país da África onde o presidente iria partilhar uma casa simples, como um inquilino, com pessoas comuns,num apartamento de bloco comum. Cabo Verde é o único país da África, onde o Chefe de Estado iria embaralhar com pessoas comuns, dentro de um bar comum, para uma xícara de café comum.
A primeira vez que vi o Jorge Carlos de Almeida Fonseca entrar no Pão Quente, na Várzea, há dois anos, eu fiquei atordoado. Como que a confirmar que os meus olhos não me estavam enganando, eu fui até ele e gritei na cara dele ’Ó Presidente! "Tudo Bom?".O presidente respondeu-me com um aperto de mão. Todo hipnotizado para dizer qualquer coisa, eu saí sem responder à saudação do presidente. Mas o meu fascínio só aumentou ainda mais quando eu fui lá fora e descobri que a cena era tão comum como sal e água, com nenhuma indicação de que havia uma pessoa importante nas proximidades. Em outro país Africano, todas as quatro direções para o bar, seriam bloqueadas ao tráfego humano e de veículos motorizados, horas antes da chegada do presidente ao local e a cena será muito fortemente policiada para o conforto de uma alma comum. (A questão é mesmo esta: Em primeiro lugar, num outro país Africano, o que o todo-poderoso presidente estaria fazendo num "lugar ignóbil"?).

Em poucas palavras, Cabo Verde é o único país da África onde ninguém é ninguém, mas ao mesmo tempo todo mundo é alguém. Eu amo este país chamado Cabo Verde, a terra da beleza natural, a terra da compaixão humana, a terra da variedade infinita.

(Issah Hassan Tikumah - Professor e Historiador Ganês).

PARTILHA DE: PAULA AZEVEDO SIMÃO

terça-feira, 13 de março de 2018

[10047] - A DESCOLONIZAÇÃO - CABO VERDE II


A invasão falhada ou adiada do arquipélago 

Aquando da reunião de quadros cabo-verdianos do P.A.I.G.C. realizada em Dakar de 17 a 20 de Julho de 1963, foi decidida a preparação da invasão armada do arquipélago. Na sua grande maioria, os militantes cabo-verdianos deste partido passaram a dedicar-se à concretização deste projeto, que teve então o apoio do Governo cubano. Concomitantemente, foi sendo organizada a estrutura clandestina do partido no arquipélago, através da constituição de células em pelo menos, três ilhas: S. Vicente, Santiago e Santo Antão. Após dois anos de preparação na Sierra Maestra, em Cuba, o plano de invasão foi abortado, tendo sido adiado sine die, mas nunca anulado. Assim, relativamente ao plano de desembarque em Cabo Verde, Luís Cabral afirma que não se reuniram condições mínimas para a sua concretização, evocando a seca permanente7. Aristides Pereira tece as mesmas considerações, referindo também as “circunstâncias políticas desfavoráveis”, certamente, as dificuldades de atuação no terreno devido à apertada vigilância da PIDE/DGS.8 Relativamente ao abortar da operação de desembarque em 1967 Silvino da Luz indica como fator imediato a retirada do apoio do Governo cubano após o assassinato do Comandante Che Guevara na Bolívia.9 

6 MNE, Direção Geral dos Negócios Políticos, Repartição África e Ásia, 3, Proc. 940, 1, Gonzaga Ferreira, Missão à Guiné: Agosto e Setembro de 1963, 17 de Setembro de 1963, p. 9  7 Luís Cabral, Memórias e Discursos (Praia: Fundação Amílcar Cabral, 2014), 108. 8 Aristides Pereira, O meu testemunho – uma luta, um partido, dois países – versão documentada, (Lisboa: Notícias, 2003), 166.  9 Pereira, O meu testemunho, 616. 

AUTORA: Ângela Sofia Benoliel Coutinho  (IPRI/UNL)

[10046] - 1001 FORMAS DE EMAGRECER

NÃO TENTE ISTO EM CASA!!!

COLABORAÇÃO: TUTA AZEVEDO

segunda-feira, 12 de março de 2018

[10045] - DESCOLONIZAÇÃO - CABO VERDE I


Recebi do colaborador de longa data do AC, José Fortes, um interessante e extenso artigo sobre a descolonização dos territórios da Guiné e Cabo-Verde.
A partir de hoje o AC vai publicar a matéria em vários capítulos, de forma a não tornar-se difícil de "digerir".

O processo de descolonização de Cabo Verde   
Ângela Sofia Benoliel Coutinho  (IPRI/UNL) 


De acordo com as fontes oficiais, em 1956 foi criado em Bissau a primeira organização que se propôs obter a independência do arquipélago de Cabo Verde, o P.A.I.G.C. (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde). Ainda segundo a versão oficial deste partido, os seus fundadores eram, na sua maioria, cabo-verdianos e descendentes de cabo-verdianos oriundos de famílias de antigos proprietários e comerciantes ou letrados do arquipélago. Na década de 1960 terá iniciado a atividade clandestina organizada em Cabo Verde, e em 1963 teve início a ação armada, no território da atual Guiné-Bissau. 

Cabo-verdianos na Guiné no século XX colonial 

Desde o início da sua atuação, foi apontada como principal fragilidade do P.A.I.G.C. a sua proposta de associação de cabo-verdianos e guineenses numa luta comum pela independência política dos dois territórios. Com efeito, ao longo dos anos, tem também sido afirmado por diversos autores que os militantes e dirigentes guineenses do P.A.I.G.C. não aceitariam uma direção constituída por indivíduos nascidos no arquipélago ou naturais da Guiné categorizados como “cabo-verdianos” devido à presença maioritária e multisecular dos ilhéus nos diversos postos do aparelho administrativo colonial no território da chamada “Guiné Portuguesa”. Dizse ainda que no exercício das suas funções, os cabo-verdianos teriam sido diligentes e obedientes, o que teria gerado a animosidade e o ódio por parte dos diversos povos da Guiné sob o jugo colonial. Esta leitura da realidade pode parecer pertinente e ajustada aos factos, se a realidade histórica não fosse mais complexa.

Efetivamente, ao longo dos séculos, a presença de funcionários públicos caboverdianos é dominante na Guiné.1 Contudo, a emigração cabo-verdiana para este território africano continental, sendo a mais antiga, integrava muitas outras categorias socioprofissionais, a saber, pequenos e grandes comerciantes, artesãos e empregadas que se dedicavam ao serviço doméstico, não se cingindo exclusivamente ao exercício de cargos no aparelho de Estado.2

No seu artigo intitulado “A ideologia e a prática da colonização portuguesa na Guiné e o seu impacto na estrutura social: 1926 – 1973”, Carlos Cardoso mostra como, em 1950, o número de naturais da então metrópole residentes na Guiné era pouco menor do que o número de cabo-verdianos, a saber, 1501 e 1703, respetivamente.3 Mostra também como o número de naturais da metrópole que se instalavam na Guiné nos primeiros anos da década de 1950 passou a ser sensivelmente superior ao número de cabo-verdianos que aí se instalavam: em 1952, entraram na Guiné 262 oriundos da metrópole e 93 de Cabo Verde. 

Será necessário realizar estudos que revelem as alterações provocadas por essa nova corrente migratória para a Guiné no perfil de recrutamento de funcionários para os diversos cargos da Administração colonial. Por ocasião do início da guerrilha no território da Guiné, em 1963, não estamos, assim, em condições de afirmar que os cabo-verdianos fossem ainda maioritários entre os funcionários em exercício de funções na Administração colonial na Guiné. 

Quanto à questão da “obediência” dos funcionários cabo-verdianos, tem sido posta em causa nos trabalhos de Alexander Keese. Segundo este Autor, numa lista elaborada em 1960 pela PIDE/DGS com os principais suspeitos de “conspiração com agitadores e de estarem dispostos a serem desleais” encontravam-se cabo-verdianos, alguns dos quais exercendo cargos ao mais alto nível.4 Num relatório do Governo da Província elaborado em 1964, é considerado que os cabo-verdianos “(…) de maneira geral, se revelam maus funcionários, de lealdade, mais que duvidosa”.5 Também num relatório apresentado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, aquando de uma  missão efetuada à Guiné em Agosto e Setembro de 1963 é afirmado que os caboverdianos “constituem na sua grande maioria, (…) a quinta coluna de Amílcar Cabral. (…)”.6

Constata-se, assim, que não se trata de uma questão consensual: os funcionários coloniais cabo-verdianos podiam ser considerados como agentes diligentes do colonialismo português ou como os mais propensos a colaborar com o movimento independentista. Por altura do início da luta armada no território, tanto a PIDE/DGS como o próprio Governo da província e enviados do Governo da metrópole pareciam privilegiar a segunda hipótese.
 
1 Elisa Andrade, Les causes profondes de l’émigration capverdienne à Dakar (Dakar: s.e., 1971), 202. 2 Ver, por exemplo, Cláudio Furtado, A transformação das estruturas agrárias (Praia: ICLD, 1993), 73. 3 Carlos Cardoso, « A ideologia e a prática da colonização portuguesa na Guiné e o seu impacto na estrutura social : 1926 – 1973 », Soronda – Revista de Estudos Guineenses, 14 (1992): 51.  4 Alexander Keese, Living with Ambiguity – Integrating an African Elite in French and Portuguese Africa, 1930-61, (Stuttgart: Franz Steiner Verlag, 2007), 170.    5 ANTT, AOS/CO/UL-54, 23 de Junho de 1964, p. 4 

sexta-feira, 9 de março de 2018

[10044] - LANÇAMENTO DE LIVRO

“O ataque de um submarino alemão no Porto Grande de S. Vicente durante a I Grande Guerra (1914-18)”, é um livro de autoria de Jorge Morbey, editado pela “Livros do Oriente”,  que conta, em crioulo de S. Vicente e em português, um episódio daquele conflito mundial, ocorrido em Cabo Verde, cujo relato simples se esgota numa notícia de jornal, com meia dúzia de linhas.
Passado um século sobre esse evento, em que foram torpedeados dois cargueiros de nacionalidade brasileira, no dia 2 de Novembro de 1917, na baía do Porto Grande da Ilha de S. Vicente, esse acto bélico persiste na memória colectiva do povo daquela ilha, como um acto humanitário, nascido do envolvimento amoroso do comandante de um submarino alemão com uma linda jovem cabo-verdiana, envolvimento que acabou por salvar o povo daquela Ilha de morrer ceifado pela fome.
Cruzando fontes brasileiras, alemãs, portuguesas e cabo-verdianas, o autor não encontrou qualquer outro suporte que justificasse o ataque do submarino alemão, aos dois vapores brasileiros nos mares de Cabo Verde, além dos fornecidos pela aritmética básica da guerra submarina que se media pela soma da tonelagem de navios afundada ao inimigo.
Recorrendo ao modo como os cabo-verdianos guardam o seu imaginário colectivo, com amenidade encanto e humor, na superação do insuperável, o autor abre uma óptica de análise que enquadra este fenómeno, de conversão se um acto de morte e destruição, em lenda de amor e fraternidade, durante a crise alimentícia de 1916-18, à luz dos estudos sobre os efeitos psicológicos e fisiológicos da fome, realizados desde os finais da II Grande Guerra, nos E.U. da América.

Pátio da Penha, Edifício Kam Lai Wan, 3.º andar, 4/D, Macau

Morabeza di Cabo Verde

terça-feira, 6 de março de 2018

[10043] - DEVOLVAM A BOLA



Este futebol luso, que se tornou numa lavandaria atolada de roupa suja, onde o futebol que se pratica dentro das quatro linhas, as belas jogadas e belas defesas, ficam para segundo ou terceiro plano, nos incontáveis programas de televisão e até nos jornais desportivos.

Parece que agora o que conta, é mesmo o que menos deveria contar: o árbitro, e o milímetro em fora de jogo, e a intensidade do toque, etc… surgiram imensos especialistas na matéria, com a vantagem de termos sempre e invariavelmente, pelo menos, duas versões do mesmo lance. (Não há pachorra para tanto disparate!)

Como consultor de marketing, fico arrepiado ao ver os próprios agentes de uma indústria de muitos milhares de milhões de euros, maltratarem o produto que deviam preservar e promover. É um corrupio de comentadores que em frente das camaras sensacionalistas dos múltiplos canais que deveriam ser de notícias, pouco parecem interessados nos valores do desporto rei, mas sim em encontrar a melhor forma de espezinhar o parceiro de outra cor clubística. Isto perante uma audiência sedenta de sangue e cada vez mais com a vista turvada pelas cores que dizem defender. (Eu já não gasto nem um minuto com esse espetáculo degradante!)

Tudo começa nas cúpulas dos principais clubes portugueses, onde reinam autênticos oligarcas, que se fazem secundar por um séquito de seguidistas acéfalos e onde se congeminam as “melhores” práticas, para eliminar a concorrência, e onde parece que vale tudo!

Não ponho de parte, absolutamente nenhum alto responsável de nenhum dos três chamados grandes (S.L. Benfica, F.C. Porto e Sporting C.P.), e poderia juntar aqui muitos outros.

Que se prenda quem prevaricou, que se castigue quem não cumpriu as regras… mas calem-me essa malta toda, e devolvam-nos o FUTEBOL!

sábado, 3 de março de 2018

[10041] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

AFINAL QUE FUTURO PARA O EDEN PARK?
EDEN PARK - SETEMBRO 2017

Infelizmente, nem tudo corre bem, e o fantástico e histórico edifício continua ao abandono. Estamos em pleno centro nevrálgico do Mindelo, e as imagens são desoladoras.

Ouvi dizer, que já foi aprovado um plano de recuperação do edifício, mas aquilo que vi, confesso! Não me agradou!

Gostava de receber mais contribuições sobre este assunto, que sempre foi abordado no AC.

Assim é que não pode continuar...

EDEN PARK - SETEMBRO 2017

sexta-feira, 2 de março de 2018

[10040] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

LICEU GIL EANES - SETEMBRO 2017


Não poderia deixar de passar pelo Liceu mais badalado no Arrozcatum, por onde passaram várias gerações de Mindelenses, e não só.
Quase que construí alguma afinidade com este espaço, que não frequentei, mas que não raras vezes, era o epicentro de histórias inacreditáveis e verdadeiras anedotas que fui ouvindo ao longo da vida!

Pelo facto da batalha pela sua preservação ter sido um dos temas de sempre do AC, tería que ir ver com os meus olhos, o que se estava a passar... e as notícias foram boas, e as obras já estavam visivelmente, num bom ritmo...

LICEU GIL EANES - JANEIRO DE 2018
Entretanto, um digníssimo colaborador do AC, fez o favor de enviar uma foto do "produto acabado".
E não é que ficou bem bonito o "nosso" Gil Eanes?

Fiquei com vontade de o visitar por dentro e tentar perscrutar algumas das histórias que ainda transpiram das paredes!!!

Sei de alguém, que neste momento está com certeza, com um belo sorriso estampado!!!