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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

«10002» TESTEMUNHO...


O meu carinho pela canção nacional de Cabo Verde continua patente no YouTube onde já registou para cima de dois milhares de visitas... É algo que ficará como testemunho do quanto sou grato pelos muitos anos que me foi proporcionado conviver e sentir a alma de um povo bom e onde me fiz gente, constitui familia e conquistei amizades que ainda hoje, passados 73 anos, perduram... Quando, em 1977 abandonei o Mindelo fi-lo, como se sabe, contra vontade mas, no Cabo Verde dessa época também não era fácil (con)viver... Enfim, passado! 
Não me arrependo, aliás, de nada do que fiz ou disse - tenho direito às minhas convicções!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

[9995] - HAPPY BIRTHDAY...


NO DIA DO SEU 100º ANIVERSÁRIO
SAUDEMOS UM DOS MAIORES ÍDOLOS
DA NOSSA JUVENTUDE...
KIRK DOUGLAS 
ACTOR, PRODUTOR, DIRECTOR, ESCRITOR !
Descendente de família oriunda da antiga União Soviética,
 onde hoje se situa a Bielorrússia, chama-se, na realidade,
Issur Danielovitch...

domingo, 23 de outubro de 2016

[9825] - MEMORIAL EM ÉVORA...


Na Praça Grande uma pedra nova e branca,
Redonda como a roda da tortura
Em que sofreram os que depois queimados
Expiaram a culpa, de não ter culpa
De não ter medo!
Uma roda branca, de mármore
Gravado de palavras mudas
Que escurecem os céus
Da nossa memória
Gritadas agora no passar dos séculos
Em homenagem aos torturados
Massacrados, queimados vivos
Em labaredas acesas de ódio e intolerância
Que morreram gritando a sua culpa
De não ter medo!

Rasa no chão, como um túmulo,
Cercada de granito como árvore
Pronta a florescer,
No lugar da fogueira que antes foi!
Ostenta calada, num silêncio ensurdecedor
Um tempo que a memória não apaga
Mas que hoje naquela pedra molhada
Pede perdão, com símbolos gravados
Sem cor, entalados entre círculos 
Inclusivos e concêntricos.
É uma pedra rasa num mármore
Mais antigo do que o homem, 
Feita de memória, tolerância, perdão e paz, 
Por isso é branca.

Évora, 22 de Outubro de 2016
Blogue "A Cinco Cores"
Poema: Maria Barradas
Foto: Ana Beatriz Cardoso
Escultura. João Sotero

terça-feira, 11 de outubro de 2016

[9775] - VERTENTES DO OLHAR...


As Mães

Quando voltar ao Alentejo as cigarras já terão morrido. Passaram o verão todo a transformar a luz em canto - não sei de destino mais glorioso. Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem órfãs. Não as veremos apenas em Barrancos ou em Castro Laboreiro, elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catania, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchats ou Beni Mellal, porque elas são as Mães. O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua; a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento. Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E como duram! Feitas de urze ressequida, parecem imortais. Se o não forem, são pelo menos incorruptíveis, como se participassem da natureza do fogo. Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-nos com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços. Às vezes encostam-se à cal dos muros a ver passar os dias, roendo uma côdea ou fazendo uns carapins para o último dos netos, as entranhas abertas nas palavras que vão trocando entre si; outras vezes caminham por quelhas e quelhas de pedra solta, batem a um postigo, pedem lume, umas pedrinhas de sal, agradecem pela alma de quem lá têm, voltam ao calor animal da casa, aquecem um migalho de café, regam as sardinheiras, depois de varrerem o terreiro. Elas são as Mães, essas mulheres que Goethe pensa estarem fora do tempo e do espaço, anteriores ao Céu e ao Inferno, assim velhas, assim terrosas, os olhos perdidos e vazios, ou vivos como brasas assopradas. Solitárias ou inumeráveis, aí as tens na tua frente, graves, caladas, quase solenes na sua imobilidade, esquecidas de que foram o primeiro orvalho do homem, a primeira luz. Mas também as podes ver seguindo por lentas veredas de sombra, as pernas pouco ajudando a vontade, atrás de uma ou duas cabras, com restos de garbo na cabeça levantada, apesar das tetas mirradas. Como encontrarão descanso nos caminhos do mundo? Não há ninguém que as não tenha visto com umas contas nas mãos engelhadas rezando pelos seus defuntos, rogando pragas a uma vizinha que plantou à roda do curral mais três pés de couve do que ela, regressando da fonte amaldiçoando os anos que já não podem com o cântaro, ou debaixo de uma oliveira roubando alguma azeitona para retalhar. E cheiram a migas de alho, a ranço, a aguardente, mas também a poejos colhidos nas represas, a manjerico quando é pelo S. João. E aos domingos lavam a cara, e mudam de roupa, e vão buscar à arca um lenço de seda preta, que também põem nos enterros. E vede como, ao abrir, a arca cheira a alfazema! Algumas ainda cuidam das sécias que levam aos cemitérios ou vendem nas feiras, juntamente com um punhado de maçãs amadurecidas no aroma dos fenos. E conheço uma que passa as horas vigiando as traquinices de um garoto que tem na testa uma estrelinha de cabrito montês - e que só ela vê, só ela vê. Elas são as Mães, ignorantes da morte mas certas da sua ressurreição. - in "Vertentes do Olhar"

Eugénio de Andrade


(Sugerido por Adriano M. Lima)





domingo, 31 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

[9435] - O EPÍLOGO...


O pontapé de EDER, que provocou um frémito de 
lusitanidade do Minho a Timor, no seio de uma
Comunidade que não tem paralelo na
História das Nações de um  Mundo
mergulhado nas trevas da
divisão, do ódio e do
sectarismo!



domingo, 3 de julho de 2016

[9405] - MORREU CAMILO DE OLIVEIRA...





Aos 91 anos de idade, faleceu, ontem o actor CAMILO DE OLIVEIRA, um homem divertido que adorava divertir o seu imenso publico!
A comédia portuguesa perde, assim, um dos seus expoentes que cumpriu, felizmente, uma carreira de muitos êxitos e de rara longevidade...
PAZ À SUA ALMA!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

[9370] - G E S T O S ...

Este minúsculo relógio-despertador de mesa foi vendido ao balcão da Relojoaria Azevedo, então na Rua de Lisboa, a um senhor chamado Aristides Borja (Tide), aí pelos anos 50 do século passado...Cerca de 70 anos depois como que regressa a "casa"... A que propósito, perguntar-se-á...
Anos atrás, tive o privilégio de manter uma relação muito amigável com o Tide, cuja esposa  era tia da Teja, então casada com meu cunhado Rogério, ambos, infelizmente, já desaparecidos... Visitei-o por muitas vezes, na sua residência ao Lumiar onde, diga-se de passagem, se podia degustar um "grog" de Santo Antão do melhor que já me passou pelas goelas...Tide, era aquilo a que a gente costuma chamar de "um tipo fixe" e, tempos atrás, antes de ser "arquivado" num desses lugares chamados de "lares de idosos", pediu à Katia, filha da Teja, que me trouxesse o pequeno relógio que meu pai há tanto tempo lhe vendera e que, ao longo de muitos e muitos anos, lhe havia prestado bons serviços... Obrigado, Tide...
Gestos!

zito azevedo
24.06.2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

[9190] - O MEU DIA DA MÃE...


Véspera de Natal de 1946, num banco de Praça Nova, D. Laura e seus dois filhos, Zito à esquerda (12) e Tuta (10)...
Se fosse viva, estaria hoje a festejar o seu 92º aniversário, a nossa mãe, ou mãezinha, como a chamámos quase até à nossa idade adulta, um diminutivo que encerrava una dose imensa de carinho, de gratidão, de respeito, por alguém que era o nosso porto seguro, o nosso ancoradouro à vida e que nos ia moldando as mentalidades pelos exemplos de um esforço permanente de abnegada dedicação a uma tarefa que tem tanto de nobre como de esforçada - criar os filhos!
E, por entre procelas e bonanças, altos e baixos, risos e lágrimas, os anos correram e quando se extinguiram, para ela, já tinha criado os filhos e ajudado a cuidar dos netos e dos bisnetos...Completava-se o ciclo mas o vazio manteve-se, envolto no manto gélido de uma saudade que perdura para manter viva a imagem da nossa mãezinha!
Até logo, mãe!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

[9187] - RECORDANDO O TOTÓ ST'AUBYN...



Tocou-me imenso o falecimento do amigo de infância, em Cabo Verde, juventude e idade adulta, em Coimbra, António da Silva St Aubyn, que, entre amigos, era o Totó. A última vez que estive com ele foi na Conferência Internacional Comemorativa da Independência de Cabo Verde, na Gulbenkian, em que ambos falámos das nossas recordações como militantes pela independência.
Ambos naturais da Patchelândia, sendo as nossas famílias muito chegadas, a mãe, minha madrinha de baptismo, o irmão Adriano, partilhando o meu leite materno por a mãe ter secado o leite devido a uma contrariedade, são factos que atestam a amizade e cumplicidade das nossas famílias. O pai foi um grande comerciante de S. Nicolau, abastecendo-se da Alemanha, mas veio a falir devido à 2ª guerra Mundial que lhe cortou a fonte de abastecimento das suas mercadorias.
Recorro-me a algo do que escrevi sobre a malta estudantil em Coimbra no meu primeiro livro, ULI-ME LI!, no capítulo Estórias Coimbrãs, para refrescar a memória e relatar peripécias vividas nessa época em que intervém o Totó.
Foi o ele que me foi esperar na Estação Velha de Coimbra, quando decidi mudar de universidade, e levou para a sua república, o 21, inicialmente situada na parte alta da cidade, que se mudou para a rua ao lado da Sereia devido às obras de construção de novos edifícios para as diferentes faculdades. Nesta república coabitavam cabo-verdianos, açorianos e metropolitanos na maior harmonia, em perfeita fraternidade “luso-cafreal”, com disse alguém.
A fraternidade e solidariedade entre a malta de Cabo Verde nesses tempos em Coimbra eram extraordinárias. Vivíamos como irmãos de sangue e caldeou-se uma amizade imensa entre nós, que ainda se mantém, apesar de estarmos, quase todos, espalhados por esse mundo fora. Quando nos encontramos, é sempre uma festa, e alguns até se correspondem, o que já vai sendo raro nos tempos que correm. Éramos unidos tanto nas alegrias como nos sofrimentos e desaires, íamo-nos amparando mutuamente, fora do nosso nicho ecológico arquipelágico, tomando as responsabilidades a sério, entremeadas de paródias e gozos mais ou menos inocentes. Um chumbo era sentido como algo colectivo e os sucessos festejados. O nosso clube era, mais vezes, o Café Fontes, na Praça da República, do lendário Fontes.
Morei, no meu primeiro ano de Coimbra, numa casa na parte alta da cidade, situada atrás do CADC (Centro Académico de Democracia Católica), um ninho de estudantes católicos e de situacionistas, casa pertencendo a Maria Xabrega. Com oito a dez quartos ocupados por estudantes, era uma construção antiquíssima a que se adaptou uma casa de banho para todo o maralhal. O Totó é que ma arranjou e lá encontrei o Quiras (Jorge Querido) [no texto de ULI-ME LI! só utilizei alcunhas, mas neste irei identificar os amigos] e o FIdjon Fufu (Júlio César Feijóo Pereira). Foi este que me pôs a par da praxe e modas coimbrãs, por ser caloiro estrangeiro (vindo de outra universidade), não sujeito aos rigores da praxe estudantil, ele caloiro puro e o Quiras puto ou semi puto, portanto tendo já ultrapassado a condição de caloiro. O Totó já era veterano. Eu e o Fidjon comíamos na Maria Xabrega, bem como o Vário, que morava noutras bandas, o Quiras, na Cantina Universitária, chamada Filantrópica, mais conhecida entre a malta sob o nome de Morte Lenta. O Quiras estava magríssimo e, na cabeça, só se viam as orelhas afastadas; não obstante essa magreza era desaforado e “fortioso”, prometendo pancada a meio mundo, quando sob o efeito de copos.
A malta crónica do Café Fontes era o Felício/Armandim (Armando Gomes), Chico e Totó (também com a alcunha de Sic) St Aubyn, Néco (Leonel Barbosa), Pomada (Eduardo Gomes), Álvaro Cohen, Poupée (Osvaldo Lopes da Silva), Sousa e Momão (Barbosa Matos, Vetz (Albertino Fortes) e Agostinho Fortes, Fidjon, Quiras, Rolando Martins, Talona (Alcides Fialho), Pozolana (Aguinaldo Lisboa Ramos), Coleras (Elísio Silva), Chico Nhanhá (Chico Brabosa), Bau (Jorge Morais), Tito Ramos, António Graça, Lombriga (João Soares), Pritim (Olívio Pires), Evelize, Alípio de Toi Pombinha (Alípio Gomes), Youlou (Eduardo B. Vieira), Coruca (António Almeida), Doedjo Froxo (Rogério Leitão), Micro (Rui Machado),Qüina (Cohen), Jon P. (António Cohen), Van Pirú (irmão do Fidjon), Azincourt, Ireneu Gomes, António Joaquim, Nhunha (Jorge Humberto), Cachula (A. Caldeira Marques), Duca (Ildo G. Matos), Cardoso, Dick, Vicente Pinto, H. Pascoal, Pizim d´Ange (José da Paz), Rui Maia, Smith, Zazá (Salazar Ferro), Manuel Camões, Matiota, Tchol (Anselmo Évora), entre outros cujos nomes me escapam agora.
O dono do Café Fontes, um parolo sui generis, que conseguia levar à certa os senhores “doutores” com a sua esperteza saloia, de quem conto, em ULI-ME LI!, algumas peripécias em que participou, nunca conseguiu dizer St Aubyn; para ele o Chico e o Totó eram os Doutores Santola.
Havia todas as tendências, geralmente benignas, entre a malta; os intelectuais puros eram ariscos, mais aderentes aos aborígenes locais cultos (Vário, Cardoso, etc.), e não se contava com eles para as nossas paródias e raras vezes iam ao Fontes. Os carolas da bola predominavam: Nhunha, Rui Maia e Tchol, que eram praticantes e estrelas no firmamento futebolístico, bem como o Matiota. O Totó, Chico, Pomada e Camões, grandes estrategos teóricos, que nos enchiam a cabeça com tácticas e estratégias, antes e depois dos jogos da Académica. O Totó era também um “apaixonado” do cinema, mas para dormir e ressonar tranquilamente, durante as projecções, independentemente da qualidade dos filmes. Duvido muito que alguma vez tenha visto um filme do princípio ao fim. Duas vezes me desencaminhou para o acompanhar; o resto da malta recusava-se, redondamente, a acompanhá-lo por já conhecerem os seus hábitos. Ao segundo convite convenci o Jon P. a ir connosco; metemos o Totó entre nós, e cada um do seu lado aplicava-lhe uma valente cotovelada todas as vezes que começava a cabecear ou a ressonar. Acordava furioso, protestando, para retomar a djonga, e nós recomeçávamos as cotoveladas. Só assim é que deixou de me convidar para o acompanhar ao cinema.
O Tchol – outro amigo perdido há algum tempo, que se radicou em Moçambique - vivia nesse tempo, ainda estudante liceal, portanto, bicho na terminologia estudantil Coimbrã, ao lado de caloiros e veteranos. Futebolista de talento com pouca sorte na Académica, encorpado e atlético num físico de ébano, esguichando energia por todos os poros, tinha, no entanto, as suas susceptibilidades como, de resto, todo o pecador, muito particularmente no capítulo da cor. Não que tivesse complexos, mas não tolerava brincadeiras com ele nesse capítulo.
Estava ele no quarto do Totó a tirar alguma dúvida em matemática, com um valente penteado com popa e um alto no cocuruto, quando entrou o Poupée, o qual, olhando para ele comentou, dentro do gozo da malta: “olhem para a cara desse gajo! Parece um peru com a crista em pé. Esses pretos nunca mais tomam juízo”!…
O Tchol deu um pulo da cadeira como se fosse accionado por mola, pegou no Poupée, que era peso pluma, levantando-o à altura da cabeça e atirou-o contra à parede. Felizmente o Totó esgueirou-se entre ele e a parede, apanhando com o Poupée na sua peitaça esquelética, estatelando-se os dois no chão ficando o Totó sem fôlego. O Tchol saiu furioso, a bufar por todos os lados. Quando o Totó recuperou o fôlego e poude falar, foi dizendo ao Poupée: “olha que o tipo levou isso a sério! O melhor é ires falar com ele …” Eu?! Replicou o Poupée. Safei-me de boa, que ele ainda me matava de encontro à parede. Vou esperar que isso arrefeça.”
Volvidos alguns dias, estava o Poupée e o Tchol, entretidos da vida, a meter-se com o Alípio, alegando ter alguém encontrado o Alípio numa pastelaria da baixa à procura de pirinhas das ilhas. Claro que era aldrabice para se meterem com o Alípio, porque, como ele explicou, fora a mãe a inventora da pirinha das ilhas, em S. Vicente. O Alípio era uma paz de alma e nem impunha a sua condição de veterano a um bicho e puto, obrigando-os a sair à rua de cuecas, um às costas do outro. Era de uma credulidade e bem intencionalidade impressionantes, vítima, por isso, de inúmeras galgas que a malta lhe enfiava e ele tomava a sério. A única pessoa de quem não aceitava gozos era do Totó; a malta nunca soube explicar essa idiossincrasia, pois eram amicíssimos e colegas de curso. Ia aos arames e afinava ainda mais a voz, prometendo até pancada. Muito posteriormente vim a saber que entre o Alípio e o Totó houvera um contencioso, quando estudantes liceais, num jogo de futebol em S. Nicolau, durante as férias, em que o Totó era jogador e o Alípio treinador. O Alípio substituira o Totó por outro jogador, na segunda parte do jogo, quando o clube ganhava, e este veio a perder a partida. Quando se encontravam, o Totó atirava-lhe sempre à cara: “Em equipa que ganha não se mexe!”
Vim a reencontrar o Totó mais tarde, em Paris, aquando da minha viagem de curso em 1965, financiada parcialmente por laboratórios farmacêuticos, de visita a estes, na Alemanha, Itália e Suiça, com passagem, no regresso, de dois dias e uma noite, por nossa conta, em Paris. Como tinha a direcção do Olívio Pires em Paris, escrevi-lhe ao atravessar os Pirineus, dando-lhe conta do meu itinerário. Ao chegar a Paris, lá estava o Olívio na estação de comboios à minha espera. Desenfiei-me dos colegas da viagem e parti com o Olívio, indo ter com o Joaquim Monteiro, que já conhecia, e o Pedro Pires, que conhecia praticamente de nome e fama. Levava alguma informação das nossas actividades em Portugal e trouxe outras, do contacto que tiveram com Argel, onde estavam dirigentes do Paigc. Estive também com o Totó St Aubyn, que trabalhava na sua tese de doutoramento, já casado e com o primeiro filho, de tenra idade, que nos acompanhou num passeio a pé, em Paris, de bate papo. Ele era um dos elementos chave do Paigc em Paris e conjuntamente com Jorge Humberto foram à Holanda e Bélgica contactar os patrícios mobilizando-os para a luta de libertação, facto de que pouco ou nada se fala.
Muito mais tarde viemos a encontrar-nos, embora esporadicamente, em Lisboa, por ocasião de uma ou outra festa ou nos enterros de amigos, dado que a sua profissão de professor catedrático pouco tempo lhe deixava para o convívio com amigos.


Parede, Maio de 2016                                                                         Arsénio Fermino de Pina

[9185] - POEIRA DO PASSADO...

 6 de Dezembro de 1946

16 de Setembro de 1948

O amigo Djack, do Blogue "Praia-de-Bote", acaba de desenterrar mais duas preciosidades da publicidade comercial dos anos 40 do século XX e, uma vez mais, relacionadas com as actividades de meu pai, na ocasião, estabelecido na Rua Senador Vera Cruz...Os agradecimentos do que resta da Família Azevedo...
E, já agora, talvez valha a pena recordar a frase publicitária que, na altura, enaltecia as qualidades dos relógios "Cyma":

 ACIMA DE CYMA, SÓ CYMA!

domingo, 3 de abril de 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[8950] - INESQUECIVEL...


DEVO ADIANTAR QUE NÃO HÁ, QUE EU SAIBA, NENHUM MOTIVO ESPECIAL PARA A PUBLICAÇÃO, HOJE, DESTA BELA ESTAMPA DE NHÕ ROQUE, PARA ALÉM DA MUITA AMIZADE QUE LHE DEDIQUEI E DA IMENSA ADMIRAÇÃO QUE CONTINUO A POR ELE NUTRIR...
E, DEPOIS, ELE APARECE, AQUI, TAL COMO O RECORDO E SEMPRE RECORDAREI: EXPRESSÃO UM TANTO TRISTE, QUIÇÁ AUSENTE, A FRONTE ALTA E NOBRE, FEIÇÕES VINCADAS DENUNCIANDO A TENACIDADE DO SEU ESPÍRITO, O OLHAR BAIXO, ENSIMESMADO, FERVILHANDO DOS DRAMAS QUE A SUA MENTE TECIA E A SUA VERBE DERRAMAVA, EM HISTÓRIAS PLASMADAS NA REALIDADE DO POVO HERÓICO NA SUA SOFRIDA SOBREVIVÊNCIA DAS LUTAS PERMANENTES PELO PÃO E PELA DIGNIDADE...
O INESQUECÍVEL NHÔ ROQUE, UM REFERENCIAL PROEMINENTE NOS MEANDROS DA MINHA E DA FORMAÇÃO DE MUITOS JÓVENS QUE GOZARAM O PRIVILÉGIO DA SUA PALAVRA...
ATÉ UM DIA, QUERIDO MESTRE!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[8878] - "SANTA" FERNANDA...

Fernanda Feijoó Andrade nasceu na Brava, há já muitos anos e faleceu, também há muitos anos, em S. Vicente, com a linda idade de 75 anos, mas muito mais cedo do que aquilo que todos quantos a conheceram poderiam desejar. Ainda hoje estou convencido de que Ti Nanda se deixou, simplesmente, morrer, de saudade e dor pelo falecimento do marido, Clarimundo, que toda a gente conhecia como Mestre Polú.
Nascida no seio de uma família numerosa, tradicionalista, patriarcal e temente a Deus, Ti Nanda foi, sempre, a imagem da serenidade, da bondade espontânea, com um coração em que todos e cada um tinham lugar. Era tia e segunda mãe de minha mulher e, nos muitos anos que tive o privilégio de conviver com ela, nunca vi Ti Nanda mal humorada...Por vezes, triste, sim mas truculenta, zangada, ofensiva, nunca por nunca: ela vivia envolta numa aura de contenção quase mística, em que apenas a ansiedade, por vezes, lhe transmitia um estado de preocupação de enorme densidade, quando a saúde de alguém da família se presumia ameaçada, ou alguém do seu conhecimento passava necessidades que ela logo tentava minorar... Tia Nanda vivia mais para os outros do que para si própria!
Alimentava-se para viver, autenticamente, e o seu cardápio para consumo próprio era simples, repetitivo, sem preciosismos de confecção ou de aparência... Para os outros, no entanto, esmerava-se até à quinta essência e cozinhava divinamente. Não gostava de coelho: dizia que parecia lhe um gato, animal que ela adorava. No entanto, criava coelhos porque o marido, a sobrinha e eu próprio, apreciávamos o petisco, que ela preparava com requinte para nosso deleite...e sua repulsa dissimulada!
Permanentemente preocupada com tudo o que pudesse mexer com o equilíbrio das vidas das pessoas que lhe eram queridas - e que eu ouso dizer que eram tantas quantas as que ela conhecia - Ti Nanda era, se ele existe, o exemplo acabado do Anjo da Guarda... Só que ela não sabia pois, Ti Nanda não se fazia assim, Ti Nanda era assim!
Quando, exausta, nos deixou, abriu em nós um vazio que jamais se preencherá e uma saudade misto de gratidão e ausência mas, também nos legou o conforto de termos sido bafejados com a benesse de ter convivido com uma Santa humana.
Estas palavras, que difundo para conhecimento de tanta gente que não conheço pretendem, precisamente, fazer passar um pouco da minha emoção e de uma visão pouco explorada deste nosso mundo - a visão de que, afinal, os Santos existem mas nem todos têm, infelizmente, a felicidade de os conhecer!

N.E. - Este texto foi, antes, publicado a 9 de Setembro de 2009 no Arrozcatum...Hoje, numa conversa de ocasião com a Maiúca, veio à baila a Ti Nanda, essa Senhora com quem partilhámos, há muitos anos, alguns dos melhores momentos das nossas vidas em comum...E, claro, as saudades saltaram, lá das profundezas da nossa memória afectiva, inundando-nos a mente e marejando-nos os olhos... E lá voltei atrás no blogue e li, e reli o que sobre a Ti Nanda tinha escrito há cerca de sete anos...É com a mesma intenção de então que repito o texto que me provocou uma estranha paz interior e renovou a minha convicção de que a vida vale sempre a pena ser vivida principalmente, quando nela existem Ti Nandas...Cuidem bem das vossas, por favor!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

[8853] - ERA UMA VEZ, ANGOLA...{56}


RESUMO DOS EPISÓDIOS ANTERIORES

- Foi no ano de 1955 que fui do Mindelo à Praia fazer provas de condição física e intelectual na mira de uma colocação, em Angola, como Aspirante do Quadro Administrativo daquela, então, Província de Portugal no Continente Africano...Cerca de um ano mais tarde, eu com outros quinze, fomos aprovados e lá seguimos, em grupos de três e quatro, até Lisboa, primeiro e,  cerca de um mês mais tarde, para Luanda, onde cheguei em Dezembro de 1956, fazia um calor de derreter as pedras da calçada e chovia dilúvianamente...Passados mais cerca de 30 dias, lá segui com destino a Cazombo, no Alto Zambeze, que ficava - e fica - a cerca de 1500 quilómetros da Capital angolana...Até Vila Teixeira de Sousa, na fronteira do, então, Congo Belga, transportou-me o Caminho de Ferro de Benguela onde tive o meu baptismo de, num comboio,  dormir entre lençóis e tomar três refeições quentes diárias, numa viagem inolvidável de cerca de 40 horas.
Passada mais um a noite no Hotel Términos em V.T.Sousa, lá segui, de boleia de um camião carregado de telhas e tijolos de barro, para Cazombo, onde conseguimos chegar ao fim de 250 penosos quilómetros, estava eu tão partido por mais de cinco horas de solavancos...Instalei-me na "pensão" do crioulo Mário Matos, onde ele morava com mulher da Figueira-da-Foz, filho e duas irmãs e comi o primeiro almoço de arroz de berbigão de lata...Durante cerca de três anos vivi uma nova vida, numa nova terra, conhecendo nova gente e fazendo coisas novas como ir à caça de nuces e encontrar leões de anhara (sem juba), degustar febras de javali com licor de Singeverga com o padre Dâmaso, caçador de hipopótamos ou, como lá os apelidam, de cavalos-marinhos...Içar a Bandeira Nacional no terreiro da casa nova de Nhacatole, Raínha dos Luenas, que recentemente alguém tinha ido raptar à Rodésia do Sul e estava, agora, instalada em Nana Candundo,  ou assistir à inauguração da Gafaria do Alto Zambeze, a maior de toda a África, participar num churraco de testículos de porco numa ilha do Zambeze onde um ex-pescador da Nazaré tinha uma gigantesca criação de suínos, viajar de "jeep" até Balovale, na então Rodésia (cerca de 800 km, ida-e-volta) onde comprei a um logista de Castelo-Branco uma carabina BSA calibre 22-long que, depois de mirada pelo padre Dâmaso - que tudo fazia, incluindo tirar dentes e reparar bicicletas - me permitiu abater uma cabra-de-leque, à noite, num abandonado campo de aterragem, num tiro que devia constar dos anais das obras-de-arte...Na realidade, o bicho estava morto mas não tinha vestígios de qualquer ferimento em nenhuma parte do corpo...Só depois de esfolado se constatou que o tiro, à espádua traseira, lhe tinha acertado num dos ouvido e...saído pelo outro! Nem chegou a sangrar...
Depois, veio a penosa despedida de amigos conhecidos nesta curta passagem pelas planuras sem fim de um Alto Zambeze onde se colhe o arroz duas vezes ao ano, que produzia, ainda, toneladas de amendoim (ginguba), cera de abelha e...porcos vivos, claro, sem os ditos! Cazombo devia ser o único sítio do mundo, onde a única rua (estrada) que atravessava a povoação de uma ponta à outra, era ladeada por centenas de mangueiras cujos frutos ninguém consumia à excepção das abelhas, aos milhões delas! Único era, também, um pomar de várias  dezenas  de maracujazeiros que ninguém se lembrava de quem o tería semeado, que, esses sim, proporcionavam uns sumos de beber e chorar por mais...Não será certamente por acaso que os ingleses chamam ao fruto "passion fruit"... A seguir, veio a viagem até ao Cuíto Cunavale e, daí, para Norte com  a conturbada travessia em improvisada jangada, do rio Luande, a caminho de Malange e para o posto de Cangandala, onde ía ajudar a uma das tarefas mais problemáticas da acção administrativa do território: o censo da população indígena da área...(Continua...)
---------------------------------------------------------------------------------------------- N.E. - Creio que, desta forma, fica a memória das coisas minimamente actualizada, conforme me aconselhou a fazer o amigo Adriano M. Lima, como medida para que os eventuais seguidores da saga não percam completamente o fio à meada que, na realidade, já irá longa, quiçá, demais!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

[8661] - DA NORUEGA, COM MORABEZA...


Já no ano passado aqui falámos no Francisco que, miúdo atilado e curioso, foi ajudante na loja do meu pai, em S.Vicente, nos anos 60 do século passado...Aí terá aprendido umas coisas, a juntar às que já havia assimilado na escola-oficina de mestre Cunque de tão boa memória, e que lhe terão sido úteis no decorrer da sua já longa vida...
O Francisco abalou do Mindelo por volta de 1964, tinha ele 15 anos e cedo foi fazer companhia a seu pai, tripulante a  bordo de num navio norueguês, assim se fazendo marinheiro dos sete mares hoje, já reformado, com filhos e uma neta que é um deslumbramento...
Meu irmão, eu e as nossas caras-metades, tivemos o prazer de ter o Francisco a almoçar connosco, na passada terça-feira... Desta vez fomos ao Restaurante Flor do Minho, especialista em grelhados, e a refeição foi bem mais variada do que a que há semanas nos deliciou com o Valdemar... Tivemos piano e secretos de porco preto na brasa, dourada escalada  e pernil assado no forno...Uma festa! Tudo, acompanhado com branco fresco e tinto da casa - vinhos que, não raro, são bem melhores do que muitos rótulos famosos - e que deu para um bom par de horas de boa e animada conversa com o inevitável desfile das recordações de "gente daquel tempe", figuras que são parte integrante da nossa memória comum...
Foi-nos sobremaneira agradável rever este velho companheiro, 51 anos mais tarde...Não sei o que se passará com as outras pessoas mas, a mim, estes momentos reconfortam-me a alma e ajudam a reconciliar-me com a vida e as suas dificuldades do dia-a-dia...Obrigado, ó Francisco!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

[8645] - A 12 DE NOVEMBRO...

 
1840
Nasce, em Paris, o escultor Auguste Rodin, autor de "O Pensador".

1918
É proclamada, em Viena, a República Austríaca.

1927
Trotski, é expulso do Partido Comunista Soviético.

1929
Nasce a actriz-princesa americana,  Grace Kelly.

1937
Tropas japonesas ocupam a cidade chinesa de Xangai.

1956
Nasce o político português, Francisco Louçã.